Rádio Observador

Demografia

Fumam, bebem e dormem pouco, mas serão os que vivem mais. O que explica a longevidade dos espanhóis?

11.304

Até 2040, a esperança média de vida em Espanha vai chegar aos 85,8 anos — a mais alta do mundo. O segredo estará na dieta mediterrânica, na sesta e nas caminhadas, mas também na língua — a mais feliz.

Até 2040, os espanhóis vão chegar aos 85,8 anos de esperança média de vida. A conclusão é de um relatório do Institute for Health Metrics and Evaluation e surpreende, à primeira vista, tendo em conta que, segundo o Eurostat, o país vizinho tem alguns hábitos considerados pouco saudáveis. 22% da população fuma, fazendo de Espanha o oitavo país com mais fumadores entre os vinte sete países da União Europeia. No que toca ao álcool, cerca de 15% dos espanhóis consome todos os dias e o país fica mais uma vez nos primeiros lugares da tabela: o nono lugar, nos vinte sete países da UE.

Ainda assim, os números não impediram Espanha de ultrapassar, em tempo médio de longevidade, o Japão que, até agora, no topo da tabela. O segredo, afinal, estará em hábitos culturais que, afinal, são bons para a saúde.

Alimentação: dieta mediterrânica, tapas e vinho

Em Espanha, o consumo de sal e carne vermelha é muito elevado, mas há hábitos que compensam escolhas menos saudáveis. É o exemplo da compra de produtos frescos em vez de alimentos processados.

Helen Bond, da Associação Dietética Britânica, afirma ao The Times que os espanhóis “consomem muitos frutos secos, azeite, peixes com muito óleo, ou seja, uma quantidade muito elevada de gordura e algum vinho tinto”. Pode parecer um erro, sobretudo por causa da gordura, mas um estudo recente mostrou que fazer esta dieta pode diminuir o risco de doenças cardíacas em 27% — porque é preciso não esquecer que há gordura boa e gordura má.

A divisão da carga alimentar durante o dia também joga a favor da longevidade. A refeição mais pesada do dia é o almoço e os espanhóis só costumam voltar a comer por volta das nove horas da noite. Esta refeição, porém, é feita, apenas, de pequenas porções de comida: as famosas tapas. Desta forma, consomem-se mais calorias ao início do dia do que à noite e o corpo armazena menos gordura.

Exercício físico: menos ginásio e mais passeios

Um estudo da Deloitte concluiu que apenas 4,9% dos espanhóis estão inscritos num ginásio. Mas o Eurobarometer mostra que 76% da população faz um passeio pelos menos quatro vezes por semana durante 10 minutos ou mais.  Dados mais recentes indicam ainda que 37% dos espanhóis caminha ou anda de bicicleta para se deslocar até ao trabalho. E, já se sabe, a caminhada é conhecida por melhorar a saúde física e emocional.

Descanso: dormir de noite… e de dia

O almoço, como já vimos, é a maior e mais longa refeição do dia. De estômago cheio, o corpo pede uma sesta. Mas, apesar de os espanhóis serem conhecidos por este momento de descanso, apenas 18% da população afirma fazer a uma pausa para dormir depois do almoço. A conclusão parte de uma pesquisa da Simple Logica. O hábito está a perder-se gradualmente, principalmente entre os mais novos.

Ainda assim, terá um benefício direto na saúde dos que a praticam. Em 2012, cientistas espanhóis provaram que a sesta melhora a saúde cardiovascular, o humor e a memória, mas com um aviso: a Sociedade Espanhola de Médicos de Família sublinha que uma sesta só é saudável se não durar muito tempo, para não se perder o sono à noite. O tempo indicado são cerca de 26 minutos.

Trabalho: mais horas e mais devagar

O trabalhador comum em Espanha trabalha cerca de 1691 horas por ano. O valor é elevado, se for comparado com o número de horas de trabalho no Reino Unido (1674) ou na Alemanha (1371). O truque, porém, estará nas pausas.

Os trabalhadores espanhóis fazem pausas para almoço mais longas, que podem chegar às duas horas, e interrompem o trabalho mais vezes, para, por exemplo, beber café. Alguns espanhóis acreditam que o trabalho é mais produtivo se for feito durante mais tempo, mas de forma mais lenta. A opção pode provocar menos stress ou ansiedade — diminuindo, naturalmente, os prejuízos para a saúde.

