As duas grandes famílias políticas europeias — o Partido Popular Europeu (que integra o PSD e o CDS) e os Socialistas e Democratas (onde está o PS) — vão perder a maioria que há muito detêm no Parlamento Europeu, mas ainda não vai ser desta que as forças extremistas vão ficar com uma grande fatia do hemiciclo.

De acordo com a primeira de uma série de projeções que serão reveladas quinzenalmente pelo Parlamento Europeu até às eleições de 23 a 26 de maio – com base nas sondagens realizadas em cada Estado-membro -, o Partido Popular Europeu (PPE) e os Socialistas e Democratas (S&D), juntos, podem ficar-se pelos 45% na próxima legislatura, uma descida de 9% em relação à composição atual da assembleia europeia.

O Partido Popular Europeu (PPE), que integra PSD e CDS, mantém-se como a maior família política europeia, com 26% das intenções de votos dos cidadãos europeus, perdendo, no entanto, 3% relativamente a 2014. Na prática, essa quebra traduzir-se-ia na perda de 34 eurodeputados para um total de 183, uma redução ainda assim menor do que aquela que é projetada para os Socialistas e Democratas (S&D), grupo no qual se inclui o PS.

Depois de elegerem 186 deputados nas anteriores eleições europeias e de somarem 25% dos votos, os socialistas devem ficar-se pelos 135 assentos e 19% dos votos.

Em crescendo está a Aliança dos Liberais e Democratas pela Europa (ALDE) que, segundo as projeções hoje divulgadas pelo PE, se poderá tornar na terceira força política na assembleia europeia, com 75 eurodeputados, mais sete do que atualmente, e 11% das intenções de voto, uma subida de 1,5%. O ALDE poderá superar assim o grupo dos Conservadores e Reformistas Europeus, a terceira força política no PE atual, que deverá perder 24 assentos e 2,5%, e ficar com 51 eurodeputados e 7% dos votos.

Na base das projeções estão as sondagens feitas para cada Estado-membro, sendo que a previsão para Portugal aponta para o PS a ganhar com 38,5% (9 eurodeputados), o PSD em segundo com 23,4%, e apenas 6 eurodeputados, a CDU em terceiro com 13% (3 eurodeputados), o CDS com 9,9% (2), o BE com 7,5% (1) e o Aliança, o PAN ou “outros” a não conseguirem eleger nenhum eurodeputado.

A perder estão também os Verdes europeus, com menos sete eurodeputados e 0,5% das intenções de voto (45 e 6%, respetivamente), e o Grupo Confederal da Esquerda Unitária Europeia/Esquerda Verde Nórdica do Parlamento Europeu (GUE/NGL), que integra PCP e o Bloco de Esquerda, que deverá ter menos seis eurodeputados.

É na categoria “Outros” que reside a grande incógnita das próximas eleições, com as projeções a atribuírem 58 lugares àqueles partidos que nem têm assento no atual PE, nem pertencem oficialmente a um grupo político.

Na apresentação das projeções, que incluem dados de todos os 27 Estados-membros – o Reino Unido deverá sair da União Europeia em 29 de março -, o porta-voz do PE, Jaume Duch, revelou que, neste momento, as duas grandes incógnitas na futura distribuição de assentos da assembleia europeia são o partido do presidente francês, Emmanuel Macron, e o italiano Movimento 5 Estrelas (M5S). Macron ainda não anunciou que grupo o seu “Em Marcha!” irá integrar, o mesmo acontecendo com o M5S, que manifestou a intenção de se desvincular do grupo da Europa das Liberdades e da Democracia Direta (EFDD).

O novo Parlamento Europeu, que resultará das eleições que se realizam entre 23 e 26 de maio, terá 705 eurodeputados, menos 46 do que o atual, em resultado da saída do Reino Unido da União Europeia. As projeções divulgadas esta segunda-feira têm por base sondagens nacionais, “com critérios credíveis e indicadores de qualidade relativamente à amostra e metodologia”, de cada um dos Estados-membros — que vão ser atualizadas a cada 15 dias.