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Moçambique. Ciclone Kenneth já provocou dois mortos e elevados estragos no Norte de Moçambique

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Tempestade tem a força de um furacão de categoria 4 e entrou esta quinta-feira em Moçambique com ventos de 285km/horas e chuvas intensas. Presidente da República moçambicano apela à calma.

Ao longo da noite de quarta-feira, o vento forte e a chuva provocaram já alguns estragos nas ilhas Comoros, região vizinha de Moçambique.

AFP/Getty Images

Um mês depois de o ciclone Idai ter atingido Moçambique e provocado mais de 600 mortos e milhares de desalojados, outra tempestade tropical ganhou força e atingiu o norte do país com rajadas de vento de 285km/horas e chuvas intensas, valores superiores ao registados no Idai e equivalentes à categoria 4. O ciclone Kenneth já provocou pelo menos dois mortos em Pemba.

O segundo óbito registado acorreu em Macomia, um dos pontos mais afetados pelo ciclone Kenneth, segundo a ministra da Administração Estatal e Função Pública, Carmelita Namashulua, que falava no balanço diário a partir da província de Cabo Delgado. A primeira morte ocorreu na cidade de Pemba, norte do país, durante a noite passada, devido à queda de um coqueiro tombado pela tempestade.

As autoridades moçambicanas avançaram que pelo menos 16 mil pessoas foram afetadas pelo ciclone e há mais de 18 mil pessoas nos 22 centros de acomodação.

Foi ao início da tarde de quinta-feira que o ciclone começou a aproximar-se de Pemba. Há informação de uma outra vítima mortal  que está por confirmar na vila de Macomia, cerca de 150 quilómetros a norte, na mesma província de Cabo Delgado, acrescentou outra fonte, realçando que a falta de energia e comunicações está a dificultar o levantamento da situação.

O ciclone está a mover-se em direção a oeste-sudoeste a 18 quilómetros por hora. Estima-se que vá afetar 700 mil pessoas e, de acordo com as previsões meteorológicas, é precisamente a zona de Cabo Delgado que deverá ser a mais atingida pela tempestade tropical. Vários locais da região de Pemba foram evacuadas de imediato devido aos ventos e chuvas fortes. A companhia aérea Moçambicana LAM decidiu também suspender os voos entre Maputo e Pemba devido à passagem do ciclone.

Este foi o primeiro a chegar ao norte de Moçambique desde que há registos (há 60 anos), sendo que o ano de 2019 fica na história como o primeiro em que o país foi atingido por dois ciclones de categoria dois ou superior na mesma época chuvosa – depois de o Idai ter atingido o território em março classificado com categoria três e de se prever que este possa ter a mesma classificação.

Um morador na vila de Macomia, sede de distrito no caminho previsto do ciclone Kenneth pela província de Cabo Delgado, descreveu ao princípio da noite a situação como “caótica”, tendo em conta a velocidade do vento e a intensidade da chuva, referiu em contacto telefónico com a Lusa. O vento e a chuva “estão a aumentar, a ficar mais fortes”, sublinhou. Não há energia, a noite caiu e os moradores estão fechados em casa, sem ninguém nas ruas, acrescentou, prevendo que só quando o dia raiar, pelas 05h (04h em Lisboa) se consiga fazer uma avaliação dos estragos.

Um outro residente em Macomia disse que, ainda antes de anoitecer, já havia árvores caídas e estragos nalguns edifícios públicos e em casas, de construção precária, em que as chapas de zinco são habitualmente os primeiros pedaços a voar durante intempéries.

Ciclone Kenneth – Moçambique

Sinais do ciclone Kenneth chegando em Pemba, possibilidade de alcançar categoria 4,Missionários pedem oração por #Moçambique. Podemos estar diante de um desastre parecido com o do ciclone IDai, mas Deus é aquele que muda os tempos e as estações,clamemos a Ele !!!!

