Morreu este sábado o futebolista espanhol José Antonio Reyes. O antigo jogador de Sevilha, Arsenal, Real Madrid e Atlético Madrid, entre outros clubes espanhóis e um clube chinês (Xinjiang Tianshan Leopard), jogou uma temporada ao serviço do Benfica, a de 2008-2009, quando a equipa de futebol do clube era orientada pelo treinador Quique Flores. Morreu este sábado com 35 anos, num acidente de viação, noticia a Marca. No mesmo acidente morreram também dois primos seus, Jonathan Reyes e Juan Manuel Calderon.

O acidente que vitimou o jogador espanhol ocorreu às 11:40 (10:40 em Lisboa), numa autoestrada entre Sevilha e Utrera, localidade onde nasceu, tendo o carro em que circulava sofrido um despiste, incendiando-se de seguida, de acordo com a agência EFE. Segundo a imprensa espanhola, o carro de alta cilindrada, um Mercedes de 380 cv, seguia em excesso de velocidade.

O antigo extremo espanhol jogava atualmente no Extremadura, que compete na II Liga espanhola. Na sua conta oficial no Twitter, o jornal espanhol Marca escreveu: “A notícia que nunca quisemos dar: morreu o futebolista José Antonio Reyes, ex-jogador do Real Madrid, do Atlético, do Sevilha… esta temporada chegou ao Extremadura para voltar a sentir-se jogador e hoje deixa-nos com 35 anos ao sofrer um acidente de viação. Que descanse em paz”. No dia em que se joga a final da Liga dos Campeões, entre o Tottenham e o Liverpool, a UEFA já anunciou que vai homenagear o atleta com um momento de silêncio antes do início da partida.

Luís Filipe Vieira: “Choque, profunda tristeza e consternação”

Numa nota publicada no site oficial do Benfica, o presidente do clube, Luís Filipe Vieira, lamentou a morte do jogador, em seu nome e em nome do Benfica:

Foi um choque e com profunda tristeza e consternação que tomámos conhecimento do fatídico acidente que vitimou o nosso ex-jogador José Antonio Reyes, um jovem de 35 anos. Em meu nome pessoal e em nome do Sport Lisboa e Benfica apresento as mais sentidas condolências a toda a sua família e amigos, manifestando profunda solidariedade e pesar nesta hora difícil e muito triste. O atleta e homem exemplar ficará para sempre na nossa memória”, escreveu Vieira.

O Sevilha, clube em que Jose Antonio Reyes foi formado e em que despertou para o futebol profissional, já publicou uma mensagem nas redes sociais, lamentando a morte. Também a Liga espanhola lamentou a morte de um dos seus atletas, igualmente nas redes sociais. Na internet, são já muitas as mensagens e fotografias que recordam o percurso do jogador.

A afirmação precoce no Sevilha e a ida para Inglaterra

Canhoto, nascido em Utrera, um município de Sevilha, o jogador andaluz entrou na “cantera” do Sevilha com apenas dez anos. Seis anos depois, com apenas 16, estreou-se pela equipa principal do clube — reconhecido pela qualidade dos seus escalões de formação —, num jogo contra o Real Saragoça. A equipa competia, na altura, na II Liga espanhola, mas acabou por ascender ao primeiro escalão. Reyes ia despontando na equipa, ao mesmo tempo que colecionava internacionalizações ao serviço das seleções jovens de Espanha, nomeadamente sub-16, sub-17 (disputou o Europeu da categoria), sub-19 e sub-21.

O sucesso de Reyes ainda tão jovem no clube andaluz e na liga espanhola despertou atenções, nomeadamente da Premier League. No mercado de inverno da época 2003-2004, quando o futebolista tinha apenas 20 anos, o Arsenal decidiu avançar para a sua contratação, dispendendo nos serviços do atleta um valor de 30 milhões de euros, refere a Marca.

Apesar de um início auspicioso em Inglaterra, com vários golos apontados e um prémio de melhor jogador do mês recebido pelas suas exibições no campeonato no primeiro semestre da época de estreia, Reyes foi perdendo alguma influência na equipa londrina, alegadamente por dificuldades de adaptação ao campeonato britânico. Após as férias e uma pré-temporada feita com os londrinos, na primeira época que começou em Inglaterra (na anterior, tinha chegado a meio da temporada), em 2004/2005, acabou por fazer uma boa temporada, apontando 12 golos com a camisola dos gunners. Na época seguinte, voltou a perder fôlego e fez a sua última época em Inglaterra.

