Morreu esta sexta-feira aos 84 anos o empresário Alexandre Soares dos Santos, antigo líder do Grupo Jerónimo Martins, confirmou ao Observador fonte próxima da família. Soares dos Santos morreu de cancro no pâncreas. Marcelo Rebelo de Sousa recorda-o como uma “personalidade singular” e o atual presidente da Fundação Francisco Manuel dos Santos, fundada em 2009 por Soares dos Santos, lembra um homem “sem inibições” com quem debatia frequentemente.

Em fevereiro deste ano, Soares dos Santos deu a sua última grande entrevista, ao Observador — pode lê-la aqui ou se preferir pode ouvi-la na íntegra aqui —, e falou abertamente sobre o seu cancro, sublinhando que a morte não o preocupava. “Afeta-me morrer? Não. Com 85 anos morrer de cancro ou morrer da vida, já fiz o que tinha a fazer… Não me vou preocupar com isso.”

Alexandre Soares dos Santos, que era o segundo homem mais rico de Portugal, foi o líder do grupo Jerónimo Martins, dono do Pingo Doce, durante 46 anos. Em 2009, fundou e financiou a Fundação Francisco Manuel dos Santos, que se dedica ao estudo da sociedade portuguesa. Por vontade expressa do próprio empresário, antes de morrer, as cerimónias fúnebres serão reservadas estritamente à família.

Jardim Gonçalves lembra empresário “notável” e homem “estudioso”

O antigo presidente do BCP Jorge Jardim Gonçalves lembrou este sábado, em declarações à Rádio Observador, a generosidade de Alexandre Soares dos Santos, “uma pessoa notável, de família mas sempre de vida e visão empresarial e, mais do que isso, sempre com uma informação sobre o mundo — tinha uma atitude ativa de empresário, mas era um estudioso, uma pessoa de estudo”.

Na última grande entrevista de Soares dos Santos, dada em fevereiro deste ano ao Observador, o empresário elogiava Jardim Gonçalves, a única pessoa que o ajudou depois do “falhanço” das operações do empresário no Brasil. “Quando me espalhei no Brasil, sofremos uma crise financeira muito forte aqui dentro. E a banca deu-me uma grande sopa. Exceto a única pessoa que eu não conhecia, o engenheiro Jardim Gonçalves. Percebeu o que tínhamos feito, percebeu os erros que fizemos, percebeu os erros que corrigimos e percebeu o plano que lhe fui apresentar. E virou-se para mim e disse: ‘Nunca lhe irá faltar dinheiro’. E nunca faltou. E eu recuperei. Era um banqueiro”, disse Soares dos Santos.

“O senhor Soares dos Santos era muito generoso quando se referia a mim”, lembra hoje Jardim Gonçalves. “Achei tão natural que as coisas do Brasil não corressem bem”, acrescenta, sublinhando que não era habitual que empresas portuguesas “tivessem grande sucesso no Brasil, sobretudo em áreas de retalho, de pessoa a pessoa”, porque “o Brasil é muito América”. “Achei tão natural, não havia aí um erro pessoal ou empresarial. Havia que virar a página. Ele personalizava, generosamente, mas foi a instituição [o BCP]”, diz.

Jardim Gonçalves afirma que “só mais tarde, já com muita coisa feita, é que o país percebeu a importância de Soares dos Santos”. E destaca a relevância da Fundação Francisco Manuel dos Santos, “que deu um contributo enorme” ao país, apresentando dados e números sobre a sociedade portuguesa. “Ele fez muita coisa a muita gente e sobretudo ao país”, resume. “Vou ter imensas saudades dele.”

Jaime Gama recorda o conversador “sem inibições” com quem “dava gosto trocar opiniões”

O atual presidente da Fundação Francisco Manuel dos Santos, Jaime Gama, lembrou em declarações à Rádio Observador o fundador da fundação como um homem com quem “dava gosto trocar opiniões” e que “inspirava” aqueles com quem conversava.

