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Justin Trudeau diz que há provas. Vídeo parece mostrar momento em que míssil atinge avião ucraniano

Imagens foram divulgadas pelo New York Times depois de Justin Trudeau ter dito que Canadá tinha provas de que o avião ucraniano tinha sido atingido por um míssil iraniano. Irão diz que é questionável.

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O avião ucraniano caiu no Irão. Levava 176 pessoas a bordo

ABEDIN TAHERKENAREH/EPA

O avião ucraniano caiu no Irão. Levava 176 pessoas a bordo

ABEDIN TAHERKENAREH/EPA

O The New York Times divulgou um vídeo que parece mostrar o avião ucraniano que se despenhou na quarta-feira a ser atingido por um míssil enquanto sobrevoava Parand, nos arredores de Teerão. Foi nesta zona que o voo 752 deixou de estabelecer comunicações antes de se despenhar perto da capital iraquiana.

As imagens captadas mostram uma pequena explosão após o avião ter sido atingido por um objeto. De acordo com o jornal norte-americano, a aeronave não terá caído imediatamente, continuando a voar durante alguns minutos enquanto tentava regressar ao aeroporto.

[O vídeo verificado e divulgado pelo The New York Times:]

O vídeo, verificado pelo The New York Times, foi divulgado minutos depois de Justin Trudeau ter revelado que as autoridades canadianas têm provas que mostram de forma clara que o voo da companhia aérea ucraniana foi atingido por um míssil terra-ar iraniano. Trudeau não excluiu a hipótese de se ter tratado de um acidente.

Temos informações de múltiplas fontes, nomeadamente dos nossos aliados e dos nossos serviços, que indicam que o avião foi abatido por um míssil terra-ar iraniano. Pode não ter sido intencional”, declarou o primeiro-ministro canadiano, que sempre se mostrou contra o ataque aéreo dos Estados Unidos da América, que culminou na morte do general Qasem Suleimaini.

Questionado pelos jornalistas sobre se considerava que o ataque ao general iraniano tinha sido a causa da queda do Boeing 737-800, Trudeau afirmou que era “demasiado cedo para tirar conclusões ou para atribuir culpas ou responsabilidades em qualquer proporção”. “As evidências sugerem que a causa provável, mas precisamos de uma investigação completa e credível para estabelecer exatamente o que aconteceu. É isto que estamos a pedir e é isto que esperamos que aconteça.”

Durante a conferência de imprensa, o governante frisou ser “extremamente importante que a investigação seja credível e minuciosa” e garantiu que a investigação ao acidente contará com a participação dos parceiros internacionais. Trudeau mostrou-se ainda disponível para conversar com “qualquer pessoa para conseguir respostas” sobre o que se passou em Teerão.

No avião ucraniano, seguiam 176 pessoas, das quais, pelo menos, 63 eram canadianas. Segundo Justin Trudeau, 138 passageiros tinham o Canadá como destino final. O voo de ligação chegou a Toronto com muitos lugares vazios.

As revelações levaram, entretanto, a Austrian Airlines e a Lufthansa a cancelarem os voos previstos para Teerão. No caso da companhia área alemã, a decisão foi tomada quando um dos seus aviões já fazia a viagem, pelo que recebeu ordem para voltar para trás e regressar a Frankfurt.

As duas empresas dizem que vão continuar a avaliar a situação junto das autoridades locais e internacionais.

A Newsweek avançou durante a tarde desta quinta-feira, citando fontes oficiais norte-americanas, que a aeronave ucraniana terá sido atingida acidentalmente por um sistema antiaéreo russo, conhecido como “Gautlet”, disparado pelos iranianos. Uma outra fonte frisou à ABC News que era a teoria era “altamente provável”.

As autoridades iranianas rejeitaram imediatamente esta tese. Na opinião dos iranianos, a hipótese não faz sentido. “Vários voos domésticos e internacionais voam ao mesmo tempo no mesmo espaço aéreo iraniano à mesma altitude de oito mil pés, e essa história de ataque com mísseis (…) não podia estar mais incorreta”, declararam o presidente da Organização de Aviação Civil do Irão e o vice-ministro dos Transportes em comunicado. “Esses rumores não fazem qualquer sentido”.

Irão considera “questionáveis” informações canadianas

O Irão classificou as informações recolhidas pelos canadianos como “relatos questionáveis”. De acordo com a agência France-Presse, Teerão convidou Otava a “partilhar” com a comissão de inquérito iraniana, criada depois de o voo comercial ter caído, as provas reunidas.

O Ministério das Relações Exteriores do Irão convidou também a Boeing, fabricante da aeronave, a “participar” na investigação.

Relatório preliminar fala em tentativa de regresso ao aeroporto

O Boeing 737-800 da transportadora aérea ucraniana tinha partido há apenas dois minutos do aeroporto internacional Tehran Imam Khomeini, em Teerão, rumo a Kiev quando as comunicações cessaram, pouco depois de o Irão ter lançado o ataque às bases com forças norte-americanas no Iraque.

Segundo um relatório preliminar ucraniano, a tripulação não terá tentado pedir ajuda via rádio, mas estaria a tentar regressar a Teerão quando o avião se despenhou. O aparelho partiu do aeroporto iraniano às 6h12 desta quarta-feira (hora local). O acidente provocou a morte das 176 pessoas a bordo — 83 iranianos, 63 canadianos, 11 ucranianos, 10 suecos, quatro afegãos, três alemães e três britânicos.

As autoridades ucranianas, que enviaram para Teerão uma equipa de 45 investigadores para participar no inquérito em curso, começaram por avançar que o acidente teria sido provocado por problemas mecânicos, mas acabaram por recuar na explicação, afirmando que não havia garantia de falhas técnicas.

