Os automóveis eléctricos, à medida que se tornam cada vez mais populares, precisam de uma rede de postos de carga mais abrangente, para evitar constrangimentos e dificuldades extra para quem necessita encontrar um ponto de carregamento livre. O que é ainda mais difícil nos períodos de pico, que ocorrem sobretudo em tempo de férias ou de feriados nacionais.

Em Portugal, estes períodos de maior procura são um problema para os restantes construtores de eléctricos, que dependem exclusivamente da rede nacional, mas não para os clientes da Tesla, que têm à disposição uma rede própria. Nos EUA, onde a rede é mais ampla, mas o número de clientes também é muito superior, há grandes desequilíbrios e tempos de espera em ocasiões específicas, como as vésperas do dia de Acção de Graças, o popular Thanksgiving do lado de lá do Atlântico.

Para facilitar a vida dos clientes, a Tesla montou postos de carga temporários em localizações específicas ou nos locais habituais, para reforçar a oferta existente, nos trajectos mais populares. Até aqui uma dezena de postos de Superchargers era montada num semi-reboque, com energia produzida por geradores a gasóleo. Mas, este ano, a marca aposta em alimentar os seus postos de carga temporários a partir de Megapacks, os grandes acumuladores que utiliza em instalações industriais e centrais eléctricas.

Mais potência de carga e melhor visibilidade

Antes do Thanksgiving, a Tesla aproveitou para incrementar a velocidade de carga dos seus Model 3, o modelo mais vendido. Se até aqui os Model 3 Standard Range Plus aceitavam cargas com potência de até 100 kW, agora podem lidar com 170 kW, o que reduz o tempo necessário para recarregar a bateria. Também os Model 3 Mid Range, até recentemente limitados a 120 kW, passam a ser capazes de lidar com 200 kW. Isto permite explorar na totalidade os 150 kW proporcionados pelos actuais Superchargers V2, bem como usufruir do potencial dos novos V3, já a serem instalados e a fornecerem 250 kW, a potência máxima dos Model 3 Long Range e Performance.

Os Model 3 mais acessíveis passam a poder recarregar com potências superiores, diminuindo o tempo em que estão conectados ao posto de carga

Outra novidade da época é a adopção de um novo software para optimizar o funcionamento dos limpa para-brisas. Musk há muito que se vinha referindo ao sistema Deep Rain, que recorre a uma rede neural, um sistema de computação interconectado que funciona como a rede de neurónios do cérebro humano.

Ao contrário dos restantes fabricantes de automóveis, que recorrem a sensores que avaliam a quantidade de chuva que cai no pára-brisas, a Tesla usa as câmaras do sistema Autopilot para fornecer informações ao processador de visão neural, para evitar os problemas que existiam até aqui, em que as câmaras determinavam directamente a velocidade das escovas.

Os limpa-vidros dos Tesla já eram controlados pelas câmaras do Autopilot, mas agora passam a ser geridos por uma rede neural

O novo software vai estar instalado nos carros novos, mas está igualmente a ser enviado over-the-air para todos os veículos em circulação. Caso um cliente específico tenha necessidade de adaptar o funcionamento dos limpa para-brisas à sua realidade, definida pela região onde vive, o novo processador tem a capacidade de “aprender” e adoptar as solicitações do condutor.