A Administração Nacional da Atmosfera e dos Oceanos (NOAA) dos Estados Unidos capturou em vídeo um momento raro em que se vê um peixe a engolir um tubarão inteiro, a cerca de 450 metros de profundidade.

A cena foi captada quando o D2, um veículo conduzido remotamente, gravava imagens de um cardume de tubarões juvenis a devorar uma carcaça de peixe-espada. Nesses instantes, por baixo do veículo, estava um cherne que engoliu de uma só vez um dos tubarões que nadava nas imediações. Para a NOAA, este vídeo ilustra a capacidade dos peixes predadores de maior porte em comer pequenos tubarões, que estão acima na cadeia alimentar. As imagens foram obtidas na expedição Windows to the Deep 2019, da agência norte-americana.

No vídeo é possível ver o peixe a sair lentamente do seu esconderijo. Quando um dos tubarões se aproxima, num movimento ágil, o cherne abocanha o tubarão de uma só vez deixando apenas a ponta do rabo de fora da boca.

Os tubarões alimentavam-se de uma carcaça de um espadarte que tinha caído ali minutos antes, vítima de causas desconhecidas para a NOAA, que adianta que o peixe não deveria estar morto há muitas horas. Quase imediatamente, cerca de 10 pequenos tubarões aproximaram-se e começaram a investir sobre a carcaça que foi descrito como “frenesim alimentar”. “Normalmente não vemos tubarões das profundezas em grupos, a não ser que haja comida por perto. Como predadores relativamente pequenos passam a maior parte do tempo à procura de presas”, pode ler-se num artigo da agência americana que descreve o achado.

Situações como a que se passou com o espadarte, em que uma carcaça perfeitamente comestível cai no fundo do mar, são conhecidas como food falls. Este fenómeno acontece com todo o tipo de peixes, incluindo baleias.

Segundo a NOAA, os oceanos preenchem cerca de 75% da superfície terrestre e estima-se que conheçamos apenas 5% do seu fundo, o que o torna menos conhecido do que a superfície lunar. Por isso mesmo, eventos deste tipo são difíceis de captar em vídeo e desconhecem-se ainda muitas das espécies que habitam nas partes mais profundas onde, face à pressão que cresce 14,5 psi (medida de pressão) a cada 10 metros, o homem não consegue chegar. O ponto mais fundo do oceano está a 11.034 metros de profundidade, na fossa das Marianas.