Redes Sociais

Como o Facebook quer proteger as eleições europeias em três pontos

Desde o caso Cambridge Analytica que aumentou o escrutínio sobre a influência do Facebook sobre resultados políticos. A rede social anunciou o que quer fazer para evitar o pior cenário nas europeias.

As eleições europeias acontecem entre 23 e 26 de maio de 2019

RITCHIE B. TONGO/EPA

Nas eleições brasileiras e norte-americanas, a empresa de Mark Zuckerberg criou uma “sala de guerra” para fiscalizar a forma como o Facebook, o Instagram e o WhatsApp eram utilizados (os três serviços fazem parte do mesmo grupo). Agora, quer fazer o mesmo para as europeias. O objetivo é “proteger a integridade das eleições” e a origem destas medidas continua a ser o caso Cambridge Analytica. O que vai ser feito? Expulsar maus utilizadores, reduzir notícias falsas [fake news] e aumentar a transparência.

A empresa de análise de dados Cambridge Analytica utilizou indevidamente dezenas de milhões de perfis para condicionar o resultado da eleição de Donald Trump e do referendo do Brexit, como foi divulgado em março de 2018. Para evitar casos semelhantes, o Facebook afirma em comunicado que “ganhou experiência com todas as eleições”. Mas assume que, ainda assim, futuras medidas não vão “parar todas as pessoas mal-intencionadas”. Contudo, o Facebook promete “fazer um progresso real e comprometido para melhorar”.

Deixamos, em resumo, os três principais pontos propostos e revelados em comunicado oficial.

Transparência em propaganda política

A plataforma vai lançar “novas ferramentas para ajudar a evitar a interferência estrangeira e tornar a propaganda política no Facebook mais transparente”. Isto vai afetar o perfil dos utilizadores? Na prática, pouco, mas quem compra publicidade vai ter de dar mais dados.

O Facebook vai exigir uma autorização prévia para anunciantes que queiram comprar propaganda política. Depois de se conseguir publicar o anúncio, há também novas regras: os anúncios vão passar a ter a referência “pago por”, vai ser possível ver quanto foi gasto e aceder a “dados demográficos” sobre quem os viu.

O Facebook sabe que está a enfrentar adversários inteligentes e bem financiados, que se estão a adaptar e a mudar as táticas, da mesma forma que o Facebook melhora constantemente a prevenção contra esses abusos. [Contudo, a empresa] acredita que este nível mais alto de transparência é bom para a democracia e é bom para o processo eleitoral”

Combate às fake news com “fact-check” e mais duas “etapas”

“O trabalho do Facebook para combater notícias falsas também continua a melhorar”, promete a empresa. O objetivo é que, no feed de notícias, exista mais “qualidade” e “autenticidade”. Para isso, a rede social promete banir todas as partilhas que não cumpram os “padrões de autentidade“, ou seja, que não façam o “incentivo à violência” e que não pratiquem o “discurso de ódio”.

E no caso de o conteúdo cumprir os critérios mas o Facebook considerar que prejudica a plataforma? Continua acessível, mas não aparece no feed. Os critérios são gerados pela empresa, mas há indicações abstratas, como “amigos e família aparecem em primeiro lugar”. De resto, é preciso ver como a rede social vai funcionar em cada caso.

Por fim, “fact-check”, que é como quem diz verificação dos factos (como o Observador faz em várias declarações e situações). O Facebook vai dar informações resumidas sobre o órgão que publicou a notícia. Além disso, a rede social vai continuar com o programa de verificação de factos da plataforma que continua em busca de partilhas que promovam a desinformação para avisar os utilizadores se uma partilha for falsa. Quem publicar notícias captadas por esse filtro vai ter menos possibilidade de aparecer no feed de mais utilizadores.

Tudo isto vai ser possível, diz a empresa, ao tentar remover da rede todas as páginas que publiquem notícias falsas e promovam “a desinformação”. A rede social tem apagado milhares de páginas desde o caso Cambridge Analytica.

Mais “salas de guerra”

Em setembro, o Facebook anunciou que ia criar, para as eleições presidenciais no Brasil e para as intercalares nos Estados Unidos da América, uma sala em que junta membros de vários departamentos da empresa — legal, engenharia informática, análise de dados, entre outros — apenas para fiscalizar e deter em tempo real possíveis interferências em eleições.

Estes “centros de operações” ou “salas de guerra” (do inglês “war room”) têm sido uma base para fiscalizar as eleições e, agora, o Facebook planeia criar novos locais, como um centro em Dublin, na Irlanda, onde fica a sede da empresa na União Europeia. “Isto fortalecerá ainda mais a capacidade de coordenação e resposta rápida” dos centros de operações “em cada região”, diz a rede social.

A empresa afirma ainda que vai contar com “especialistas do Facebook, Instagram e WhatsApp” e trabalhará de forma multifuncional com as equipas “de inteligência contra ameaças, estatística, engenharia, pesquisa, operações comunitárias, equipas jurídicas, entre outras”.

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