Val di Sol, em Itália, na região sul do Tirol, está prestes a acolher a primeira estância de ski da Europa que vai banir o uso de plásticos. O estabelecimento em causa chama-se Pejo 3000 e tomou a decisão depois de terem sido encontrados microplásticos (pedaços de plástico de tamanho inferior a cinco milímetros) num glaciar ali próximo.

Pejo 3000 albergou aproximadamente 137.000 turistas, na última temporada. Este ano, esses visitantes não vão poder contar com a comodidade de sacos, talheres, pratos, copos, palhinhas ou garrafas de plástico, entre outros produtos descartáveis, feitos deste material.

As medidas vão tornar a pequena estância na primeira estância de ski europeia livre de plásticos, mas são apenas mais um passo no rumo sustentável que tem vindo a assumir. Aqui, o aquecimento usa desperdícios de madeira (obtidos através da limpeza da floresta) como combustível, e dispõe ainda de energia gerada de forma hidroelétrica. “Estamos a pensar no ambiente, no impacto nas gerações futuras, mas também nas vantagens competitivas do nosso território”, disse ao jornal inglês The Guardian Fabio Sacco, diretor-geral do conselho de turistas de Val di Sole.

A estância vai também eliminar as capas de plástico nos forfaits de ski. Medidas como estas “deveriam ser aplicadas em toda a cordilheira dos Alpes”, diz Fabio Sacoo. “Projetos que tenham em mira a limitação do uso de produtos de plástico são precisos com urgência”, acrescenta o glaciólogo do Museu de Ciências Naturais de Trento, Christian Casarotto.

Não é de espantar a descoberta de microplásticos num glaciar. Ainda este ano, um estudo da Organização Mundial de Saúde concluiu que 80% da água da torneira de todo o mundo está também contaminada com um dos mais multifacetados materiais da era moderna.

O que se passa neste glaciar analisado por especialistas pode muito bem acontecer em todos os outros que estejam próximos de atividade turística. Este é o Forno Glaciar, a cerca de 60 quilómetros da estância Pejo 3000. Foi lá que cientistas da Universidade Milan-Bicocca realizaram em abril testes que revelaram a existência de 131 a 162 milhões de partículas.

As explicações avançadas indicam que estas partículas possam ter sido deixadas para trás pela roupa ou equipamento de quem visitou o espaço, ou simplesmente transportadas através do ar, por ventos fortes. “Se produtos de plástico chegarem às montanhas, lá permanecerão por um largo período de tempo, talvez décadas, e transformar-se-ão num dano à saúde e para o ambiente ao entrarem na cadeia alimentar”, explicou o glaciólogo.