O diretor científico da norte-americana Johnson&Johnson (J&J), Paul Stoffels, acredita que a vacina que está a ser  desenvolvida pela empresa de produtos farmacêuticos tem “probabilidade de ter êxito de 80%“. Paul Stoffels, em entrevista ao jornal espanhol El Mundo, explica que esta sua vacina-candidata “ainda terá de ser testada em humanos“, mas tendo em conta a experiência adquirida parece já “bastante claro” que a vacina irá resultar.

O também vice-presidente executivo da J&J diz que a sua candidata a vacina está já pronta a ser testada em humanos e que o primeiro milhão de doses pode estar disponível já no primeiro trimestre de 2021. O compromisso é que a produção da vacina tenha uma licença especial de emergência em tempo de pandemia, para que seja acessível e não tenha fins lucrativos. Para conseguir fazer esta operação a empresa fará um investimento conjunto com o governo de Estados Unidos no valor de mil milhões de euros. 

Sobre se a vacina pode depois chegar ao resto do mundo, Paul Stoffels diz que a J&J vai tentar que a vacina seja o mais globalizada possível, mas isso já “não depende só da empresa”. Nesse caso seria necessário “expandir a colaboração com governos e organizações que trabalham na produção de vacinas”. Além disso, destaca, “numa primeira fase, será necessário definir muito bem quem são as pessoas em maior risco que precisam ser vacinadas”.

E que pessoas são essas? Paul Stoffels identifica que “as pessoas mais expostas ao vírus são profissionais de saúde que trabalham em hospitais, que precisam ser protegidos para garantir o seu trabalho diário”. Para o diretor da J&J estes “devem ser os primeiros a serem vacinados“, seguindo-se os “idosos ou pessoas com doenças que afetam o sistema imunológico, como cancro ou diabetes.” Essa também não será uma decisão da empresa: “Serão as autoridades de saúde que terão que decidir sobre quem vacinar“.

Questionado sobre se o vírus podia ter sido travado, Stoffels diz que “é triste que tenha chegado a esse ponto, mas provavelmente era inevitável que esse vírus chegasse a todo o planeta”.