A jornada que poderia ter reaberto as contas do Campeonato acabou por conhecer o efeito contrário e acabou por consolidar o domínio do Benfica na prova: com a vitória no dérbi em Alvalade e a derrota no Dragão do FC Porto frente ao Sp. Braga, os encarnados chegaram ao final da primeira volta com mais sete pontos do que os azuis e brancos – curiosamente, a mesma vantagem que Bruno Lage conseguiu recuperar quando assumiu as águias na 16.ª jornada da última época. Entre o melhor ataque e a defesa menos batida da prova, o Benfica bateu também alguns recordes e o treinador manteve a percentagem de sucesso sem precedente, que vai agora nos 94,44%.

A maior série de vitórias consecutivas de sempre como visitante

Bruno Lage começou o caminho no Benfica com um triunfo complicado na Luz por 4-2 após ter estado a perder por 2-0 e enfrentou de seguida duas deslocações complicadas aos Açores e a Guimarães. Entre dificuldades à mistura, ganhou ambas. Mas esse seria apenas o arranque de um caminho que seria histórico: com o triunfo em Alvalade, os encarnados tornaram-se a primeira equipa a conseguir 17 vitórias consecutivas fora no Campeonato.

A melhor primeira volta de sempre numa prova com 18 equipas

O FC Porto de 1939/40 e o Benfica de 1972/73 são as únicas equipas que até hoje conseguiram completar uma volta inteira do Campeonato e ainda existem registos como o Benfica de 1983/84, o Sporting de 1957/58 e o Benfica de 1960/61 que por pouco não fizeram o pleno. No entanto, este Benfica de Bruno Lage também conseguiu o seu lugar na história neste particular, tornando-se a equipa com melhor rendimento na primeira volta de um Campeonato disputado com 18 equipas, alcançando um total de 48 pontos com 16 vitórias e uma derrota.

Bruno Lage e uma percentagem sem precedente de vitórias

Bruno Lage foi o mais rápido a chegar às 25 vitórias pelo Benfica no Campeonato, foi também o mais rápido a atingir os 30 triunfos na mesma prova e foi ainda o mais rápido a fazer 100 pontos na principal competição nacional. Ainda assim, continua com um registo sem precedente na história do Campeonato: em 36 jogos como técnico dos encarnados, ganhou 34, empatou um e perdeu outro, numa percentagem de 94,44% de sucesso.

13, o número do azar que afinal é a sorte do Benfica

O Benfica foi campeão na última temporada, depois do título do FC Porto em 2017/18, com mais 11 golos sofridos do que os dragões (31-20). E olhando apenas para a era Bruno Lage quando assumiu a equipa à 16.ª jornada, os encarnados consentiram 16 golos em 19 partidas. Na presente época, essa foi a grande viragem nas águias: em 17 rondas jogadas até ao momento, o Benfica, de longe a melhor defesa do Campeonato com quase metade dos golos sofridos dos azuis e brancos, sofreu apenas seis golos, tendo terminado 13 encontros em branco.

O ataque não é tão avassalador mas só falhou uma vez

O Benfica não tem no final da primeira volta a mesma média com que terminou o último Campeonato, com três golos por jogo naquele que igualou o melhor registo de sempre na prova. No entanto, os encarnados apenas não marcaram na derrota caseira frente ao FC Porto (onde não fizeram nenhum remate sequer enquadrado com a baliza de Marchesín), tendo também por isso o melhor ataque do Campeonato com 42 golos em 17 partidas realizadas – mais de metade de Pizzi e Vinícius –, mais sete do que o adversário direto FC Porto.

O feito de Rafa em Alvalade, onde nem foi preciso a dupla do costume

Rafa, que tinha feito o último encontro para o Campeonato no final de setembro (V. Setúbal na Luz, 1-0), ainda realizou dois jogos da Champions, lesionou-se com o Lyon e regressou apenas esta terça-feira, jogando um par de minutos para a Taça de Portugal frente ao Rio Ave. Agora, em Alvalade, entrou e fez história: após entrar aos 74′ para o lugar de Chiquinho, o avançado tornou-se o primeiro a bisar saído do banco num dérbi em Alvalade onde os dois melhores marcadores do Campeonato, Pizzi e Carlos Vinícius (12 e dez golos), até ficaram em branco.

Uma inversão histórica no duelo com o rival Sporting

Nos últimos dez jogos em Alvalade, o saldo era amplamente positivo para o Benfica, que tinha ganho quatro vezes e empatado cinco contra apenas uma vitória do Sporting. Agora, os encarnados voltaram a vencer (e com isso ainda prolongaram o jejum dos leões) mas o triunfo teve um outro ponto histórico relevante: as águias passam a somar mais vitórias do que o conjunto verde e branco nos dérbis disputados fora (33-32), passando também a ter mais um golo do que o rival lisboeta depois do 2-0 apontado por Rafa no nono minuto de descontos (125-124).