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Análise

Análise Samsung A80 em 4 gifs. Um smartphone estrambólico para selfies

Na busca de um telemóvel com um ecrã sem furos ou saliências a Samsung criou o A80, o smartphone que roda a câmara de trás para ser a da frente. Parece um protótipo, mas cativou-nos.

Desde que, em 2017, os smartphones começaram a ter um ecrã quase completo, um “entalhe” — ou saliência no topo para a câmara frontal — ficou por resolver. Para reduzir este espaço que pode ser ocupado por mais ecrã temos visto de tudo: colunas auricular debaixo do visor; sensores de impressão digital embutidos; ecrãs que se desdobram. Já perceberam a ideia, quanto mais ecrã, melhor. Contudo, enquanto não se arranja maneira de pôr câmara frontal debaixo do visor, há soluções como a deste Samsung A80 com a sua câmara rotativa. É prático? Sim, estranhamente. É o melhor que já vimos? Não, mas não deixa de ser uma solução estrambolicamente cativante.

Samsung A80

A favor

  • Ecrã de canto a canto
  • Qualidade da câmara quando está em modo frontal
  • Design diferente mas apelativo

Contra

  • Não tem entrada para auriculares com fios
  • Coluna para ouvir chamadas debaixo do ecrã tem som baixo
  • É pesado

A nova gama de smartphones A da Samsung mostra por que é que a empresa sul-coreana é ainda a maior fabricante de telemóveis do mundo. Do A10 ao A70 vemos especificações competentes e que não fazem olhar para a concorrência pelo preço pedido. Depois, no topo, está este A80. Resumidamente, é um telemóvel que foi todo desenhado para cumprir um propósito: ter um ecrã completo verdadeiramente de canto a canto. Para isso, tem apenas uma câmara traseira que, ao carregar num botão no ecrã, sobe automaticamente a roda para funcionar como câmara frontal. Os adeptos da privacidade podem rejubilar com esta solução, mas os da resistência e fiabilidade nem tanto.

Mesmo com uma câmara rotativa, o smartphone tem especificações que também justificam um pouco valor de 700 euros, como um ecrã Super AMOLED de 6,7 polegadas, um processador Snapdragon 730 (é bom), memória RAM de 8GB e memória interna de 128GB. A bateria de 3700 miliamperes não é o melhor que já vimos, mas dá perfeitamente para um dia de utilização. Por fim, torcemos o nariz à falta de entrada para auriculares tradicionais e ao peso (220 gramas, pesado para um smartphone). Já o carregamento rápido e a qualidade das três lentes fotográficas, deixaram-nos com vontade de continuar a utilizar este smartphone. É diferente, e só por isso surpreende. Em 4 gifs, deixamos o veredicto.

Uma câmara que roda e diz “ohhh” ao Infinity-O do S10

A característica principal do A80 é esta: uma dupla câmara frontal de 48 megapíxeis com grande angular que também funciona como câmara para selfies. O design do Xiaomi Mi Mix 3, o primeiro smartphone que analisámos aqui no Observador com uma lente oculta, pode ser bem mais prático, mas o som da pequenas engrenagens da câmara a subir quando queremos tirar uma fotografia à jovem millenial ou da geração Z, deslumbraram sempre. Com a gama S10, a Samsung pode ter optado por um furinho no ecrã, mas esta solução permite ter fotografias com grande qualidade para todo o tipo de fotografia.

Como é que pomos uma capa neste smartphone? Nem precisa

Apesar de a câmara rotativa parecer frágil, o A80 é um equipamento robusto. Quando as lentes estão recolhidas, o corpo em metal é robusto e o equipamento é resistente. Mesmo com utilização quotidiana e sem capas, não houve riscos no visor nem na traseira deste smartphone, o que não costuma ser normal nestas análises. Não o tentámos atirar ao chão, mas com um peso de 220 gramas e material escolhido de revestimento vemos que é um equipamento resistente. Contudo, e voltamos a falar da câmara rotativa, este telemóvel parece ter tudo para poder ter problemas. O pó que fica no espaço que se mexe da câmara não nos deixou ficar descansados sobre se a câmara vai continuar a funcionar daqui a um ano.

Nem tudo é perfeito quando há flexibilidade de componentes

Para se ter um grande ecrã completo é preciso fazer cedências. Com o A80 nota-se isso. Tirar uma selfie demora, sempre, pelo menos dois segundos e meio (o tempo para a câmara dar a volta). Por causa deste mecanismo, este é um smartphone volumoso no bolso. Nunca nos aconteceu a câmara ligar sozinha mas, como vemos no GIF, se tentamos recolhê-la em cima de uma mesa, há um erro e é preciso levantar o smartphone.

O que está por debaixo do ecrã devia ser melhor

Em termos de especificações, este smartphone não deixa nada a desejar para o preço pedido. É rápido e tem bastante memória interna e RAM. Contudo, é no hardware que dececiona. Para ter um ecrã Super AMOLED de canto a canto com qualidade excecional, a Samsung optou, como a Huawei fez com o P30 Pro, por pôr a coluna de ouvido debaixo do visor. O problema? A qualidade de som deixa a desejar mesmo quando comparado com um iPhone SE. Nas chamadas, o som é baixo e não tem a melhor qualidade.

Já com o sensor de impressões digitais que está embutido no visor, a mesma desilusão. No S10+, o primeiro smartphone da marca com esta funcionalidade, não tivemos tantos problemas em que reconhecesse os dedos para desbloquear. Relativamente à bateria, para um telemóvel deste peso, já vimos bastante melhor.

Veredicto final. Era mesmo preciso uma câmara rotativa?

Não, mas nem todos os smartphones têm de ser iguais e por isso é que este A80 cativa. É, como dissemos, interessante. Não é por ser estrambólico que deixa de ser um bom smartphone, mas quem o quiser comprar sabe à partida que está a adquirir um smartphone com uma câmara rotativa. Ganha um ecrã fenomenal, mas há coisas que se perdem, como leveza e resistência. E vai sempre soltar o “wow” a tirar uma selfie com alguém.

O preço do A80 podia ser mais em conta (menos 100 euros), mas para um topo de gama com estas especificações mostra que, com a gama A, a Samsung quer ser competitiva. O ponto alto deste A80 é mostrar que a Samsung, ao lançar smartphones com um design que quase parece um protótipo, está a querer inovar numa gama onde já não víamos inovação.

Não queremos ser todos iguais, pois não?

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