Em 2006, Reyes trocou os ingleses do Arsenal pelos galáticos espanhóis do Real Madrid, a título de empréstimo. Com uma prestação relativamente discreta nos blancos, mas ainda assim com seis golos apontados na época em que lá jogou, Reyes rumou aos rivais do Atlético Madrid. Depois de uma primeira temporada com pouca utilização, face à concorrência de Maxi Rodríguez e do português Simão Sabrosa, Reyes acabou por sair dos “colchoneros” por empréstimo — e para o país vizinho.

O Benfica, a última Premier League do Arsenal e as três Ligas Europas consecutivas

No verão de 2008, o extremo espanhol foi um dos jogadores que o treinador Quique Flores decidiu levar para o Benfica, a par de outros futebolistas com créditos internacionais como Pablo Aimar, David Suazo e Javier Balboa (este vindo do Real Madrid). Em Portugal, ao serviço do clube da Luz a título de empréstimo, disputou 35 jogos, 29 dos quais como titular, e marcou seis golos. Um dos mais importantes foi marcado na final da Taça da Liga, contra o Sporting, após conversão de uma grande penalidade muito polémica devido a uma alegada mão do defesa Pedro Silva, que motivou grande indignação nos adeptos sportinguistas.

O penálti de Reyes deu o empate ao Benfica (1-1) na final, que se manteve até ao final dos 90 minutos. O clube encarnado acabou por vencer a partida e, consequentemente, a competição, nas grandes penalidades. Esse foi, porém, o único título conquistado por Reyes em Portugal. O desempenho da equipa nas restantes competições foi pobre (3º lugar no campeonato, eliminação nos oitavos de final da Taça de Portugal e eliminação na fase de grupos da Liga Europa) e quer Reyes quer o treinador Quique Flores seguiram viagem rumo a outra paragem: Madrid. Reyes voltou ao Atlético logo no início da época, para se afirmar em Espanha. Já Quique foi contratado no decorrer da temporada pelos madrilenos e reencontrou o jogador.

Reyes com a camisola do Benfica, num jogo em que o clube encarnado defrontou o Paços de Ferreira no estádio da Luz, a 15 de fevereiro de 2009 (@ PAULO CORDEIRO/AFP/Getty Images)

“O bom filho a casa torna”, diz o ditado, e pós mais duas épocas e meia em Madrid, Jose Antonio Reyes regressou a Sevilha, para atuar na equipa em que despontou para o futebol. Ficou lá quatro temporadas e meia, sendo regularmente utilizado e apontando 16 golos nesse período. Há cerca três anos — no verão de 2016 —, nova troca de clubes, desta vez o Sevilha (onde começava a perder cada vez mais protagonismo) pelo mais modesto Espanyol de Barcelona. A época (2016-2017) não foi especialmente produtiva e o jogador acabou por sair. Depois de uma experiência no Córdoba, mudou-se durante o ano passado para a China, para atuar no Xinjiang Tianshan Leopard. O Extremadura foi o último clube no qual jogou.

Ao longo da carreira, José Antonio Reyes envergou a camisola da seleção espanhola por 21 vezes, tendo sido internacional entre 2003 e 2006. Ao serviço do seu clube de sempre, o Sevilha, conquistou por três vezes consecutivas a Liga Europa, entre 2013 e 2016, despedindo-se do clube andaluz na sua segunda e última passagem pelo Sevilha com esse troféu. Venceu outras duas vezes esse troféu europeu ao serviço do Atlético Madrid. Reyes conquistou ainda uma segunda divisão espanhola ao serviço do Sevilha, em início de carreira, e uma Premier League, na época 2003-2004, ao serviço do Arsenal, curiosamente a última vencida pelos gunners. Em 2010 conquistou a Supertaça Europeia, que disputou ao serviço do Atlético Madrid, que venceu por 2-0 o Inter de Milão.

José Antonio Reyes despediu-se do Sevilha, clube em que se formou e do qual era à data capitão de equipa, com uma Liga Europa conquistada, a terceira consecutiva — para Reyes e para os andaluzes (@ David Ramos/Getty Images)