Foi em 1997 que a Toyota apresentou a primeira geração do Prius, que ainda hoje comercializa com grande sucesso, comercial e financeiro, o que não impediu a marca de perder dinheiro em cada um que vendeu nos primeiros anos no mercado. A aposta era produzir um veículo menos exigente nos consumos, que permitisse menores custos de utilização para os condutores e menos emissões poluentes para o ambiente. Daí que seja estranho o construtor japonês ter (aparentemente) virado as costas à batalha em favor de uma melhor qualidade do ar, para apoiar a legislação suportada pelo Governo americano liderado por Donald Trump para a Califórnia, que se bate pelo incremento das mesmas emissões que a Toyota sempre combateu.

Trump criou uma legislação que diminui a exigência, a nível de consumos e de emissões, a 22 estados americanos, a começar pela Califórnia. Os estados responderam com uma ida a tribunal, exigindo o direito de determinar os níveis de emissões a que os seus habitantes estão expostos, o que lhes foi concedido pelo juiz. O Governo apelou da decisão, no que contou com o apoio de algumas marcas, sendo a mais surpreendente a Toyota, pelo seu passado enquanto líder nos híbridos e nos eléctricos alimentados por células de combustível a hidrogénio.

Se Trump apreciou o apoio da marca japonesa, já o mesmo não aconteceu com alguns tradicionais fãs e clientes da Toyota, que começaram a criar um boicote ao fabricante. Logo após o apoio expresso do construtor ao Governo norte-americano, o ex-secretário do Trabalho Robert Reich escreveu no Twitter “Adeus Toyota. A boa vontade ambiental que construíram ao serem pioneiros nos carros híbridos desapareceu no momento em que apoiaram Trump contra a Califórnia”, com o hashtag #ToyotaTrump.

O tweet teve retweets com comentários como “comprei um Toyota porque achava que eram ‘verdes’, mas nunca mais vou comprar nenhum”. Nada disto fará perigar o fabricante que mais veículos produz no mundo, sistematicamente com lucros, mas é inegável que a imagem de construtor responsável ficou com uma mancha. Pequena ou grande, dependerá do que aconteça nas próximas semanas, pois as campanhas #ToyotaTrump, #ByeToyota e #Boycotttoyota andam por aí.

O realizador Michael Moore juntou-se à “festa”, informando os seus 6 milhões de seguidores que “os fabricantes do Prius e do eléctrico Bolt (a General Motors) juntaram-se a Trump para matar o planeta”. E também o ex-governador de Vermont e ex-candidato a Presidente americano, Howard Dean, reagiu à associação da Toyota com Donald Trump desta forma: