A estação de metro da Trindade, no Porto, estava praticamente vazia este domingo de manhã, viam-se mais agentes de segurança do que passageiros, todos de máscara no rosto. João Pedro Matos Fernandes, ministro do Ambiente, chegou por volta das 10h30 e, sem fato nem gravata, quase ninguém deu por ele. Antes mesmo de dizer “bom dia”, começou por desinfetar as mãos num dos pontos da estação com álcool em gel gratuito.

De caderno na mão, verificou as marcas no chão junto às escadas rolantes e os painéis informativos, questionou sobre a limpeza, as distâncias de segurança, a compra de bilhetes e a abertura, agora automática, de portas. Parou junto a uma das máquinas de venda, onde além de chocolates e sumos, agora se vendem também máscaras, luvas e álcool em gel. Entrou num veículo parado com destino ao Aeroporto e olhou-o de cima a baixo. Foi uma visita de dez minutos, onde o ministro do Ambiente passou a pente fino as principais mudanças que o Metro do Porto terá a partir desta segunda-feira.

“Haverá três regras obrigatórias”, começa por dizer, já no exterior da estação e sem máscara. Por um lado, a limpeza diária, por outro, o facto de não poderem andar mais que dois terços dos passageiros dentro de cada modo de transporte, seja ele fluvial, metro ou autocarro, e, por fim, o uso obrigatório de máscara por parte de todos os que optarem por se deslocar em transportes coletivos.

Para que esta última esteja garantida, o metro de Lisboa terá 80 máquinas montadas para venda de equipamento de proteção individual, no Porto serão cerca de 30 os pontos de venda, distribuídos por 14 estações, cada um com 200 a 300 unidades entre máscaras descartáveis (1,50€), máscaras reutilizáveis (3€), luvas descartáveis (0,50€) e álcool em gel (2€).

“A nossa única dúvida que temos para amanhã é qual a procura que vamos ter. Imaginamos que ela naturalmente vai crescer e vamos ter a oferta praticamente no máximo (…) Não temos uma expectativa concreta, mas acreditamos que vamos ter uma oferta que até vai ser superior à procura que virá a acontecer”, explica Matos Fernandes.

Venda de máscaras, álcool gel e luvas numa máquina de “Vending” instalada na estação da Trindade do Metro do Porto. FERNANDO VELUDO/LUSA

Uma das grandes prioridades é “criar condições para que as pessoas estejam afastadas umas das outras” dentro e fora dos veículos, por isso, faz um apelo “ao civismo de todos” e a um “comportamento responsável”. Um dos momentos onde existe uma maior aglomeração de pessoas é a entrada e saída de passageiros dos veículos. “Não há maneira de evitar”, reconhece, acrescentando que a porta abrirá automaticamente para que as pessoas não tenham necessidade de tocar no botão.

Metro do Porto vai vender máscaras, álcool em gel e luvas descartáveis a partir de segunda-feira

A validação do título Andante voltará a ser obrigatória e quem não cumprir as regras poderá ser multado. “Cabe às empresas garantir o cumprimento da lei e cabe as forças de segurança fiscalizar o incumprimento da lei”, sublinha o ministro do Ambiente, garantindo que vários agentes da PSP estarão presentes nas estações com maior número de passageiros. No Porto, serão 150 os profissionais a trabalhar nesse sentido.

“Nós fizemos tudo para funcionasse bem amanhã”, adianta Matos Fernandes, que afirma não fazer qualquer apelo para que as pessoas utilizem o transporte coletivo. “Sempre que puderem ir a pé é mesmo melhor ir a pé, mesmo que andem mais um bocadinho que o normal.”

Nas últimas semanas, os transportes coletivos verificaram uma quebra na procura na ordem dos 90%. Tiago Braga, presidente do Metro do Porto, garante que, a partir desta segunda-feira, o reforço “será muito significativo”, uma vez que a operação irá atingir “praticamente os 95% da oferta”.

“Na hora de ponta, entre as 7h e as 9h, vamos disponibilizar a partir de amanhã 50 mil lugares, a procura que tínhamos na passada quinta feira andava na ordem dos 25 mil lugares o dia todo.” Todos os veículos a circular na linha do Metro do Porto serão duplos e passarão com mais regularidade na linha D (amarela), aquela com maior procura. “Vamos passar de seis para 10 veículos na hora de ponta”, acrescenta Tiago Braga.