A Land Rover investiu fortemente na nova geração do Defender. Testou-o aos limites e procurou conciliar os argumentos que lhe valeram uma legião de fãs por esse mundo fora, na anterior geração, com os atributos que fazem dos actuais SUV da marca britânica propostas mais civilizadas. Tudo visando um objectivo assumido pelo próprio CEO, Ralf Speth: vender 100 mil unidades/ano, ou seja, cinco vezes mais do que as 20 mil que a geração passada registou nos seus tempos de “glória”.

Pela primeira vez na sua história, o jipe inglês vai passar as fronteiras dos Estados Unidos da América e da China, o que significa que passará a ser comercializado nos dois maiores mercados do mundo, onde a anterior geração não esteve à venda. Mas há agora limitações ambientais mais severas, que obrigam à electrificação (total ou parcial) e, por outro lado, mercados como o português, cuja fiscalidade penaliza o mítico Land Rover, condicionando-lhe o sucesso comercial. Salvo se, tal como acontecia no passado, a marca vier a homologar uma versão pick-up.

Na nossa recente incursão a Gaydon, Inglaterra, para andar no novo Defender ao lado do homem que teve entre mãos o desenvolvimento do emblemático jipe, Mike Cross, perguntámos-lhe directamente se, por força das cada vez mais apertadas normas antipoluição, seria expectável que o Defender viesse a apresentar uma variante puramente eléctrica. Ao que o engenheiro-chefe da Jaguar Land Rover nos respondeu com um “nim”. Segundo ele, é um facto que “a plataforma D7x contempla essa possibilidade”. Mas parece que, para Cross, possível não é sinónimo de viável:

Não sei se uma solução desse tipo se coaduna com o espírito do Defender. Já imaginou o que seria levar um Defender a bateria para o meio de uma floresta tropical, de um deserto ou de uma estepe siberiana, e depois? Carregava-o onde?”

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Já quando questionado pelo Observador sobre a possibilidade de criar uma versão pick-up, Mike Cross, de sorriso nos lábios, admitiu que isso “é tecnicamente possível, embora o chassi monobloco coloque muitos desafios”. Resta saber “se é isso que o mercado pretende”, acrescenta.

Para já, a “agenda portuguesa”  passa por introduzir o Defender 110, o mais comprido e com cinco portas, em Abril, enquanto o 90 (três portas) só deverá pisar solo luso em Novembro de 2020. No ano seguinte, chegarão as versões comerciais (resta saber se será possível a homologação das mesmas como tal, para usufruir dos benefícios fiscais) e o ainda mais comprido 130, uma variante que, mesmo não estando confirmada oficialmente, são os próprios responsáveis da Land Rover que afirmam “ser de extrema importância em alguns mercados de peso como o Médio-Oriente, a Austrália e até os EUA”. Ainda em 2021 chegará o híbrido plug-in (PHEV).