O chefe da diplomacia norte-americana, Mike Pompeo, defendeu esta terça-feira a legalidade do ataque aéreo que matou o general iraniano Qassem Soleimani, e o conselheiro de segurança nacional, Robert O’Brien, diz que não serão toleradas retaliações.

“Nunca vi este governo tomar decisões desta natureza sem uma revisão completa e aprofundada em termos jurídicos”, disse Mike Pompeo, numa conferência de Imprensa, em Washington, para assegurar que o ataque aéreo em Bagdade, na sexta-feira, tem base legal.

Mas, interrogado se os juristas da Casa Branca tinham sido consultados antes do ataque, o secretário de Estado, não deu uma resposta perentória. “Frequentes vezes, os juristas visam antecipadamente todas as opções apresentadas ao Presidente dos EUA, para que cada opção seja validada legalmente”, disse Pompeo, acrescentando: “Estou certo de que foi o que sucedeu”.

O governo norte-americano centra-se agora nas ameaças de retaliação que têm sido anunciadas por vários responsáveis iranianos. Esta terça-feira, o conselheiro nacional de segurança nacional disse que os EUA “não tolerarão” as mais recentes ameaças de Teerão.

Numa entrevista televisiva, Robert O’Brien disse que as ameaças iranianas “existem há 40 anos”, desde a revolução fundamentalista no Irão, mas reconheceu que as autoridades norte-americanas acompanham as recentes declarações de Teerão com “muito cuidado”.

O conselheiro justificou o ataque que vitimou mortalmente Soleimani alegando que o general iraniano estava a planear ataques contra diplomatas e militares norte-americanos no Médio Oriente.

Alinhado pelos mesmos argumentos, na conferência de Imprensa em Washington, Mike Pompeo acusou o seu homólogo iraniano, Javad Zarif, de mentir sobre a natureza das ações de Soleimani no Iraque, nos dias antes de ter sido assassinado pelo ataque dos EUA.

“Ele disse que Soleimani estava numa missão diplomática em Bagdade. Alguém acredita nisso?”, interrogou-se Pompeo, dizendo ter informações fiáveis de que o general não estava numa missão diplomática no Iraque, mas antes a preparar ações militares contra interesses norte-americanos.

Interrogado sobre a ameaça de Donald Trump de atacar locais culturais iranianos, no caso de retaliações iranianas, o secretário de Estado repetiu o que já tinha dito em momentos anteriores, garantindo que os EUA sempre agirão “ao abrigo das leis internacionais”, referindo-se a tratados que protegem património cultural, em situações de conflitos militares.