A Comissão Europeia vai autorizar a destilação e armazenamento de vinho e aumentar a taxa de cofinanciamento para ajudar o setor a enfrentar a grave crise provocada pela Covid-19.

Os apoios para o setor do vinho incluem-se num pacote de medidas que o comissário europeu Janusz Wojciechowski apresentou esta quinta-feira à comissão de Agricultura do Parlamento Europeu.

“Não há tempo para entrar em todos os pormenores, mas deixem-me assegurar-vos que a nossa proposta assegura que um beneficiário possa receber tanto a ajuda à armazenagem de crise como a ajuda à destilação de crise para diferentes lotes de vinho”, disse o comissário, que interveio por videoconferência, remetendo os pormenores para o anúncio formal das medidas, na próxima semana.

O setor do vinho tem sido particularmente atingido com o encerramento de restaurantes e bares, as quebras no turismo e as restrições impostas às importações de produtos europeus pelos Estados Unidos.

Bruxelas irá ainda aumentar a taxa de financiamento de todas as medidas de ajuda ao setor, garantiu o comissário, adiantando também que as organizações de produtores terão flexibilidade na gestão dos programas operacionais, incluindo a possibilidade de os suspender ou alterar, de modo a melhor enfrentarem a crise da Covid-19.

Por outro lado, tanto no setor das frutas e produtos hortícolas como no vitivinícola, a Comissão adaptará o seu quadro jurídico atual de modo a permitir a reorientação de recursos para fazer face às consequências da pandemia, “fundos que de outra forma se teriam perdido” para os viticultores e produtores de frutas e produtos hortícolas, acrescentou Wojciechowski.

A nível global, segundo um balanço da agência de notícias AFP, a pandemia de Covid-19 já provocou mais de 224 mil mortos e infetou cerca de 3,2 milhões de pessoas em 193 países e territórios.  Cerca de 890 mil doentes foram considerados curados.

Em Portugal, morreram 973 pessoas das 24.505 confirmadas como infetadas, e há 1.470 casos recuperados, de acordo com a Direção-Geral da Saúde.

A doença é transmitida por um novo coronavírus detetado no final de dezembro, em Wuhan, uma cidade do centro da China.

Para combater a pandemia, os governos mandaram para casa 4,5 mil milhões de pessoas (mais de metade da população do planeta), encerraram o comércio não essencial e reduziram drasticamente o tráfego aéreo, paralisando setores inteiros da economia mundial.

Face a uma diminuição de novos doentes em cuidados intensivos e de contágios, alguns países começaram a desenvolver planos de redução do confinamento e em alguns casos a aliviar diversas medidas.