O advogado de defesa de Joaquin “El Chapo” Guzmán, que continua a ser julgado em Nova Iorque, corre o risco de ser impedido de visitar o narcotraficante à prisão, depois de serem reveladas algumas mensagens que trocou com Sarma Melngailis, uma das suas clientes e amante, revelou o New York Post. Nessas mensagens, Jeffrey Lictman terá questionado: “Será assim tão mau contratar uma dançarina do ventre para ser a visitante diária de ‘El Chapo’?“.

O problema passa por dois aspetos: além de estar a falar da vida do seu cliente com outras pessoas, as únicas pessoas autorizadas a visitar “El Chapo” à prisão são membros da sua equipa legal, os seus filhos e a sua irmã, visto tratar-se de uma prisão de alta segurança. “Dada a situação, é algo que tenho a certeza que vão investigar ao máximo”, disse ao New York Post um antigo procurador do Tribunal Federal de Brooklyn.

“Se ele está a conseguir fazer alguém entrar em visitas de advogado, mascarando-se de assistente (…) deve-se investigar isso, sem qualquer dúvida”, disse ainda um antigo advogado federal ao jornal diário de Nova Iorque.

O antigo advogado questionou ainda a possibilidade de existirem outras mensagens que Lictman poderá ter enviado sobre “El Chapo” e as revelações que podem conter: “Se ele falou sobre ‘El Chapo’ nas mensagens com aquela mulher, quem sabe o que poderá andar a dizer a outras pessoas?”

Lictman admitiu, em mensagens posteriores, que tinha pena de Guzmán “não ter nenhuma mulher bonita para o visitar”, daí ter sugerido a dançarina. Caso a investigação siga mesmo em frente, o juiz Brian Cogan pode pedir uma audiência ou marcar um interrogatório particular sob juramento ao advogado. O julgamento de El Chapo continua, entretanto, esta segunda-feira.

“El Chapo”, considerado o traficante de droga mais poderoso do mundo desde a morte de Pablo Escobar em 1993, é suspeito de ter traficado para os EUA cerca de 200 toneladas de cocaína e outras drogas ao longo de três décadas. O julgamento decorre no Tribunal de Brooklyn, em Nova Iorque, depois de, em 2016, o governo mexicano ter conseguido a extradição do barão da droga para os EUA.