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Moçambique

Presidente moçambicano teme “alastrar” de violência armada no Norte

O Presidente moçambicano referiu que dificilmente poderiam ter acontecido mais desgraças no seu mandato, mostrando preocupação que a violência armada que assola o Norte do país se possa alastrar.

"É verdade que são quarenta anos. Mas que tipo de quarenta anos Moçambique viveu? Quarenta anos de pancadaria onde não se pode ter um fio de pensamento", referiu Filipe Nyusi

ANTÓNIO SILVA/LUSA

Autor
  • Agência Lusa

O presidente moçambicano, Filipe Nyusi, teme que a violência armada que assola o Norte do país desde há ano e meio possa alastrar, num mandato que enfrentou várias “desgraças”.

“O nosso esforço é de todos colaborarmos para ver se conseguimos saber quais são as motivações [dos grupos armados], porque isso pode se alastrar”, referiu ao jornal Canal de Moçambique, naquela que foi a primeira entrevista como chefe de Estado a um órgão de comunicação social do país.

Grupos armados que nasceram em mesquitas já mataram pelo menos 150 pessoas na província de Cabo Delgado, no Norte do país, desde há ano e meio.

“Atacam as povoações e usam jovens e pessoas capturadas, parte significativa são estrangeiros. Atravessam a fronteira, vêm para aqui, mas quando são capturados são devolvidos para os seus países”, descreveu – acrescentando que “há vezes em que se fala de conotação islâmica, mas é bom que não se use isso como máscara”.

O trabalho em curso, acrescentou, é o de procurar “o mandante disto tudo e qual a motivação”.

Ao mesmo tempo, Nyusi garante que há colaboração com as multinacionais que investem em gás natural na província “para proteger os objetos económicos”.

Na mesma entrevista, o presidente moçambicano referiu que dificilmente poderiam ter acontecido mais desgraças no seu mandato.

“Não sei se há uma outra desgraça que vai acontecer neste país do que aquilo tudo que nos aconteceu nesses quatros anos e meio”.

Além dos dois ciclones muitos intensos que assolaram o país este ano, houve secas no sul do país, “a guerra que matou pessoas” e “o dinheiro que não entra, enfrentamos problemas de financiamento”.

Sobre a “guerra” que Moçambique já viveu, as armas calaram-se com o cessar-fogo anunciado pelos guerrilheiros da Resistência Nacional Moçambicana (Renamo) em dezembro de 2016.

Mas Filipe Nyusi reitera: as negociações de paz estão lentas e emperradas nos nomes que o partido da oposição propôs para desarmar e reintegrar na sociedade.

Nyusi questiona se “a Renamo quer deixar aquelas pessoas que estão aí no mato e levar de novo” a beneficiar de um processo de reintegração “as pessoas que estão aqui na cidade”.

“O impasse não tem nada a ver com o Governo. Do lado do Governo é tudo mais fácil”, dizendo que a situação está “a cansar” os mediadores.

“Os nossos amigos estrangeiros já estão a ficar cansados”, referiu, poucos dias depois de ter pedido à Renamo para entregar as armas antes da realização das próximas eleições gerais, agendadas para 15 de outubro.

Filipe Nyusi dedica boa parte da entrevista a apelar a uma aposta do setor privado na agricultura e questiona o tempo passado desde a independência.

“É verdade que são quarenta anos. Mas que tipo de quarenta anos Moçambique viveu? Quarenta anos de pancadaria onde não se pode ter um fio de pensamento”, referiu.

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