O debate era, aliás, uma das qualidades fundamentais de Soares dos Santos para Jaime Gama. “Gostava sempre de colocar em questão as coisas, de as problematizar, de debater. Não tinha inibições em relação aos debates que fazia, era um conservador heterodoxo.”

Uma conversa com Soares dos Santos era “sempre um debate imprevisto, não formatado a ideias prévias, sempre sem uma conclusão definida à partida, um debate sem exclusões, plural, livre e independente”.

Além disso, era “um empresário em busca de um aperfeiçoamento nas organizações que liderava” e que “fez um grupo muito grande com o seu trabalho, a sua persistência, a sua visão”.

Jaime Gama lembrou também o contributo de Soares dos Santos com a Fundação Francisco Manuel dos Santos, particularmente com o PORDATA, “que é o nosso instrumento de diagnóstico da realidade do terreno demográfico, económico e social”.

“É muito útil, é aquilo que se chama um intermediário entre as séries de dados brutos e a inteligibilidade que é necessária para que um estudante, investigador, imprensa, compreendam aquelas séries de forma rigorosa mas também acessível e através disso problematizem as questões do país”, disse Jaime Gama.

Alexandre Soares dos Santos viveu “em busca de oportunidades de novos negócios”, mas sempre “com sensibilidade para a área social”. “Criou algumas fundações, cuja função é promover um debate de ideias com liberdade, com independência, obter dados objetivos e através deles proporcionar uma cultura crítica no país.”

Artur Santos Silva: Soares dos Santos permitiu a “todos os portugueses terem uma opinião sobre os problemas da sociedade”

O antigo presidente da Fundação Calouste Gulbenkian, Artur Santos Silva, falou à Rádio Observador para destacar a “iniciativa muito importante” que representou a criação da Fundação Francisco Manuel dos Santos. “Assumiu um espaço muito importante de oferecer aos portugueses e a todo o tipo de pessoas, pensando sobretudo nas pessoas com formação mais limitada, para lhes proporcionar informação sobre todos os problemas da nossa sociedade.”

“A FFMS contribuiu de forma valiosíssima para que o tratamento da informação chegasse a todos os portugueses e ajudasse todos os portugueses a terem uma opinião sobre os problemas da sociedade no nosso tempo”, assinalou Santos Silva.

“O pais perdeu um notável empresário, que realizou uma obra impressionante, não só pelo que fez no país, entrando numa área nova com o grupo Jerónimo Martins, que era um grupo assente numa atividade industrial diversificada em associação com a Unilever”, mas também por ter criado “uma rede em Portugal muito forte e muito bem sucedida”.

Santos Silva destacou ainda que é de Soares dos Santos a responsabilidade pelo “maior sucesso em termos de internacionalização em termos do investimento português no mundo”. “Assumiu riscos coroados de grande êxito, como é o caso da Polónia”, disse Santos Silva.

Herman José: Soares dos Santos era “um ser humano muito especial”

O humorista Herman José recordou à Rádio Observador as festas de aniversário de casamento que protagonizou para Alexandre Soares dos Santos, que considera ter sido “um homem maior”.

“Tive a felicidade de conhecer muito bem o Alexandre Soares dos Santos. Numa primeira fase fui atuar nos 50 anos de casados dele e da mulher. São um casal encantador e de amantes da Broadway. Fiz uma coisa muito gira, fiz a revisão dos anos todos de vida deles de casados, através das músicas mais conhecidas da Broadway desse ano. Dez anos depois, tenho a felicidade de atuar para ele e para a família, nos seus 60 anos de casados”, disse Herman José.

