Estruturas pressionam Rio: Passistas e críticos indicados para candidatos a deputados

Hugo Soares, Maria Luís Albuquerque, Pinto Luz ou Matos Rosa foram indicados pelas concelhias para as listas de deputados. Apoiantes de Rio dizem que é jogada para passarem por "mártires"

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ANTÓNIO PEDRO SANTOS/LUSA

ANTÓNIO PEDRO SANTOS/LUSA

Quando o presidente do PSD fez aprovar uma espécie de cláusula de lealdade em que os candidatos a deputados tinham de demonstrar “concordância” com as orientações da direção, parecia uma cláusula anti-críticos. Mas isso não impediu as concelhias de indicarem nomes de críticos ou passistas desalinhados com Rio. Pelo país fora, foram vários: Hugo Soares, por unanimidade em Braga, Maria Luís Albuquerque, por unanimidade em Almada, Miguel Pinto Luz, por Cascais, José Matos Rosa, por Vila Franca de Xira, Bruno Vitorino, pelo Barreiro, Miguel Santos, por Valongo, ou Luís Vales, por Marco de Canaveses.

Embora os nomes ainda tenham de ser ratificados pela distritais — em reuniões que têm de ocorrer até à próxima segunda-feira, 1 de julho — à partida devem todos seguir para a nacional numa lista por ordem alfabética. As concelhias são na verdade a primeira estrutura da pirâmide a indicar nomes para as listas à Assembleia da República, mas as indicações são relevantes e — tendo em conta o peso de cada concelhia, da personalidade ou o peso político — muitas vezes tornam-se definitivas. Se alguns destes nomes forem retirados da lista pela nacional ou colocados em lugar não elegível os opositores ganham argumentos para acusar Rio de estar saneá-los. Ou seja: de estar a fazer o que Ferreira Leite fez em 2009 com nomes como Passos Coelho, Miguel Relvas, Feliciano Barreiras Duarte e Pedro Pinto.

Começando por Braga, a concelhia optou por indicar dois homens, embora a nacional tenha pedido a todas as concelhias para indicar um homem e uma mulher. A concelhia entendeu que estatutariamente só tem de indicar duas pessoas, independentemente do género. E transmitiu as indicações à distrital por ordem de preferência. A primeira indicação da concelhia — aprovada por unanimidade e com a presença do presidente da autarquia Ricardo Rio — foi Hugo Soares.

O antigo líder parlamentar, braço-direito de Luís Montenegro e um dos maiores opositores de Rio aceitou a indicação da concelhia a que preside. Assim, a distrital liderada por José Manuel Fernandes (que é apoiante de Rio e não morre de amores por Hugo Soares) vê uma das maiores concelhias a indicar uma persona non grata para a direção. A segunda indicação aprovada pela concelhia foi o vice-presidente do PSD/Braga, João Granja.

Um dirigente apoiante de Rio de uma estrutura do PSD da distrital de Braga critica esta estratégia dos opositores. “O que eles querem é ser mártires, é a brigada dos mártires. Já sabem que não vão ser escolhidos, mas fazem este número para dizerem que foram saneados”. Um apoiante de Rio na distrital de Lisboa tem a mesma opinião: “Querem folclore, querem chatear para dizerem que foram barrados”. Para os críticos de Rio, é apenas “os estatutos e a democracia a funcionarem”.

Mais a sul, em Almada, também se preveem problemas para Rui Rio. O nome da antiga ministra das Finanças de Pedro Passos Coelho, Maria Luís Albuquerque, foi aprovado por unanimidade. E mais: a concelhia não escolheu mais nenhum nome. O distrito de Setúbal optou por indicar apenas um nome por concelhia. O líder da distrital e um dos críticos de Rui Rio, Bruno Vitorino, foi também a indicação da concelhia do Barreiro, onde nas últimas autárquicas foi o candidato a Presidente da Câmara. Quando for negociar com a nacional, Bruno Vitorino terá pelo menos dois nomes críticos a pôr em cima da mesa: o seu e o de Maria Luís.

Mesmo no Porto, distrito que Rio deve encabeçar, houve escolhas de críticos e ou desalinhados. É o caso de Luís Vales, antigo secretário-geral adjunto de Passos, em Marco de Canaveses, de Miguel Santos, antigo coordenador político da campanha de Santana Lopes nas diretas, ou mesmo do antigo líder da JSD, Simão Ribeiro, em Lousada, concelhia a que preside.

Em Lisboa também há várias dores de cabeça. Miguel Pinto Luz, um dos maiores críticos de Rui Rio e vice-presidente da autarquia, é a indicação da concelhia de Cascais. Em Oeiras, o indicado é Ângelo Pereira, que também é desalinhado com a direção. Por fim, o antigo secretário-geral do PSD, José Matos Rosa, — que vive em Lisboa e é de Portalegre — é a indicação da concelhia de Vila Franca de Xira. Apesar de ser de uma concelhia sem grande força no PSD, Matos Rosa salta para a mesa das negociações e é mais um nome “passista” que Pedro Pinto irá levar à negociação com a nacional. A indicação da “jota” pelo distrito, Alexandre Poço, é também a de um ex-apoiante de Santana, mas a JSD terá uma negociação paralela. Além de Poço, a líder, Margarida Balseiro Lopes, pode entrar por Leiria, a sua secretária-geral, Sofia Matos, pelo Porto, e outro vice-presidente, Joaquim José Gonçalves, por Braga.

Na concelhia de Lisboa os problemas foram outros. Luís Newton tomou conta da reunião, impôs a sua lei e o presidente da concelhia, Paulo Ribeiro, acabou por se demitir do cargo e anunciar que irá convocar eleições antecipadas. Entretanto, até já surgiu uma candidata ao lugar: Sofia Vala Rocha assumiu-se como candidata à presidência da concelhia em declarações à Sábado.

Entre as personalidades já escolhidas há também vários nomes que são consensuais e mais “amigos” de Rui Rio. É o caso de Bruno Coimbra no distrito de Aveiro (por Oliveira do Bairro, Mealhada e Albergaria-a-Velha). O mesmo acontece no distrito de Braga com Emídio Guerreiro (indicado por Guimarães, já que André Coelho Lima deve ir como indicação da nacional), Clara Marques Mendes (Fafe) e Jorge Paulo Oliveira (Famalicão).

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