Cerca de 30% das empresas de restauração e hotelaria já não conseguiu pagar os salários em marco, e o dobro dessa percentagem, cerca de 63%, admite que não o irá fazer em abril, se entretanto não chegarem apoios. Estes são alguns resultados do inquérito conduzido pela AHRESP (Associação de Hotelaria, Restauração e Similares de Portugal) junto dos seus associados entre 1 e 3 de abril.

Cerca de 74% das empresas que responderam afirma já estar parada e mais de metade não consegue dar uma previsão para quando poderá voltar a trabalhar. Com base nestes resultados, a secretária-geral da associação, Ana Jacinto, referiu, citada pela agência Lusa. que a “maioria das empresas não sabe o que lhe vai acontecer e já equaciona não voltar a abrir. Vai depender da evolução da pandemia e de como se vai apoiar a economia”.

Os resultados divulgados esta sexta-feira, e que partem da resposta de quase 2.000 empresas, indicam que quase metade das entidades ouvidas planeia recorrer ao lay-off (suspensão temporária do contratos de trabalho), com 75% das respostas a apontar o uso desse regime para a totalidade dos trabalhadores e para a suspensão total da prestação laboral. No universo dos inquiridos, 70% avisaram que não iriam ter capacidade para pagar os dois terços da remuneração a que os trabalhadores têm direito no regime de lay-off simplificado, se entretanto a Segurança Social não fizer chegar a sua parte (70%) antes do final de abril.

A maioria das empresas ainda não tinha recorrido a apoios financeiros, 77%. Entre os que recorreram, a linha de apoio dedicada ao turismo e gerida pelo Turismo de Portugal é a mais referida.

Mais de metade das empresas considera que as linhas de crédito para a tesouraria anunciadas pelo Governo “não são adequadas às necessidades”, propondo em alternativa apoios financeiros a fundo perdido, e isenção (e não adiamento) de impostos e outros encargos financeiros como rendas. Para já, mais de 90% das empresas garante que ainda não efetuou despedimentos no mês de marco, no entanto, antecipam uma ausência total de receitas em abril e maio. Logo, quase metade das empresas referiu que não conseguirá cumprir os compromissos financeiros em abril, percentagem que sobe para 54% para maio.

Com a incerteza sobre como vai ser o negócio nos meses que seguem, 17% dos inquiridos admitem avançar diretamente para a insolvência.

As empresas de alojamento turístico representaram 67% das respostas a este inquérito, sendo 33% dos inquiridos do setor da restauração. 61% são empresas e 39% empresários em nome individual.