“Isto para dizer que este convívio foi pretexto para o conhecer melhor, para ganhar a noção de que se tratava de um ser humano muito especial, que eu tenho pena de que Portugal não tenha mais pessoas estão mais interessadas em pôr as suas empresas e a sua riqueza ao serviço da criação da emprego do que propriamente a fecharem-se em patuscadas e em apartamentos do estrangeiro a gozar a vida de outra maneira. São sempre homens que nos inspiram e que são maravilhosos exemplos. Pegar na vida e torná-la em qualquer coisa de útil”, acrescentou.

“A última vez que o vi foi no Gambrinus, eu estava a almoçar. Ele já estava doente, confessou-me que estava numa fase já muito complicada. Ficou prometido um almoço, que acabámos por não fazer, com muita pena minha. Fica-me na memória aquilo que eu considero um homem maior”, rematou o humorista.

Horta Osório: “Aliou sucesso empresarial a vontade de contribuir para o desenvolvimento do País”

O banqueiro António Horta Osório, que é administrador não executivo da Sociedade Francisco Manuel dos Santos, a holding da família, lembra Alexandre Soares dos Santos como um empresário com “uma visão estratégica e sentido de responsabilidade notáveis na maneira como conduziu os negócios da sua família ao longo dos últimos 50 anos”.

“Sempre com enorme foco na constituição e desenvolvimento de bons quadros tornou o seu grupo líder na distribuição em Portugal e na Polónia”, afirma Horta Osório, em declarações escritas enviadas ao Observador. O antigo presidente da Jerónimo Martins “aliou este sucesso empresarial a uma forte vontade de contribuir para o desenvolvimento do país através das fundações que criou”, acrescenta o banqueiro.

Outro elemento destacado por Horta Osório é que Alexandre Soares dos Santos, “possuindo um enorme sentido de família, soube preservar a unidade e controlo familiar do grupo, em simultâneo com o profissionalismo das respetivas administrações e equipas de gestão”.

“Foi uma enorme honra e privilégio ter podido privar com ele e a sua família em maior profundidade nos últimos nove anos e ter podido contar com os seus conselhos e amizade”, remata António Horta Osório.

Marcelo recorda “personalidade singular”

O Presidente da República foi o primeiro a reagir publicamente à morte de Soares dos Santos, divulgando a mensagem de condolências que enviou à família do empresário português.

“O Presidente da República evoca a personalidade singular de Alexandre Soares dos Santos e o seu relevante papel na vida económica, social e cultural portuguesa, e, pessoalmente consternado, apresenta à Família muito sentidas condolências”, lê-se na nota.

Cavaco Silva: “A visão estratégica de Alexandre Soares dos Santos fará muita falta”

O ex-Presidente da República Cavaco Silva afirmou este sábado que “a visão estratégica de Alexandre Soares dos Santos fará muita falta” e que, com a sua morte, se “perde uma das vozes mais conscientes das fragilidades e capacidades” de Portugal.

“Com a morte de Alexandre Soares dos Santos, Portugal perde a sua ímpar capacidade de liderança empresarial, mas perde simultaneamente uma das vozes mais conscientes das fragilidades e das capacidades do país, sempre acutilante e desassombrado na sua análise. A sua visão estratégica fará muita falta”, afirma Aníbal Cavaco Silva, numa declaração escrita enviada à Lusa.

Para o ex-Presidente da República, “Soares dos Santos soube dar um impulso extraordinário ao grupo empresarial da sua família, mas manteve em cada momento a vontade de contribuir para o bem comum, a igualdade de oportunidades, a justiça social e o progresso do nosso país”.

“A Fundação Francisco Manuel dos Santos, fruto da sua reflexão sobre as nossas necessidades coletivas, aquilo que somos e os passos que devemos dar para sermos melhores, é um testemunho vivo da sua generosidade e da sua liderança”, acrescenta Cavaco Silva, apresentando “sentidas condolências” à família do empresário e “a todos os colaboradores do grupo empresarial”.

