Pouco a pouco, Li Shufu vai expandindo o seu império na área automóvel. O chinês quis entrar na Daimler e, apesar da resistência, acabou por levar a melhor, sendo hoje o maior accionista do grupo alemão, com 10% das acções. Reflexo do seu “peso” na Daimler é o facto de a Smart passar a ser, oficialmente, uma marca chinesa, com sede na cidade de Nigbo. O negócio foi aprovado há dias pelo regulador local, o que significa que 50% do capital é agora pertença da Geely, que se vai encarregar de produzir os futuros Smart, a partir de 2022.

Mas Shufu quer reforçar ainda mais os laços que unem a Geely à Daimler. Segundo relata a Manager Magazin, o empresário quer criar uma nova unidade de negócios em que a Geely e a Volvo, que é pertença do grupo chinês desde que a Ford a alienou em 2010, tratam de desenvolver e vender motores a terceiros. A Mercedes, que já tem um arranjo deste tipo com a Renault para os quatro cilindros, perfila-se como uma potencial cliente.

As unidades motrizes são um dos elementos em que os construtores mais têm de investir, sobretudo nesta fase, em que as motorizações estão obrigadas a cumprir regulamentos cada vez mais exigentes, em termos de emissões, o que leva a que a tecnologia aumente de complexidade e… de custo.  Quase todos os construtores estão abertos a maneiras de baixar este investimento, até porque há que canalizar verbas para a mobilidade eléctrica. São esses, aliás, os planos tornados públicos pela Volvo, que pretende abandonar por completo a combustão, o que lhe deixaria esta “parcela” para vender a outros fabricantes. Inclusive à Mercedes, sendo que Estugarda vê com bons olhos essa possibilidade, de acordo com a publicação acima citada. A mesma dá conta que até já decorreram negociações nesse sentido. Porém, as conversações iniciais não foram frutíferas, o que pode vir a mudar, pois a Mercedes admite estar interessada em pequenos motores. A Geely tem-nos e a Volvo também, nomeadamente o três cilindros de 1,5 litros. Será que Shufu vai aceitar um “não” como resposta?