Era uma proposta “emblemática” do programa eleitoral do PSD e Rui Rio não a tenciona largar. Tal como o Observador noticiou esta sexta-feira, a possibilidade de uma nova coligação negativa é real, já que o PSD se vai bater pela redução do IVA na eletricidade para a taxa mínima de 6%, uma proposta que o Bloco de Esquerda e o PCP também defendem e que estão a pôr em cima da mesa das negociações com o Governo no âmbito do Orçamento do Estado para 2020. Em declarações aos jornalistas no Fundão, à margem de um congresso temático da JSD, o líder do PSD garante no entanto que a proposta será feita mas dentro dos limites do “exequível”. “Não vamos cometer loucuras”, disse.

“Iremos apresentar uma proposta consentânea com o que foi a nossa proposta ao país. Não vamos cometer loucuras, não vamos apresentar propostas do que não é exequível, isso não faremos. Mas esta era uma medida emblemática do nosso programa e, por isso, acho que temos até a obrigação de a apresentar na Assembleia da República”, disse Rui Rio aos jornalistas, sublinhando que no quadro macro-económico que o PSD traçou para as legislativas essa medida “era absolutamente suportável pelo Orçamento do Estado”.

Questionado sobre o eventual cenário de haver uma coligação negativa no Parlamento para forçar, pela via parlamentar, a inscrição da medida no Orçamento do Estado, Rui Rio sublinhou que, “naturalmente”, não falou com o Bloco de Esquerda nem com o PCP sobre isso — “apenas leu nos jornais”. Mas deixou uma certeza: “Não vamos cometer loucuras, não vamos apresentar propostas que não são exequíveis”.

Rui Rio não esclareceu contudo o que fará o PSD caso o Bloco de Esquerda ou o PCP apresentem uma proposta de alteração ao Orçamento no sentido da redução da taxa de IVA na eletricidade. Ou seja, se fará o mesmo que fez na polémica questão da contagem integral do tempo de carreira congelado dos professores, onde o PSD apareceu na fotografia ao lado dos partidos da esquerda e contra o PS.