Marcelo Rebelo de Sousa deixou em aberto a possibilidade de se recandidatar à presidência da República em 2020. Numa reportagem publicada no Diário de Notícias, Marcelo diz que “hesita” quando pensa em voltar às eleições presidenciais daqui a dois anos: “Dois anos, hei de cumpri-los bem. Mas mais cinco anos? Não sei”, afirmou. Além disso, o Presidente também confidenciou que a intervenção cirúrgica que sofreu o mudou: “Depois da operação à hérnia já não sou o mesmo. Foi de urgência… Isto é muito solitário. Com os meus netos cá não faria isto. Em 2020 decido”.

As declarações intimistas do Presidente da República vêm a público no fim do ano. Ao Observador, Marcelo confidenciou ao ter três desejos para o próximo ano: “É preciso bom senso naquilo que é essencial, é preciso não desregrar as contas públicas e não assumir compromissos impossíveis”. O Presidente admitiu estar preocupado com o clima de pré-campanha que assentou no país e que, a ver dele, chegou cedo demais. Tanto que no Natal, enquanto almoçava com famílias luso-venezuelanas, disse: “Essencial é a força da democracia, é haver condições para a estabilidade, é haver melhores condições económicas, sociais, culturais para os portugueses. Acessório é tudo aquilo que é apenas mera afirmação pessoal ou específica, setorial”.

Foi também à conta disso que vetou o diploma proposto pelo Governo sobre o congelamento da carreira dos professores. Como avança o Expresso, Marcelo Rebelo de Sousa aceitará a contagem de tempo proposta pelo Governo mas prefere uma estratégia mais “aberta” e “criativa” que junte tanto a aceitação dos partidos no Parlamento como as exigências dos sindicatos.

O veto não apanhou de surpresa o Executivo, até porque fonte governamental diz que a decisão de Marcelo serviu para dar mais tempo ao Governo para reformatar a proposta. No entanto, ninguém garante que isso vá acontecer. Desde que chegou ao Palácio de Belém, o Presidente já vetou 11 diplomas que saíram da Assembleia da República.