Álvaro Santos Pereira: Soares dos Santos foi “uma das grandes figuras da vida pública portuguesa”

O ex-ministro da Economia Álvaro Santos Pereira, atual diretor do departamento de estudos sobre países da OCDE, descreveu à Rádio Observador o empresário como “uma das grandes figuras nacionais, não só no mundo empresarial, mas também na vida pública portuguesa das últimas décadas”.

“Penso que foi um empresário e um empreendedor notável. Soube ultrapassar as dificuldades. O grupo que ele liderou durante bastante tempo teve bastantes dificuldades às vezes, soube reinventar o negócio, soube apostar e soube redirecionar os negócios deles para as áreas em que eles achavam que podiam ser os melhores. Além do grande sucesso empresarial, Alexandre Soares dos Santos fundou e tomou a iniciativa a nível da Fundação Francisco Manuel dos Santos, que é um dos think-tanks mais importantes que temos no país, e fê-lo por uma questão de responsabilidade social”, disse Santos Pereira.

“Mais que para a economia portuguesa, era para a sociedade portuguesa. Era um grande homem. Não é só um grande empresário, não é só um grande empreendedor, foi um grande senhor. Isso é o mais importante. A vida é assim, infelizmente, os melhores também os perdemos, mas é importante enaltecer não só a parte do trabalho empresarial, que foi notável, do percurso de Alexandre Soares dos Santos, mas também a sua obra, a obra social que ele deixou”, disse o ex-ministro.

“Por outro lado, outra área de que não se fala muito, acho que o que o grupo fez a nível económico também noutros países, não só na Polónia mas também na Colômbia, são obras e projetos absolutamente notáveis”, acrescentou o ex-ministro, lembrando que esteve presente na inauguração da primeira loja na Colômbia. “É uma das áreas mais incríveis que eu vi em toda a minha vida a nível de progressão de um grupo económico português fora do país, e que mostra bem o cuidado e quão empreendedor o grupo é, em grande parte graças à liderança de Alexandre Soares dos Santos.”

Nuno Crato: Soares dos Santos “vivia para o futuro, impacientava-se pelo futuro”

O ex-ministro da Educação Nuno Crato recorda que conheceu Alexandre Soares dos Santos “tarde na vida, num momento e numa época em que já é difícil fazer novas amizades”. Foi durante os trabalhos preparatórios da Fundação Francisco Manuel dos Santos que Nuno Crato fez esse “grande novo amigo”.

“Era um homem que sabia, como poucos, aliar uma estimulante frontalidade de opiniões a uma cordialidade que resultava da sua franqueza”, diz Nuno Crato, acrescentando que Soares dos Santos se “interessava pelo futuro, vivia para o futuro, impacientava-se pelo futuro”.

Trabalhar com ele era sempre trabalhar com alguém que quer fazer as coisas acontecerem, que desespera com a inércia e com a conversa frouxa, e que se orgulha e se regozija com o trabalho dos outros.”

O ex-ministro da Educação diz que o ex-presidente da Jerónimo Martins “vai-nos fazer falta. Mas deixou-nos muito. Para além de grandes empresas que geram riqueza e que empregam muitos e muitos milhares de pessoas, Alexandre deixou-nos a grande Fundação Francisco Manuel dos Santos, a Fundação Oceano Azul e um grande entusiasmo por iniciativas de educação e qualificação real dos jovens”.

Tiago Pitta e Cunha: “Era um homem maior que a vida”

O presidente da Fundação Oceano Azul, Tiago Pitta e Cunha, lembrou em declarações à Rádio Observador um “homem maior que a vida, uma daquelas forças da natureza que verdadeiramente conseguem impulsionar o rumo dos acontecimentos”.

A Sociedade Francisco Manuel dos Santos, holding da família de Soares dos Santos, tem desde 2015 a concessão do Oceanário de Lisboa, através da Fundação Oceano Azul.

Pitta e Cunha, presidente desta fundação, disse que a aposta na sustentabilidade e no estudo do planeta e dos oceanos foi “o último legado de Alexandre Soares dos Santos”.

