Existe uma palavra que normalmente é utilizada para descrever Fernando Santos. Moderação. Em Paris, com Portugal à beira de se tornar campeão europeu pela primeira vez na história, o selecionador nacional foi moderado e ia pedindo a Cristiano Ronaldo que parasse de saltar porque o apito final ainda não tinha soado. Depois de vitórias, conquistas, goleadas, o selecionador nacional relativizou sempre e apontou aspetos a melhorar. Na caminhada para a fase final de um Europeu onde Portugal vai aparecer, ao que tudo indica, enquanto campeão em título, o selecionador nacional lembrou sempre que a Sérvia é poderosa, que a Ucrânia é matreira, que o Luxemburgo é perigoso. Até esta terça-feira, em Vilnius.

Depois da goleada imposta pela Seleção Nacional à Lituânia, onde Cristiano Ronaldo marcou quatro golos e William Carvalho ainda encerrou as contas (1-5), Fernando Santos tinha a explicação para o jogo totalmente clara. “Ganhámos porque somos e fomos melhores. São três pontos muito importantes mas temos mais quatro finais para ganhar. Só assim vamos conseguir chegar ao final no primeiro lugar”, explicou o treinador, que repetiu fomos melhores mais do que uma vez e estava totalmente seguro da qualidade da equipa que orienta. Mas o repentino ato de confiança de Fernando Santos durou pouco tempo e depressa o selecionador regressou à moderação, à relativização e ao sublinhar dos pontos menos positivos. “Não estivemos bem em termos de organização e isso é culpa minha. Deixámos o jogo partir, que era o que eles queriam, para baterem a bola na frente. Criaram-nos problemas assim. Se tivéssemos feito na primeira parte o que fizemos na segunda tudo teria sido mais diferente”, garantiu o selecionador, que levou Portugal a tornar-se a seleção europeia com mais jogos seguidos sem perder (12).

Sobre Cristiano Ronaldo, que Fernando Santos considera o único jogador “indiscutível” na Seleção Nacional, o treinador voltou a ser bastante sintético e disse aquilo que, nesta altura, está na cabeça de praticamente todos os portugueses. “É o melhor do mundo. Isto foi a prova clara e inequívoca de que é o melhor do mundo”, atirou o selecionador, que acrescentou ainda que a seleção portuguesa tem “quatro finais pela frente” e “capacidade” para chegar ao Europeu. Já o “melhor do mundo”, que voltou a marcar quatro golos por Portugal e leva 93 desde que a primeira internacionalização, só tem um pedido.

“É como digo sempre: não vivo o futebol a pensar nos prémios individuais. Obviamente que são uma consequência do que ganho coletivamente mas o importante era ajudar a Seleção. Fiz um golo na Sérvia e quatro hoje [terça-feira] e o que mais quero é continuar assim”, explicou o capitão da seleção portuguesa, que reconheceu estar a atravessar “um bom momento”. “É um orgulho representar a Seleção. Estamos a passar um bom momento, eu estou a passar por um bom momento. A equipa esteve bem e é desfrutar deste momento, não só por marcar os golos mas pelo nível da equipa nos últimos anos. Estou muito feliz por isso. O mais difícil foi feito, era ganhar na Sérvia e hoje [terça-feira]. Estamos mais perto. Os próximos dois jogos são contra o Luxemburgo em casa e depois Ucrânia. Se ganharmos um, acho que é suficiente”, defendeu Ronaldo. Contas feitas, Portugal reforçou o segundo lugar do Grupo B e está em boa posição para chegar ao primeiro lugar, atualmente ocupado pela Ucrânia, que tem mais um jogo.