O PS, o PSD e o CDS mostraram-se, esta quinta-feira, de acordo quanto à rejeição dos cortes impostos por Bruxelas na Política Agrícola Comum (PAC) pós 2020, exigindo, no mínimo, a manutenção do anterior orçamento.

O secretário de Estado da Agricultura e da Alimentação, Luís Medeiros Vieira, o deputado do PSD António Lima Costa e a deputada do CDS Patrícia Fonseca participaram hoje, em Lisboa, no debate “A Agricultura e as Legislativas de 2019”, organizado pela Confederação dos Agricultores de Portugal (CAP).

“O CDS defende que a proposta não é do interesse de Portugal. Há um corte de 15% no segundo pilar e o pacote já não chegava para as necessidades de investimento do setor”, defendeu Patrícia Fonseca.

Para a representante do CDS-PP no debate, o Governo português deverá assim fazer um maior esforço para conseguir o reforço do pacote financeiro.

Por sua vez, o secretário de Estado da Agricultura e Alimentação lembrou que nem sempre a proposta “é aquela que gostaríamos de ter”, sublinhando que o corte no orçamento da PAC ronda os 3%.

“Desde o princípio que estivemos contra. A posição de Portugal é a manutenção do orçamento. Há uma redução de 15% no segundo pilar, igual em todos os estados membros, mas faz-se sentir mais em Portugal onde o valor é 50% para o primeiro pilar e 50% para o segundo. Já foi possível haver um aumento no primeiro pilar em relação ao pacote inicial previsto, mas mantém-se o corte no segundo pilar”, afirmou Luís Medeiros Vieira, em representação do Partido Socialista.

Opinião semelhante foi defendida pelo deputado António Lima Costa, que vincou ser “vital” para o PSD que se mantenha, pelo menos, o mesmo envelope financeiro que o anterior Governo tinha conseguido, apesar de, “infelizmente, o panorama não ser animador”.

Para Lima Costa, Portugal precisa assim de investimento na agricultura “como de pão para a boca”, notando que o corte para Portugal vai equivaler “ao dobro do corte previsto para a média europeia”.

Durante a sessão, o presidente da Confederação dos Agricultores de Portugal (CAP) defendeu que a agricultura está “pouco presente” na agenda política, apesar de ser um setor que trabalha todos os dias para gerar riqueza para o país.

A Comissão Europeia propôs, em 1 de junho de 2018, uma verba de cerca de 7,6 mil milhões de euros no Quadro Financeiro Plurianual (QFP) 2021-2027, a preços correntes, abaixo dos 8,1 mil milhões do orçamento anterior, com uma ligeira subida nos pagamentos diretos e cortes no desenvolvimento rural.