“Alguns distúrbios pontuais”, “situações anómalas” e “estragos materiais” protagonizados por adeptos de futebol holandeses, 27 deles identificados, foram estes os registos que o Comando Metropolitano da PSP do Porto revelou na madrugada desta quinta-feira ao JN. Ao Observador, o mesmo comando adiantou que não existem detidos nem feridos registados até ao momento, uma informação também confirmada pelo Comando Distrital de Operações de Socorro do Porto (CDOS).

Certo é que durante a tarde desta quarta-feira eram poucos os lugares disponíveis nas esplanadas em frente ao Douro. Na véspera do jogo no Estádio do Dragão com o FC Porto, na fase de grupos da Liga Europa, os adeptos do Feyenoord concentrara-se na Ribeira com música e cerveja, rodeados por um grande aparato policial. A zona dos bares foi a área procurada deste grupo durante a noite. Alguns vídeos mostram os confrontos, entre adeptos e a polícia, na Rua Fernandes Tomás, onde a PSP teve mesmo que usar a força para afastar alguns homens. 

Já na Rua Cândido do Reis, epicentro da movida da cidade, o bar Porto Tónico anunciou que não iria abrir portas, “devido à falta de segurança que se vive de momento nas ruas da Baixa”. 

O evento de hoje será adiado devido à falta de segurança que se vive de momento nas ruas da baixa. Lamentamos o sucedido…

Posted by Porto Tónico on Wednesday, December 11, 2019

Os desacatos com adeptos de futebol e o reforço policial nas ruas da cidade acontecem precisamente duas semanas depois dos incidentes ocorridos na mesma zona que envolveram adeptos ingleses e belgas, do Wolverhampton e do Standard Liège, nos dias anteriores aos jogos que as equipas defrontaram com o SC Braga e o Vitória Sport Clube.

As situações de violências verificaram-se durante duas noites e os distúrbios começaram também durante a tarde na Ribeira e prolongaram-se até à Rua das Flores, José Falcão, Clérigos, Galeria de Paris, terminando com a destruição da esplanada do Fé Wine & Club, na Praça D. Filipe de Lencastre, envolvendo dezenas de homens. Na altura, segundo o JN, a PSP terá efetuado alguns disparos com balas de borracha para dispersar os adeptos e um belga terá sofrido ferimentos ligeiros provocados por uma bala, tendo recebido tratamento no Hospital de Santo António.

O clima de insegurança na cidade e a aparente incapacidade da polícia, levou Rui Moreira, presidente da Câmara Municipal do Porto, a escrever uma carta ao ministro da Adminsitração Interna, pedindo a Eduardo Cabrita mais meios e que “abandonasse o negacionismo sobre segurança pública”.

Na sequência dessa carta, o Ministério da Administração Interna defendeu-se publicamente, afirmando que “o reforço do investimento nas forças de segurança é uma prioridade do Ministério da Administração Interna, em todo o país” e defendeu a alegada ausência de investimento com o que prevê gastar na “construção e requalificação de infraestruturas da PSP”.