“Esta visão é algo que está presente num homem que nos últimos anos da sua vida pensava a longo prazo”, destacou o responsável, lembrando uma “pessoa absolutamente excecional e ímpar”.

Soares dos Santos tinha uma “grande proximidade, uma grande humanidade, uma enorme atenção a se os seus colaboradores estavam bem”, e a sua visão “ultrapassava os negócios do grupo”.

Eduardo Marçal Grilo: “Era um grande patriota, um grande empresário”

O ex-ministro da Educação Eduardo Marçal Grilo, que atualmente faz parte do Conselho de Curadores da Fundação Francisco Manuel dos Santos, lembrou à RTP3 a “preocupação” de Soares dos Santos pelo “interesse do país, das pessoas, sobretudo pela educação das pessoas, por aquilo que as pessoas podem ser valorizadas, como podem ser uma mais valia, não em termos económicos, mas como seres humanos”.

“Era um grande português, foi um grande patriota, um grande empresário e um grande filantropo”, que teve uma “capacidade enorme para entender aquilo que era necessário fazer, que era mais urgente, mais importante”. “O país perde muito com o desaparecimento do senhor Alexandre Soares dos Santos”, afirmou.

Marçal Grilo destacou ainda o “contributo inestimável” da Fundação Francisco Manuel dos Santos para um “conhecimento profundo e sério do país”. Entre as principais iniciativas da Fundação está o PORDATA, portal de estatísticas sobre o país.

Ministro da Economia diz que se “perdeu um grande líder empresarial”

“Com a morte de Alexandre Soares dos Santos, perdeu-se um grande líder empresarial, com um perfil multifacetado e um percurso incontornável na história recente de Portugal. Ao longo dos anos, transformou uma empresa familiar num dos maiores grupos empresariais portugueses, apostando sempre na formação de quadros, nas parcerias empresariais, na inovação e na internacionalização como suportes de uma estratégia de crescimento sustentado”, referiu Pedro Siza Vieira, numa nota enviada às redações já de madrugada.

Alexandre Soares dos Santos, disse ainda o ministro da Economia, contribuiu “para o desenvolvimento da economia nacional”, mas também “deu um contributo, raro entre nós, para o estudo e conhecimento da sociedade e das instituições portuguesas”, através da Fundação Manuel Soares dos Santos.

“Nesta hora de profunda tristeza e pesar, endereço a Pedro Soares dos Santos e a toda a sua família os meus mais sinceros pêsames, na certeza de que a obra de Alexandre Soares dos Santos e a sua memória serão sempre recordadas”, concluiu o governante.

Rui Nabeiro: “Éramos amigos, e era meu cliente. Ele pensava sempre no amanhã”

O presidente do Grupo Nabeiro, Rui Nabeiro, disse este sábado sentir-se “muito triste” com a morte do empresário Alexandre Soares dos Santos, um empresário que tinha a ambição de “prestar serviço à comunidade”. O comendador afirmou à Lusa que “é com muita tristeza que se vê desaparecer um grande homem, grande empresário. É um momento de reflexão”.

“Eu conhecia-o bem, éramos amigos, e era meu cliente. Havia muita consideração de parte a parte. Sinto muita tristeza. É o caminho de todos, é certo, mas há homens, que, dada a sua atitude, deveriam permanecer mais tempo entre nós”, comentou. Para Rui Nabeiro, o antigo presidente da Jerónimo Martins “é quase um caso único, no trabalho de retalho e de representação muito digno. Um homem com força, vontade e capacidade”.

“Ele pensava sempre no amanhã, e em querer fazer melhor e mais, não por uma ambição apenas de querer ter, mas de prestar serviço à comunidade”, acrescentou, sobre o empresário que morreu na sexta-feira.

