O último ano e meio de Gareth Bale tem sido uma autêntica montanha-russa. Depois de no ano passado ver Zidane, um treinador com quem mantinha uma ligação longe do desejável, sair do Real Madrid; depois de no verão passado ver Cristiano Ronaldo, que o ofuscou durante várias temporadas, sair do Real Madrid; depois de ter a saída quase certa e carimbada em agosto, já com Zidane de regresso ao comando técnico; depois de ter ficado no Real Madrid contra todas as expectativas — Bale parece agora estar novamente a querer abrir a porta e deixar o Santiago Bernabéu para trás. 

Segundo a edição desta terça-feira do jornal Marca, o avançado galês solicitou ao agente — Jonathan Barnett, considerado na semana passada o empresário de futebol mais influente do mundo — uma saída já no próximo mês de janeiro, durante o mercado de inverno. Sendo complexa a ida de Bale para qualquer outro clube europeu, face aos 17 milhões de euros anuais que o jogador aufere no Real Madrid e à irregularidade provocada pelas lesões, o caminho do avançado parece passar novamente por uma ida para a China, uma solução que já tinha estado em cima da mesa durante o verão. Nesta altura, o destino mais provável parece ser o Shanghai Shenhua, que já em julho tinha tentado a contratação de Bale e que oferece ao jogador um salário anual de 25 milhões de euros.

Sem confirmação oficial por parte do Real Madrid, de Bale ou do empresário do jogador, coube a Zidane reagir às notícias que dão conta da saída do galês. Durante a conferência de imprensa de antevisão do jogo desta quarta-feira com o Leganés, o técnico francês comentou não só uma eventual ida do avançado para a China como também o alegado motivo: segundo o jornal Marca, Bale considerou que ter sido excluído dos convocados do encontro da Liga dos Campeões com o Club Brugge foi um “castigo” de Zidane (o treinador garantiu que a exclusão se deveu a uma lesão) e acredita que o clube não lhe atribui o valor devido. “Nós temos uma boa valorização dele. É um jogador que está aqui, que se esforça e que quando não está é só porque se passa alguma coisa com ele e ponto. Se está aqui é porque tem alegria de estar aqui. O importante é que quando está a 100% sabemos o jogador que é e ele está concentrado em jogar bem para a equipa”, garantiu Zidane em resposta aos jornalistas.

A frase relativa à “alegria” do jogador parece ter sido, ainda assim, uma alusão direta à entrevista que Bale deu esta semana ao Telegraph — e que voltou a motivar inúmeras críticas por parte dos adeptos do Real Madrid que em nada estão relacionadas com a prestação do jogador dentro do relvado. Em conversa com o jornal inglês, o avançado revelou que vive “numa bolha”, afastado das notícias, que só se preocupa com o Brexit do ponto de vista financeiro e que nem sequer sabe quem é o atual primeiro-ministro britânico. “Só olho para o Brexit em termos económicos e do ponto de vista financeiro, se me afeta de certa maneira pelo dinheiro ou investimentos, mas não leio o resto das tonterias. Na verdade, não conheço 99% do que se passa no Brexit. Aliás, nem sequer sei quem é o primeiro-ministro britânico. Não posso dizer nada sobre isso, não estou interessado. Só sigo o golfe. Aí posso dizer quem é o número 1 do mundo”, atirou Gareth Bale, sublinhando novamente uma paixão já conhecida pela modalidade.

“Quando penso na minha reforma, imagino-me num campo de golfe. Não costumo pensar muito nisso, mas já tenho 30 anos. Estou a organizar-me para ter coisas para fazer e não ficar no sofá. Ainda que prefira ter uma vida mais tranquila”, acrescentou o jogador galês, referindo depois o tópico da “alegria” que Zidane também comentou. “Já não tenho a alegria que tinha quando comecei a carreira. Quando tens 18 anos é algo com que sonhaste, mas quando o fazes durante muito tempo, desaparece. O profissionalismo é difícil, mentalmente. Mas agora temos psicólogos e mantenho conversas com eles para expressar o que sinto”, concluiu.