Posteriormente, esta quinta-feira, o secretário do conselho de segurança nacional da Ucrânia, Oleksiy Danylov, afirmou que estava a ser investigada a possibilidade de o avião ter sido abatido por um míssil russo, uma hipótese que começou a circular pela Internet depois de terem surgido online imagens do que aparenta ser um míssil Tor M-1, num subúrbio a sudoeste de Teerão.

Segundo Danylov, os investigadores ucranianos pretendiam procurar vestígios do projétil no local, embora estivessem a ser exploradas outras hipóteses. “Estamos a avaliar de forma minuciosa todas as teses, que são sete”, indicou à agência France-Presse Oleksiy Danylov. Por enquanto, “nenhuma é prioritária”.

A Ucrânia lançou entretanto um apelo a parceiros internacionais. Num comunicado emitido pelo gabinete do presidente ucraniano e citado pela CNN, foi adiantado que Volodymyr Zelensky esteve ao telefone com vários líderes, incluindo com os primeiro-ministros do Canadá e Suécia, e que o “país está interessado em descobrir a verdade”. “Assim, viramo-nos para os parceiros internacionais da Ucrânia: se tiverem indícios que ajudem na investigação, pedimo-vos que as forneçam.”

Donald Trump: “Tenho as minhas suspeitas. Alguém pode ter cometido um erro”

Questionado pelos jornalistas na Casa Branca sobre a hipótese de o avião da transportadora aérea ucraniana ter sido abatido por um míssil do Irão, Donald Trump admitiu ter as suas “suspeitas”. “Algumas pessoas dizem que foi [ uma falha mecânica]. Pessoalmente, não acho que seja essa a questão”, começou por dizer o Presidente. “Bem, tenho as minhas suspeitas, mas não as quero revelar. Foi algo trágico.”

“[O avião] estava a sobrevoar um bairro complicado [nos arredores de Teerão] e alguém pode ter cometido um erro”, disse ainda Trump, citado pela Newsweek. “Não tem nada a ver connosco.”

O Boeing 737-800 da transportadora aérea ucraniana tinha partido há apenas dois minutos do aeroporto internacional Tehran Imam Khomeini, em Teerão, rumo a Kiev quando as comunicações cessaram, pouco depois de o Irão ter lançado o ataque às bases com forças norte-americanas no Iraque.

Boris Johnson diz que há “um conjunto de informações” que apontam para um míssil iraniano

O primeiro-ministro do Reino Unido, Boris Johnson, também veio dizer, entretanto, que há “um conjunto de informações” que mostram que o avião “foi abatido por um míssil terra-ar iraniano”.

Isto pode bem ter sido não intencional. Estamos a trabalhar com o Canadá e com os nossos parceiros internacionais e tem agora de haver uma investigação completa e transparente”, disse numa declaração.

O desastre aéreo vitimou três britânicos. “As informações que temos são muito perturbadoras e estamos a analisá-las com urgência”, tinha antes dito um porta-voz do gabinete do primeiro-ministro, sem fornecer mais pormenores, após um contacto telefónico entre Johnson e o Presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelenskiy.

Johnson esteve também ao telefone com o Presidente iraniano, Hassan Rouhani, apelando ao cessar das retaliações militares na região. Durante a chamada, que durou cerca de 20 minutos, foi discutida “a situação na região na sequência da morte de Qassem Suleimani e o primeiro-ministro pediu o fim das hostilidades”, referiu o porta-voz de Downing Street, citado pelo The Guardian. Segundo a agência de notícias iraniana, a ISNA, Rouhani frisou o papel de Suleimani na luta contra o Estado Islâmico. “Não se sentiria seguro em Londres se não fosse pelos esforços levados a cabo por Suleimani”, disse o Presidente iraniano.

Lembrando que trabalhou com Qassem Suleimani durante 40 anos, Rouhani defendeu que a imagem do general difundida no ocidente não corresponde à realidade e que a resposta ao seu assassínio foi legítima e proporcional. O Presidente disse ainda que, se os Estados Unidos repetirem o ataque, receberão uma resposta perigosa. Segundo Hassan Rouhani, os norte-americanos não compreendem o que se passa na região.

Durante a chamada telefónica, Boris Johnson sublinhou também “o compromisso do Reino Unido para com [o acordo internacional nuclear com o Irão] o JCPOA e para com o diálogo contínuo para evitar a proliferação nuclear e reduzir a tensão”, apontou também o porta-voz. “Ele abordou a detenção e maus tratos de Nazanin Zaghari-Ratcliffe e de outros iranianos com dupla nacionalidade e pediu a sua libertação imediata.”

Ucrânia pede “apoio incondicional” da ONU. Embaixador iraniano garante que está a ser realizada investigação “minuciosa”

O vice-ministro dos Negócios Estrangeiros da Ucrânia, Sergiy Kyslytsya, pediu, no Conselho de Segurança da ONU, “apoio incondicional” para os peritos ucranianos que investigam o desastre aéreo “Foram perdidas 176 vidas inocentes”. “As circunstâncias desta catástrofe ainda não são claras. Cabe agora aos peritos investigar e encontrar respostas à questão de saber o que provocou a queda [do avião]. Para que isso seja possível, os nossos peritos devem receber um apoio incondicional para o seu inquérito”, disse.

O embaixador iraniano na ONU, Majid Takht Ravanchi, garantiu no decorrer da mesma reunião do Conselho de Segurança esta quinta-feira que está a ser conduzida uma “investigação minuciosa” ao acidente e expressou as condolências às famílias das vítimas.

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