Posted by Missões Novas de Paz on Thursday, April 25, 2019

Ao princípio da noite, a situação era relativamente calma em Mocímboa da Praia e Palma, a norte do corredor de passagem prevista do ciclone, assim como na capital provincial, Pemba, a sul do trajeto previsto, disseram várias fontes contactadas pela Lusa. Só a dimensão a que estava a chegar a ondulação impressionava alguns residentes na capital de Cabo Delgado, que relataram estragos no clube naval da cidade.

Ao longo da noite desta quarta-feira, o vento forte e a chuva provocaram também estragos nas ilhas Comores, região vizinha de Moçambique, e mataram três pessoas, de acordo com o Presidente Azali Assoumani, citado pela agência Reuters. As autoridades das ilhas, que ficam perto de Madagáscar, encerraram os aeroportos e escolas durante 24 horas por precaução.

O governo moçambicano já ativou um fundo de emergência de 1,3 milhões de euros para ajudar as potenciais vítimas do ciclone. “Fizemos um levantamento preliminar daquilo que serão as necessidades e estão estimadas em cerca de 100 milhões de meticais (1,3 milhões de euros)”, disse a diretora-geral do Instituto Nacional de Gestão de Calamidades (INGC), Augusta Maita.

[Acompanhe a evolução do ciclone no mapa interativo abaixo]

Ainda de acordo com Augusta Maita, parte dos meios que estavam alocados para a província de Sofala (centro de Moçambique), afetada pelo ciclone Idai, serão alocados para a província de Cabo Delgado. O alerta vermelho foi anunciado na manhã desta quarta-feira. Além do norte de Moçambique, o ciclone poderá ainda afetar o sul da Tanzânia, país vizinho.

Estão prontas para atuar dez embarcações e 20 pilotos para apoio imediato em operações de resgate. Tanques de água, bens alimentares, tendas, kits de abrigos e ferramentas estão também disponíveis para ajudar as pessoas afetadas pelo ciclone que se formou no Oceano Índico.

À semelhança do que aconteceu quando o Idai atingiu o país, as bacias hidrográficas de Cabo Delgado estão com níveis de água superiores ao normal devido às intensas chuvas. Mas Moçambique quer que, desta vez, tudo seja diferente e consiga evitar o cenário de devastação que o fenómeno meteorológico causou há um mês. Na altura, as falhas no sistema de alerta foram apontadas como um dos principais responsáveis pelo número de mortos. De acordo com o presidente moçambicano, o número de mortos pode ainda ultrapassar os mil.

Segundo a BBC, o Kenneth pode ser o maior ciclone algumas vez registado a atingir a região de Moçambique.

Autoridades moçambicanas estendem ajuda à região a sul do ciclone

Uma equipa do Instituto Nacional de Gestão de Calamidades (INGC) de Moçambique está a distribuir abrigos e alimentos em Nacala, a sul da zona de impacto previsto do ciclone Kenneth, anunciou o organismo.

“Dependendo do tipo de ameaça, que neste caso é a de erosão, temos tendas familiares ao nível provincial e contamos com apoio de parceiros, igrejas e temos salas de aulas para abrigar a população” disse Alberto Armando, delegado do INGC em Nampula, província de que Nacala faz parte.

Apesar de se prever que o ciclone atinja com severidade apenas a província vizinha de Cabo Delgado, numa faixa a cerca de 300 quilómetros a norte, antevê-se que a chuva intensa chegue a Nacala, o que faz temer a ocorrência de cheias mais fortes que o habitual. A subida repentina das águas já tem acontecido durante alguns dias da época das chuvas, entre novembro e abril, em anos anteriores.

Dimensão do ciclone “está sob controlo”, diz Presidente moçambicano

Ainda esta quinta-feira, Filipe Nyusi pediu à população que mantenha a calma e que não entre em pânico “porque o grande problema, neste momento, são as chuvas recorrentes e os ventos que sopraram, mas a dimensão está sob controlo“, garantiu o Presidente moçambicano, citado pela Rádio Moçambique.

O chefe de Estado moçambicano pediu ainda para que toda a gente “siga atentamente as instruções emanadas oficialmente” e apelou à “solidariedade e união” entre todos, acrescentando que ao longo do dia serão fornecidos mais dados sobre a evolução do ciclone.

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