Cristiano Ronaldo será sempre aquele jogador que, na altura de abordar as possibilidades de ganhar qualquer prémio individual, recorda aquilo que conquistou em termos coletivos – e foi isso que aconteceu na antecâmara da entrega do galardão do Melhor Jogador do Ano na UEFA, que viria a ser atribuído ao central Van Dijk. No entanto, esses títulos existem muitas vezes graças às façanhas individuais que no final fazem toda a diferença e que nem a idade consegue ser capaz de travar. Esta noite, em Vilnius, o avançado de 34 anos mostrou que a data de nascimento é um adversário tão contornável como aqueles que tem encontrado ao longo de mais de uma década e meia. E é dessa forma que o sonho impossível se torna cada vez mais real.

Com o póquer apontado frente à Lituânia, Ronaldo tornou-se o primeiro jogador português a marcar quatro golos em mais do que um jogo, repetindo aquilo que já tinha conseguido frente a Andorra em 2016 e superando os registos que tinham sido alcançados antes por outros três avançados da Seleção num passado mais longínquo e recente: Eusébio, Pauleta e Nuno Gomes.

Com o 5-1 desta noite, Portugal ultrapassou também a fasquia dos 200 golos em fases de qualificação para o Europeu (tendo agora 204) e, como não poderia deixar de ser, a presença do número 7 neste ranking é incontornável: além de ter feito o 200.º remate certeiro, Ronaldo reforçou o estatuto de melhor marcador nacional com mais do dobro do segundo neste particular, o antigo avançado e agora diretor de Federação Portuguesa de Futebol, João Vieira Pinto (12).

Em paralelo, e em termos de golos em fases de qualificação para o Campeonato da Europa, o capitão de Portugal alcançou outro recorde, superando os 23 golos do irlandês Robbie Keane e passando a somar um total de 25 numa tabela onde estão também outros nomes como o turco Hakan Sukur (20), o sueco Zlatan Ibrahimovic (19) ou o dinamarquês Tomasson (19).

Assim, o capitão da Seleção Nacional passou a somar um total de 93 golos por Portugal, ficando “apenas” a 16 golos de Ali Daei, ex-avançado iraniano que tem o recorde de golos apontados por uma seleção. E aquilo que parecia um registo impossível começa a ganhar contornos de alcançável, sobretudo fazendo as contas à média de dois golos por jogo do avançado nos últimos quatro encontros realizados. De referir que, até ao final do ano civil, Portugal terá ainda um duplo compromisso com a equipa do Luxemburgo, além da viagem à atual líder Ucrânia e da receção à Lituânia.