Bruno Bobone: “Defendeu sempre uma política de salários dignos”

“Alexandre Soares dos Santos foi e será sempre uma das maiores referências do empresariado nacional”, diz Bruno Bobone,  Presidente da Câmara de Comércio e Indústria Portuguesa, num depoimento escrito enviado ao Observador. “Defensor incontornável da iniciativa privada e da ética nos negócios, o seu percurso brilhante à frente da Jerónimo Martins fica marcado pela enorme criação de valor para o país e pelo sucesso nos processos de internacionalização para a Polónia e Colômbia, onde demonstrou a capacidade dos portugueses de conquistarem novos mercados e superarem a concorrência.”

“Por outro lado, perdemos um Homem com uma visão estratégica única que defendeu sempre uma política de salários dignos como factor de motivação, produtividade e reconhecimento do mérito. Nos últimos anos dedicou-se ao mecenato, deixando uma obra extraordinária para Portugal e para os portugueses, através das várias fundações que criou”, acrescenta Bruno Bobone no texto.

“O seu legado será certamente perpetuado pela sua família e pelos seus colaboradores, que inspirados pelos seu percurso serão capazes de prosseguir a sua missão”, vaticina o Presidente da Câmara de Comércio e Indústria Portuguesa. “Esta é uma enorme perda para Portugal, mas o exemplo que nos deixa Alexandre Soares dos Santos deve motivar-nos para construirmos um país melhor.”

APED destaca “contributo decisivo para modernização” do setor

A Associação Portuguesa de Empresas de Distribuição (APED) destacou que Alexandre Soares dos Santos, que morreu na sexta-feira, aos 84 anos, teve “um contributo decisivo para a modernização do setor” e da “atividade empresarial” nacional. Para a APED, Soares dos Santos deixou um “legado que vai além das empresas”.

“Personalidade incontornável na distribuição em Portugal, teve um contributo decisivo para a modernização não só do setor, mas também da atividade empresarial no nosso país”, assinala a APED, numa nota de imprensa a propósito da morte de Alexandre Soares dos Santos.

A associação recorda ainda o empresário como um “cidadão socialmente empenhado”, que deixa “um legado que vai além das empresas, como provam as diversas iniciativas que lançou para mobilizar a sociedade civil”.

“A APED presta, assim, homenagem a uma figura de relevo, independente e frontal, com um percurso empresarial e de cidadania estimulante que serve de exemplo para todos em Portugal”, acrescenta, manifestando “pesar pelo falecimento de Alexandre Soares dos Santos” e apresentando “as mais sentidas condolências à sua família”.

O percurso de Alexandre Soares dos Santos

Alexandre Soares dos Santos nasceu no Porto, em 1934. Frequentou o curso de Direito na Faculdade de Direito de Lisboa, que abandonou em 1957, para iniciar a sua carreira profissional, após um convite da multinacional Unilever. Nesta empresa passou por várias delegações e filiais no estrangeiro.

Em 1968, regressou a Portugal para assumir a liderança da Jerónimo Martins, que pelas suas mãos passou de uma empresa de pequena dimensão a um dos maiores grupos empresariais portugueses.

O empresário ampliou os negócios e fez crescer a empresa da família, lançou a marca Pingo Doce, colocou o grupo em Bolsa e expandiu-o internacionalmente, em 1995, para o Brasil e Polónia.

Em 2009, criou a Fundação Francisco Manuel dos Santos, que gere o portal “Pordata”, Base de Dados do Portugal Contemporâneo, e lançou uma coleção de livros de ensaio, a preços reduzidos, sobre temas da atualidade.

Em 18 de dezembro de 2013, Alexandre Soares dos Santos foi substituído no cargo pelo filho, Pedro Soares dos Santos.

O empresário foi condecorado, em abril de 2017, pelo Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, com a Grã-Cruz da Ordem do Mérito Empresarial, tendo o chefe de Estado destacado o seu lado de “responsabilidade social” e o papel como servidor da comunidade.