A gravação divulgada pelos serviços secretos turcos à diretora da CIA, durante o mês de outubro, é atualmente a prova mais forte no alegado envolvimento do príncipe Mohammed da Arábia Saudita, no assassinato de Jamal Khashoggi no consulado saudita na Turquia. De acordo com alguns membros dos serviços secretos turcos, na conversa registada entre um membro da segurança pessoal do príncipe saudita e um oficial da casa real saudita foi dada a indicação para se “informar o chefe” de que o plano tinha corrido como esperavam.

Embora o nome do príncipe não tenha sido mencionado na gravação, alguns setores dos serviços secretos americanos acreditam que a referência feita ao alegado “chefe” durante a conversa possa indicar o envolvimento do príncipe Mohammed no assassinato.

Pode informar o chefe”, foi a frase dita por um dos assassinos ao oficial da casa real saudita para dar conhecimento que a operação estava concluída.

Segundo o New York Times, os serviços secretos turcos indicam que o idioma utilizado na conversa telefónica gravada entre Maher — pertencente ao grupo de 15 pessoas suspeitas do assassinato do jornalista saudita no consulado do seu país na Turquia — e o seu superior foi em Árabe.

Os serviços secretos turcos referem ainda que Mutreb acompanhava frequentemente o príncipe saudita nas suas viagens de Estado, como membro da sua segurança pessoal, e que durante o telefonema referiu que “a situação estava concluída”.

As opiniões dos peritos dividem-se relativamente ao envolvimento do príncipe Mohammed no assassinato do jornalista, e a tensão sobre a Casa Branca aumenta, pela falta de resposta e pela forma distante como tem lidado com a situação.

Para além da já conhecida a relação de proximidade entre o príncipe saudita e o genro de Donald Trump, Jared Kushner, a Casa Branca tem vindo a intensificar as suas relações diplomáticas e comerciais com a Arábia Saudita. A acção de Trump relativamente a este caso tem sido classificada como insuficiente. Apesar das críticas da comunidade internacional à relação dos dois países, esta tem continuado com a Casa Branca a justificar-se com a falta de provas concretas do envolvimento do príncipe saudita no caso.