Depois de ter pedido, no início da semana, ao PS, PSD e CDS que se pronunciassem publicamente — e antes das eleições — sobre o que farão relativamente à proposta de orçamento europeu que corta os fundos de coesão dedicados a Portugal em 7%, o candidato da CDU às eleições europeias voltou a lançar um repto àqueles partidos. Agora, que digam o que vão fazer quanto à reforma da Política Agrícola Comum, alvo de reforma na próxima legislatura europeia.

“Esta é que é a hora das clarificações. O que pensam fazer os vários partidos?”, questionou João Ferreira, durante um jantar-comício em Serpa esta sexta-feira, encerrando a passagem da caravana da CDU pelo Alentejo. À semelhança do que tinha feito antes (quando disse que a CDU não votará favoravelmente um orçamento que inclua qualquer corte de verbas para Portugal), deu a garantia da posição da coligação: trabalhará no sentido salvaguardar os recursos nacionais e de colocar os agricultores portugueses em pé de igualdade com o resto da Europa.

O cabeça de lista da coligação lembrou aquilo que tem vindo a defender sobre a agricultura e argumentou que se os portugueses soubessem o que sabem hoje não teriam tido a mesma posição sobre a adesão à CEE. “Foi a CDU quem combateu como ninguém os impactos que três décadas de Política Agrícola Comum tiveram no nosso país”, considerou. “Fomos nós quem avisou que as promessas do Mercado Único e os rios de dinheiro da CEE com que iludiram os agricultores portugueses antes da adesão iriam redundar na destruição da nossa capacidade produtiva”, acrescentou.

Segundo João Ferreira, “se tivessem dito aos agricultores” que iam “destruir” a produção, acabar com postos de trabalho e deixar ao “abandono 700 mil hectares de terras aráveis”, “seguramente a euforia não teria sido tanta”. Depois, falando diretamente aos quase duzentos alentejanos apoiantes da CDU presentes no jantar-comício, João Ferreira assegurou que “se tivessem dito” a um país que já produziu trigo e centeio “que agora temos de importar 95% dos cereais que consumimos, com certeza que as opções do povo teriam sido outras”.

O candidato da CDU recordou também que a coligação apresentou, “aquando da última reforma da PAC, mais de 150 propostas”, por isso este será “um momento chave para assegurarmos o direito de cada país e não de apenas alguns a produzir, o direito a defender a sua soberania alimentar”. A reforma da PAC, defendeu, deverá passar por uma melhor “redistribuição das verbas” e pelo fim da “distribuição de rios de dinheiro pela simples posse da terra sem obrigatoriedade de produzir”.

“Às vezes tem piada ouvir os candidatos do PS, PSD e CDS a discutir taxas de execução do Portugal 2020 ou do ProDer”, disse João Ferreira, para questionar se “não foram eles” que aprovaram regras para Portugal “não investir para não agravar o défice”. Para o candidato da CDU, as preocupações com a população “devem estar à frente do cumprimento das regras do défice” e deu mais alguns exemplos, como o IP8, que serve a região e que precisa de ser melhorado, ou a ferrovia, uma grande necessidade no Alentejo. E aproveitou a deixa para atacar o cabeça de lista do PS, Pedro Marques, sublinhando que nestes casos, “o plano de investimento do ex-ministro Pedro Marques ou não responde ou a resposta que dá está no plano da indigência”.

Sobre o primeiro desafio lançado a PS, PSD e CDS, sobre a aprovação ou não do orçamento comunitário no Parlamento Europeu (e também lançado ao Governo português para que o vete no Conselho), João Ferreira disse esta tarde que continuava à espera de respostas — e que iria interpretar o silêncio também como resposta. Fica agora à espera de mais uma ronda de respostas, numa campanha em que está apostado em diferenciar-se das outras forças no plano das políticas europeias em vez de nas divergências nacionais.