Sexo: “os melhores amantes” e “as mais sedutoras”

Uma vida sexual ativa e saudável tem benefícios para o bem-estar e para a saúde e isso também é apontado como uma vantagem para os espanhóis, que, em média, dizem as estatítiscas, têm a primeira relação sexual aos 19 anos.

Um estudo conduzido pela onePoll.com, que questionou 15 mil mulheres de todo o mundo, concluiu que os homens espanhóis são “os melhores amantes”, assim como os brasileiros. E algumas pesquisas de sites e aplicações de encontros amorosos demonstram que as mulheres espanholas são “as mais sedutoras”.

Língua: palavras felizes

Podem as palavras de cada língua ter algum efeito no bem estar de cada pessoa? Aparentemente, sim. Um estudo encomendado pelo Jornal da Academia Nacional de Ciências concluiu que o castelhano é a língua “mais feliz e positiva” que existe. Nessa análise, feita por Peter Dodds, da Universidade de Vermont, e que considerou cerca de 100 mil palavras de dez das línguas mais faladas no mundo, o castelhano foi considerado a língua com mais palavras “felizes”.

Entenda-se por palavras felizes “amor” ou “riso”, usadas em conversas cara-a-cara ou em mensagens de telemóvel ou na internet.

Não queremos ser todos iguais, pois não?

Maio de 2014, nasceu o Observador. Junho de 2019, nasceu a Rádio Observador.

Há cinco anos poucos acreditavam que era possível criar um novo jornal de qualidade em Portugal, ainda por cima só online. Foi possível. Agora chegou a vez da rádio, de novo construída em moldes que rompem com as rotinas e os hábitos estabelecidos.

Nestes anos o caminho do Observador foi feito sem compromissos. Nunca sacrificámos a procura do máximo rigor no nosso jornalismo, tal como nunca abdicámos de uma feroz independência, sem concessões. Ao mesmo tempo não fomos na onda – o Observador quis ser diferente dos outros órgãos de informação, porque não queremos ser todos iguais, nem pensar todos da mesma maneira, pois não?

Fizemos este caminho passo a passo, contando com os nossos leitores, que todos os meses são mais. E, desde há pouco mais de um ano, com os leitores que são também nossos assinantes. Cada novo passo que damos depende deles, pelo que não temos outra forma de o dizer – se é leitor do Observador, se gosta do Observador, se sente falta do Observador, se acha que o Observador é necessário para que mais ar fresco circule no espaço público da nossa democracia, então dê o pequeno passo de fazer uma assinatura.

Não custa nada – ou custa muito pouco. É só escolher a modalidade de assinaturas Premium que mais lhe convier.

Partilhe
Comente
Sugira
Proponha uma correção, sugira uma pista: observador@observador.pt
Economia

O Congresso dos Economistas /premium

Manuel Villaverde Cabral

A legislação que regula as empresas e os investimentos é tão complicada e contraditória que não só arrasta os processos muito mais tempo que a média europeia como leva os investidores a desistirem.

Demografia

Envelhecimento e crescimento económico /premium

Manuel Villaverde Cabral

Nada é mais importante para países como Portugal do que o imparável envelhecimento da população e as suas consequências a todos os níveis da sociedade, da saúde ao potencial de crescimento económico.

Só mais um passo

1
Registo
2
Pagamento
Sucesso

Detalhes da assinatura

Esta assinatura permite o acesso ilimitado a todos os artigos do Observador na Web e nas Apps. Os assinantes podem aceder aos artigos Premium utilizando até 3 dispositivos por utilizador.

Só mais um passo

1
Registo
2
Pagamento
Sucesso

Detalhes da assinatura

Esta assinatura permite o acesso ilimitado a todos os artigos do Observador na Web e nas Apps. Os assinantes podem aceder aos artigos Premium utilizando até 3 dispositivos por utilizador.

Só mais um passo

Confirme a sua conta

Para completar o seu registo, confirme a sua conta clicando no link do email que acabámos de lhe enviar. (Pode fechar esta janela.)