O apelo é à “calma”. Depois de ter circulado, esta semana, um suposto guia de boas práticas da AHRESP para a reabertura dos restaurantes, a secretária-geral da Associação da Hotelaria, Restauração e Similares de Portugal, Ana Jacinto, desmentiu hoje a veracidade desse documento e garantiu que o guia que foi entregue na passada sexta-feira o Governo é “exequível” e assenta em condições essenciais para compensar as empresas do setor da expectável enorme quebra de receitas. Pediu “calma” aos empresários do setor, e pediu inclusive que não se “precipitem a comprar termómetros e acrílicos” para a reabertura — que ainda não se sabe quando será.

Num webinar, uma videoconferência publicada na página de Youtube da AHRESP, Ana Jacinto confirma que “o documento que circulou não corresponde ao guia que foi entregue ao governo” e garante que o guia que foi preparado pela associação, e que ainda aguarda contributos da DGS, da ACT, da ASAE e do Turismo de Portugal, prevê “coisas muito fáceis de executar”, na medida em que se procura “intensificar, reforçar” medidas já previstas anteriormente. E não prevê, por exemplo, a colocação de acrílicos para o atendimento ao público nos restaurantes nem sequer a medição de temperatura.

É aí que a responsável pela AHRESP pede aos empresários do setor que tenham “calma”, que “aguardem pelas orientações da AHRESP”, e pelo guia que deverá ser conhecido no final desta semana. “Temos muitos empresários a fazer compras de termómetros, compras de acrílicos, não façam nada para já. Não se precipitem a comprar acrílicos ou termómetros” para a reabertura, disse, ressalvando que não será já no dia 3 de maio, quando terminar o estado de emergência, que os restaurantes vão abrir portas. Também esse calendário não está ainda fechado, mas o primeiro-ministro tem dito que os primeiros estabelecimentos a abrir são o comércio local, de bairro, incluindo pequenas lojas ou cabeleireiros.

“Acrílicos não está previsto no guia. O guia tem vários capítulos sobre reorganização do espaço, regras de controlo de entradas, regras de higiene pessoal, fardamento e equipamento de proteção individual, regras de limpeza e desinfeção, cuidados a ter na preparação e confeção de alimentos, menus e serviço, requisitos específicos para self-service, buffets e take away”, disse, garantindo que é tudo “fácil de executar”. “O que procuramos é reforçar, intensificar, aquilo que os estabelecimentos de restauração ao longo dos anos já têm sido obrigados a adotar ao nível das regras de higiene”, disse.

Segundo a responsável do setor, a AHRESP apresentou a proposta de guia ao Governo na passada sexta-feira e apresentou duas condições associadas. Uma delas é a definição de critérios claros de segurança e saúde para os clientes, que deverá contar não só com as sugestões de guia da associação do setor mas também com inputs da DGS e das autoridades de saúde. A outra condição é a ideia de que o Estado tem de continuar a apoiar estas empresas de restauração, mesmo depois da reabertura. Isto porque a reabertura vai acontecer de forma “limitada”, pelo que se prevê uma quebra grande ao nível das receitas. Além de que será preciso um investimento da parte das empresas para a aquisição de material de proteção e desinfetantes. É para isso que a AHRESP entende ser necessário e fundamental apoio do Estado.

“As empresas vão abrir com restrições, limitações, e isto faz com que as receitas sejam diminuídas. Nesse sentido precisamos de apoio para manter os postos de trabalho, e apoio para a compra de equipamentos de proteção individual, que representam um custo que não teríamos”, diz Ana Jacinto.

Segundo Ana Jacinto, a ideia é que, quando o guia de boas práticas for finalizado e distribuído (vão também ser divulgados pequenos vídeos de capacitação para melhor compreender as regras), os restaurantes possam exibir um “selo” de qualidade para dar confiança aos clientes. Sobre o detalhe das medidas concretas, a AHRESP não revelou, uma vez que o documento ainda está a ser finalizado e ainda está nas mãos do governo. Até ao final desta semana deverá haver novidades, diz.