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Roger McNamee. Como um antigo conselheiro de Mark Zuckerberg quer mudar o Facebook

"Zucked: Waking Up To The Facebook Catastrophe" é o livro a publicar em fevereiro. É a história de quem ajudou a criar a mais popular rede social do mundo e que agora está "desiludido e envergonhado".

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Roger McNamee é investidor em Silicon Valley há mais de 35 anos, com o fundo Elevation, co-fundado com Bono, como uma das suas mais recentes apostas

Getty Images

Roger McNamee é investidor em Silicon Valley há mais de 35 anos, com o fundo Elevation, co-fundado com Bono, como uma das suas mais recentes apostas

Getty Images

Zuck. Era assim, com um diminutivo, que Roger McNamee tratava Mark Zuckerberg quando se reunia com o patrão do Facebook. Mas agora escreve “Zucked”, um verbo que é também uma consequência. E é esta a expressão que o mesmo McNamee usa no título de um novo livro que deverá ser publicado em fevereiro: “Waking Up to the Facebook Catastrophe”, ou “acordar para a catástrofe do Facebook” é a frase chave e é o tópico que tem feito correr caracteres pela Internet. O antigo conselheiro de Zuckerberg, e um dos investidores nos primeiros tempos da rede social, chega-se agora à frente para criticar a empresa, os respetivos líderes e descrever como o Facebook é, em resumo, mau para a sociedade.

As críticas de McNamee, nome reputado entre os investidores de capital de risco em Silicon Valley, não são novas. Mas nunca tinham sido tão agressivas. Esta semana, a revista Time revelou a capa da edição a publicar no próximo dia 28 de janeiro. E, traduzindo as frases chave, diz algo como:

“Conhece a tua informação.
Conhece os teus amigos.
Tem os teus cartões de crédito.
Ouve as tuas conversas.
Segue-te para todo o lado.
E tu não consegues passar um dia sem ele.
Eu ajudei a criar esta confusão.
E esta é a solução para a resolver.”

Na verdade, toda a edição é dedicada ao Facebook em particular, às redes sociais em geral e à privacidade online, com artigos escritos por autores como Tim Cook, CEO da Apple.

A capa da edição de 28 de janeiro da revista Time

No artigo da Time, que junta excertos do tal livro Zucked: Waking Up to the Facebook Catastrophe, Roger McNamee começa por escrever “estou muito triste com o Facebook”:

“Envolvi-me com a empresa há mais de uma década, com muito orgulho e alegria face ao sucesso atingido… até há uns meses. Agora estou desiludido. Estou envergonhado. Com mais de 1,7 mil milhões de utilizadores, o Facebook é um dos negócios mais influentes do mundo. […] Recentemente, o Facebook fez algumas coisas que são verdadeiramente horríveis e não posso mais arranjar desculpas para o comportamento da empresa.”

O início do texto é também parte de um email que McNamee enviou para o fundador do Facebook e para a sua COO, Sheryl Sandberg. E é o ponto de partida para assumir espanto e embaraço face aos diferentes casos e escândalos que têm envolvido a rede social, das eleições americanas ao Brexit, passando inevitavelmente pela venda de dados pessoais dos utilizadores a outras empresas.

“A minha crítica da empresa é uma questão de princípio e ser acionista é uma boa forma de o justificar. Tornei-me um ativista porque fui um dos primeiros a ver a catástrofe a chegar e a minha história com a empresa tornou-me uma voz credível”, escreve.

Roger McNamee define o intervalo entre 2012 e 2017 como essencial para a situação atual do Facebook. “Growth-hacking” é a expressão que usa, ou seja, espiar, obter informação e manipulá-la de forma a garantir um crescimento contínuo. McNamee acredita que foi esta a fórmula desenvolvida pelo Facebook — e apurada entre 2012 e 2017 — para assegurar o aspeto fundamental do negócio: a publicidade.

A capa do livro de Roger McNamee

“No mundo do ‘growth-hacking’, os utilizadores são métricas, não são pessoas. Todas as ações dos utilizadores deram ao Facebook um melhor entendimento desses mesmos utilizadores  — e dos respetivos amigos — permitindo à companhia fazer ‘pequenos ajustes’ diários, que é o mesmo que dizer que o Facebook se tornou muito melhor a manipular a atenção de quem o usa. Qualquer anunciante pode comprar o acesso a essa atenção. Os russos aproveitaram-se disso. Se o tema da responsabilidade civil alguma vez fez parte das conversas internas do Facebook, não consigo ver nenhuma prova disso.”

A Time pediu um comentário ao Facebook, que foi feito na forma de um post na rede social, publicado pela COO da empresa, Sheryl Sandberg, a 29 de dezembro de 2018.

Na mensagem, Sandberg aponta como áreas decisivas para 2019 as mudanças ao nível da equipa de segurança, da proteção de eleições, do bloquear de conteúdo terrorista, discursos de ódio e desinformação e do aumentar a transparência e salvaguardar a informação.

Os “bad actors” e a mudança

Foi através do tal método de “growth-hacking”, explica Roger McNamee, que Mark Zuckerberg atingiu o estatuto de líder de culto, fazendo uso da confiança que os utilizadores do Facebook têm numa plataforma “que utilizam diariamente, de forma pessoal, para partilhar ideias, fotos e para estabelecer contacto com amigos e familiares”. McNamee insiste que não tem existido cuidado na relação entre o Facebook e os utilizadores, permitindo a entrada em cena de “bad actors”, intervenientes que exploram tanto a rede social como o Google para espalhar “desinformação e discursos de ódio, para polarizar cidadãos em diferentes países”: “Vão continuar a fazer isso até que nós, no nosso papel de cidadãos, reclamemos o nosso direito à autodeterminação”, afirma.

Para isto, McNamee aponta sete áreas sobre as quais é fundamental tomar medidas: democracia, privacidade, controlo de dados, regulação, humanização, adição e proteção infantil. Contra o desvirtuar dos princípios do jornalismo, que são cada vez mais “económicos”, contra os monopólios do tratamento da informação e promovendo as relações humanas e o respeito como aspetos “essenciais” da vida numa sociedade tecnológica.

No final do artigo publicado pela Time, baseado no livro Zucked, Roger McNamee descreve o que diz ser o princípio de uma solução: “O mal causado pelo Facebook e outras plataformas à saúde pública, democracia, privacidade e concorrência resultam do do seu modelo de negócio, que tem de ser alterado. Como utilizadores, temos mais poder de forçar essa mudança do que pensamos. Podemos alterar o nosso comportamento. Podemos criar um movimento político”.

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