Não é das frases mais comuns de se ouvir, mas na Alemanha chegou mesmo à Justiça: um tribunal de Frankfurt decidiu, como argumento contra uma marca de bebidas “anti-ressaca”, que as ressacas devem ser consideradas uma doença, uma vez que também elas são “mudanças pequenas ou temporárias do estado normal de atividade do corpo”. Isto porque, de acordo com o tribunal, é proibido que qualquer produto alimentar seja publicitado como cura para doenças.

Segundo o documento do tribunal, citado pela pela DW, radiotelevisão pública alemã, “a informação sobre um produto alimentar não pode atribuir propriedades de prevenir, tratar ou curar uma doença humana ou dar a impressão de tal propriedade”. Nesta regra, acrescenta a justiça alemã, estão também incluídas empresas que vendem produtos como sendo curas para sintomas como o cansaço, náuseas ou dores de cabeça. Ou seja, produtos que também dizem eliminar sintomas associados a ressacas.

A regra foi criada dias antes do início de um dos maiores festivais de cerveja do mundo, o Oktoberfest, que se realiza entre 21 de setembro e 6 de outubro, na Alemanha, e surgiu depois de serem feitas reclamações de que uma empresa de bebidas anti-ressaca estava ilegalmente a dizer que vendia shots e outros produtos que tinham como objetivo curar os efeitos do álcool.

Porque é que sofre tanto com uma ressaca?

O The New York Times cita ainda um estudo publicado em fevereiro no American Journal of Clinical Nutrition, na Alemanha, que indica que as ressacas são um conjunto de “sintomas físicos e mentais desagradáveis que ocorrem quando elevadas concentrações de álcool no sangue voltam ao zero”. O estudo acrescenta que não existem “remédios médicos eficazes” para curar os sintomas da ressaca, sendo também citados alguns mitos populares sobre a sua prevenção que nunca foram cientificamente comprovados, como “cerveja antes do vinho”.

Nem pera coreana nem água: a ressaca não se cura, aguenta-se