Aviões russos realizaram esta terça-feira dois ataques contra grupos jihadistas no noroeste da Síria, os primeiros bombardeamentos aéreos na região desde que Moscovo anunciou um cessar-fogo há dez dias, indicou o Observatório Sírio dos Direitos Humanos (OSDH).

Segundo aquela organização não-governamental (ONG), um civil foi morto num ataque do regime sírio numa vila do sul da província de Idlib, região dominada pelo grupo jihadista Hayat Tahrir al-Sham (HTS, grupo controlado pelo ex-braço sírio da Al-Qaida).

Esta província e áreas adjacentes foram alvo desde 31 de agosto de um frágil cessar-fogo anunciado por Moscovo, após quatro meses de bombardeamentos do regime e do seu aliado russo que mataram mais de 960 civis, referiu o OSDH.

Os ataques aéreos foram suspensos desde então, embora no solo o cessar-fogo fosse regularmente violado por tiros de artilharia.

“Aviões russos realizaram dois ataques a posições de grupos jihadistas na região de Kabani, no nordeste da província de Latakia, nos limites da província de Idlib”, explicou o diretor do OSDH, Rami Abdel Rahmane.

A área visada abriga vários grupos jihadistas, incluindo o HTS e o Partido Islâmico do Turquestão, de acordo com o OSDH.

Rami Abdel Rahmane não foi capaz de especificar se isso significava “o fim da trégua em vigor” ou se tratava de ataques pontuais.

No final de abril, o regime do Presidente sírio, Bashar al-Assad, apoiado pela aviação de Moscovo, intensificou os bombardeamentos na província de Idlib e áreas circundantes nas províncias de Hama, Latakia e Aleppo, dominadas pelo HTS.

Em 8 de agosto, as forças do Presidente al-Assad lançaram uma ofensiva terrestre e recuperaram várias localidades, muitas vezes sem habitantes que fugiram da violência.

O diário pró-regime al-Watan alertou recentemente que o cessar-fogo de 31 de agosto deveria durar apenas oito dias, com o objetivo de dar aos j a oportunidade de abandonar áreas do sul de Idlib, onde passa uma estrada estratégica que liga a capital Damasco à grande cidade do norte de Alepo.

Desencadeada em 2011 pela repressão de manifestações pró-democracia, a guerra na Síria provocou mais de 370.000 mortes e milhões de deslocados e refugiados.