Já se passaram mais de 24 horas desde que Donald Trump confirmou que Abu Bakr al-Baghdadi, o líder e fundador do auto-proclamado Estado Islâmico, estava morto, depois de se ter feito explodir no decorrer de uma operação especial do exército norte-americano. No momento dessa declaração ainda era pouco aquilo que se podia divulgar sobre o sucedido, mas agora que a poeira já assentou começam a surgir análises e revelações que compõem um pouco mais a história e o seu significado.

Uma das informações que Trump enfatizou logo no início foi o facto de não terem sido registadas baixas norte-americanas, só um ferido… Uma unidade canina do exército norte-americano que, ao que se sabe agora, por exemplo, chama-se ‘Conan’. Também é de assinalar a hipótese muito forte de a fotografia de Donald Trump a assistir à operação que matou al-Baghdadi ter sido encenada. São estas e outras informações que valem a pena conhecer.

Conan, o “cão maravilhoso”

Esta segunda-feira, Donald Trump divulgou num tweet a fotografia do “cão maravilhoso” que participou no raid que resultou na morte do cabecilha do Estado Islâmico. “Decidimos divulgar uma fotografia do cão maravilhoso (o nome é que não revelamos) que fez um TRABALHO INCRÍVEL na captura e morte do líder do ISIS, Abu Bakr al-Baghdadi”, lê-se na publicação onde aparece uma fotografia do animal, revela o Business Insider.

Altas patentes das forças armadas norte-americanas recusaram comentar sobre qual foi o papel exato do cão durante a operação militar. Contudo, na conferência de imprensa do passado domingo, Trump abriu o jogo: “Ele chegou ao fim do túnel com os nossos cães a persegui-lo”, explicou o presidente a referir-se a Baghdadi. “Ele fez-se explodir, matando-se a ele e aos três filhos.”

Trump explicou ainda que o cão tinha ficado com ferimentos ligeiros mas, entretanto, novas informações deram conta que esta segunda-feira o animal já estava recuperado e de volta à ação. O general do exército norte-americano Mark Milley explicou que o cão ainda estava na zona de combate e recusou divulgar o nome do mesmo. Contudo, um jornalista da revista norte-americana Newsweek cita várias fontes militares que lhe confirmaram que o nome do cão é “Conan”.

À cadeia televisiva ABC News, outras fontes também informaram que este ‘Conan’ é um Malinois Belga, raça do animal que também participou na operação de 2011 em que o líder da Al-Qaeda, Osama bin Laden, foi morto.

Trump Vs. Obama: o que mostram as fotos?

Da esquerda para a direita: Mark Esper (secretário de Defesa), Mike Pence (vice-presidente), Donald Trump, Robert O’Brien (conselheiro de Segurança Nacional) e o general Mark A. Milley (chefe do Estado Maior).

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse no domingo que assistir à operação em que “o líder do Daesh, Abu Bakr al Baghdadi morreu como um cão”, era como estar a “assistir a um filme”. Ora Trump não quis ficar sem uma foto do momento em que decorria esse tal “filme” e foi retratado na chamada “Situation Room”.

O retrato (que pode ver umas linhas acima) lembra o ano em que morreu o líder da Al Qaeda, Osama bin Laden, no Paquistão, em 2011. Na altura o inquilino da Casa Branca, Barack Obama, foi imortalizado numa famosa imagem feita pelo seu fotógrafo oficial, o luso-descendente Pete Souza. Nesse registo vê-se, entre outros, uma surpreendida Hillary Clinton (então Secretária de Estado), e Joe Biden, vice-presidente da época. As diferenças entre as duas imagens, a de Trump e a de Obama, são notáveis ​​e expressam em grande parte o estilo diferente de cada um desses governantes.

As duas fotografias de Trump e sua equipa foram tiradas pela fotógrafa oficial desta legislatura, Shealah Craighead, e ambas mostram o presidente no centro do retrato e os seus acompanhantes sentados à sua volta, nas extremidades da mesa. Todos olham diretamente para a máquina fotográfica e tanto Donald Trump como os seus acompanhantes (Mike Pence, o seu vice, é um deles) estão de gravata.

Na imagem da operação contra Bin Laden em 2011, Obama e seus colaboradores aparecem no meio de uma cena supostamente espontânea, todos focados no que é intuído como a tela em que a operação está a ser exibida. Hillary Clinton cobre a boca num gesto que parece denotar algum choque perante o que está a ver. A roupa de todos é mais informal do que a da foto de Trump.

A diferença que fica subentendida entre as duas é que uma foi claramente encenada e a outra é “real”, “não adulterada”. Esta observação começou por ser comentada mais informalmente mas o próprio Pete Souza, autor da foto de Obama, acabou por contar que os metadados da fotografia de Trump indicavam que a mesma foi feita às 17h05, duas horas depois da operação militar ter ocorrido — informações oficiais dizem que ela decorreu pelas 15h30.

O presidente dos EUA ocupa o lugar central nas imagens da operação contra Al Bagdadi. À esquerda de Trump está o secretário de Defesa, Mark Esper, e o vice-presidente Mike Pence. À direita aparece o conselheiro de Segurança Nacional, Robert O’Brien, e o chefe do Estado Maior, general Mark A. Milley. Apenas numa das duas fotos distribuídas aparece também o o vice-diretor de Operações Especiais do Estado Maior, o general Marcus Evans.

Na foto de 2011, no entanto, Obama ocupa uma posição relativamente secundária (embora atraia o olhar do espetador), com os braços apoiados nas coxas. Há quem afirme que esta realidade diz muito sobre o estilo de ambos os presidentes, um mais auto-centrado e outro mais humilde.

Finalmente, outra diferença entre as duas fotos é o papel dos militares na imagem. Enquanto na Obama tinha apenas um representante das Forças Armadas de uniforme vestido e o restante do grande grupo à civil, Trump faz-se rodear por dois generais.

À terceira é de vez

Sabe-se entretanto que o líder dos jihadistas do Estado Islâmico (EI) detonou o seu cinturão de explosivos quando foi encurralado por uma equipe de elite — até 70 pessoas — das Forças Armadas dos EUA. No túnel onde tudo aconteceu, além do terrorista, estavam ainda três crianças e duas mulheres — todos morreram.

Ora o que se descobriu também foi que antes desta operação que foi liderada pelo tenente-general das forças especiais Scott Howell tinham sido feitas pelo menos outras três tentativas de apanhar al-Baghdadi, todas acabaram por ser canceladas em cima da hora. Segundo o presidente dos EUA, Donald Trump, as essas tentativas foram canceladas porque Baghdadi, que estava sob vigilância há vários anos, mudava de ideias constantemente.

Foi revelado também que o ataque deste fim-de-semana foi batizado com o nome de “Kayla Mueller”, uma funcionária americana que foi sequestrada, violada e torturada em 2013, em Aleppo, e que acabou por ser assassinada em 2015.

O trabalho deste general Howell — que antes desta operação tinha sido vice-comandante do Comando de Operações Especiais dos EUA, em Washington — foi amplamente elogiado. O sucesso da missão foi o culminar de vários anos de preparação (pelo menos cinco) e coleta de informações pelos serviços secretos que só tiveram a confirmação da presença de Baghdadi no local 48 horas antes do ataque que culminou com a sua morte.