O antigo número dois da Renamo, principal partido da oposição moçambicana, Raúl Domingos, considera, em declarações à Lusa, que a organização deve apostar num novo líder capaz de assegurar a harmonia entre a ala política e militar do partido.

“O perfil ideal do futuro líder da Renamo (Resistência Nacional Moçambicana) tem que ser alguém capaz de trazer as duas alas: a política e militar”, afirmou Raul Domingos, ex-membro dirigente e antigo membro do partido.

Com um novo presidente capaz de promover a coabitação entre as alas política e militar, o partido estará em condições de manter o compromisso com a paz e a democracia no país, acrescentou Raúl Domingos.

Por outro lado, o congresso eletivo que começa na terça-feira poderá marcar uma nova etapa na democracia interna, prosseguiu. “Com um novo dirigente, cria-se um novo quadro no partido, em que o novo líder poderá ficar na direção por um período não superior a 10 anos”, depois de o falecido líder, Afonso Dhlakama, ter permanecido no cargo por cerca de 40 anos, declarou Raúl Domingos.

A Renamo, prosseguiu, não voltará a ter um líder como Afonso Dhlakama, porque este tinha uma personalidade própria e as circunstâncias que moldaram o seu estilo de liderança transformaram-se.

Jamais teremos um líder como Dhlakama, que esteve 40 anos na direção do partido, vamos ter um processo dinâmico de sucessão e acredito que o futuro líder vai fazer no máximo dois mandatos, à semelhança do que acontece com o Presidente da República”, destacou ex-membro dirigente e antigo membro do partido, Raúl Domingos.

O tipo de liderança que vai sair do congresso, continuou, vai determinar o futuro da Renamo, porque o vencedor será automaticamente o candidato às eleições presidenciais deste ano e terá a missão de preparar o partido para participar nas eleições gerais.

Raúl Domingos ocupou vários cargos de direção na Renamo, desde os tempos da guerrilha, tendo sido expulso do partido devido a desentendimentos com Afonso Dhlakama, após as eleições gerais de 1999.

A Renamo realiza de 15 a 17 deste mês um congresso eletivo para escolher o sucessor de Afonso Dhlakama, que morreu de doença a 03 de maio do ano passado.

O congresso terá a participação de 700 delegados e 300 convidados e vai realizar-se no distrito da Gorongosa, província de Sofala, centro de Moçambique.

Até ao momento, existem três candidatos prováveis: o irmão de Afonso Dhlakama e dirigente da ala militar Elias Dhlakama, o coordenador interino Ossufo Momade e o atual secretário-geral Manuel Bissopo.