Aliança

Santana denuncia injustiças da esquerda e exige a Marcelo que esteja mais “vigilante”

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Pedro Santana Lopes fala pela primeira vez ao congresso na condição de presidente eleito do Aliança. O líder do Aliança critica a máquina fiscal e pede "mais exigência" perante Bruxelas.

JOÃO PORFÍRIO/OBSERVADOR

Santana Lopes acusou a “frente de esquerda” de discriminar determinados setores da sociedade por “preconceito” e exige a Marcelo Rebelo de Sousa que esteja pronto a intervir. No discurso de encerramento do primeiro Congresso do Aliança, Santana Lopes — que falava aos congressistas pela segunda vez num espaço de catorze horas — falou de uma esquerda que tem sido “injusta”. “A frente de esquerda tem preconceitos em relação”à agricultura, às pescas, a dirigentes de ordens e de sindicatos, ou a governadores do Banco de Portugal com os quais não concorda”, exemplificou. O líder do Aliança identifica na atual esquerda portuguesa uma tendência para “transforma em lei” as suas convicções. Um fator que leva os partidos a serem injustos e a terem uma falta de “fair play democrático”.

Denunciando “o cerco que o Governo tem feito à Madeira favorecendo o PS para que ganhe as eleições”, Santana Lopes pediu a Marcelo Rebelo de Sousa que esteja especialmente “atento” e “vigilante”, pronto para entrar em ação. “Tenho de dizer ao senhor presidente que esta matéria exige a sua especial atenção, mas estamos certos de que estará vigilante“, sublinhou.

Apesar de considerar que o mandato de Marcelo Rebelo de Sousa tem sido positivo, Santana Lopes pede mais para a segunda fase: “a realidade exige um esforço maior do Presidente da República”, justifica. Por ser um ano eleitoral, entende que o Chefe de Estado deve redobrar os cuidados. E, novamente, uma mensagem de esperança: “sabemos que estará atento, vigilante e atuante”.

Já sobre o governo de Costa, o seu alvo preferencial, Santana disse que “o que se passou nesta legislatura é um caso de mau governo, de má governação”. Os partidos à esquerda do PS também tiveram direito à sua bicada, quando Santana lembrou que “o muro de Berlim caiu há quase 30 anos” mas que muitos em Portugal, por “não terem uma ideologia para se agarrar, apoiam qualquer coisa“.

Depois de pedir mais a Marcelo Rebelo de Sousa e de ter acusado o Governo de ser insuficiente para enfrentar as dificuldades do país, Pedro Santana Lopes quis mostrar que o Aliança estará pronto para o combate. “Cá estamos: somos já muitos e vamos ser cada vez mais”, avisou. A certeza do sucesso do seu novo partido foi-lhe trazida pelos dois dias de congresso. “Nenhuma outra força política foi capaz de fazer isto em tão pouco tempo”, constatou.

Apesar de recente, o partido conta com um líder batido neste tipo de discursos. Reconhecido pelos restantes partidos e, como ficou plasmado nestes dois dias em Évora, adorado pelos seus, Santana Lopes quer apresentar-se com uma nova roupagem. Para isso, dirige-se àqueles que nunca votaram nele. Nem em ninguém. “Peço aos abstencionistas que nos deem uma oportunidade, nós cumprimos na ação o que se prometemos na eleição”, assegurou. “O Aliança está preparado para as três eleições”.

Ao longo do discurso, Santana voltou a tocar em temas que já tinham sido abordados no discurso de sábado. Tornou a falar das deficiências na “estrutura de financiamento do SNS”, criticando o Governo: “Assim como está não dá. E não dá para a saúde dos portugueses“. Santana Lopes, numa vertente mais ideológica, defendeu que é necessário aumentar a liberdade de escolha entre o privado e o público. O líder do Aliança defendeu que é preciso “generalizar os seguros de saúde”, embora saiba que é difícil quando “mais de metade não paga taxas moderadoras.” Para Santana “todos devem ter os seus seguros de saúde” e é “insustentável que só os ricos possam escolher entre o SNS e os sistema privados”. Já no sábado tinha alertado para os que não podem chamar um Uber e ir para o privado.

Logo no início do discurso, Santana tinha começado por alertar para os graves problemas de violência doméstica que marcam o país. O recém-eleito líder do Aliança quis homenagear as vítimas: “Por elas, o nosso sentimento, e peço a Deus que as tenha junto de si”. No discurso de encerramento do primeiro Congresso do Aliança,  deixou uma crítica à máquina fiscal. “O Estado só é eficiente a cobrar impostos”, acusou.

Recorrendo a um discurso escrito, por oposição à intervenção de sábado, Santana Lopes insistiu num dos temas que mais tem repetido desde que saiu do PSD: o crescimento económico. Como se estivesse a apresentar as linhas limítrofes do seu programa de Governo, defendeu que são precisos valores mais elevados de crescimento de forma a que o país possa resolver os seus problemas financeiros. “Se crescermos acima dos 3%, os nossos problemas desaparecerão“, antecipa Santana Lopes. Para isso, estabelece como uma das suas prioridades a atração de “mais investimento para o país”.

Mas porque estamos a pouco mais de três meses das eleições europeias, o líder do Aliança falou da Europa e pediu uma “maior exigência para com Bruxelas”. “Esta exigência maior não prejudica a nossa convicção de sermos profundamente europeístas”, explicou. E para que não restassem dúvidas, falou claro: “não queremos sair da UE nem do euro. Queremos construir. Mas temos de lhes dizer que é imoral haver países que conseguem cada vez mais excedentes orçamentais à custa da contração económica de outros países”.

Direção aprovada com esmagadora maioria

A direção escolhida por Pedro Santana Lopes foi votada por 372 delegados e obteve, como seria de esperar, uma ampla aprovação. Apenas seis congressistas votaram nulo e outros dez preferiram votar em branco. Os restantes 356 votaram a favor das escolhas do presidente do Aliança. Ficam como vice-presidentes o ministro dos Negócios Estrangeiros António Martins da Cruz, a antiga secretária de Estado Rosário Águas, o antigo presidente da câmara da Covilhã Carlos Pinto, o antigo deputado do PSD Carlos Poço, o arquiteto João Borges da Cunha e ainda os dois militantes que tinham sido escolhidos por Santana Lopes para apresentar a moção ao Congresso: Ana Pedrosa Augusto — advogada de Madonna — e Bruno Ferreira da Costa, professor universitário doutorado em Ciência Política. A estes nomes soma-se o do antigo secretário-geral do PSD Luís Cirilo, que desempenhará o cargo de diretor-executivo.

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Alberto Gonçalves
248

Se ainda não se restringiu o executivo aos parentes consanguíneos ou afins do dr. Costa, eventualidade que defenderia com empenho, a verdade é que se realizaram amplos progressos na área do nepotismo

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