Na semana em que se tornou obrigatório o uso de máscaras em diferentes contextos em Portugal, um estudo de uma equipa da Florida Atlantic University vem mostrar de que as máscaras podem ser importantes na contenção de um vírus. Ainda que apenas esta medida não baste para combater a pandemia, este grupo de investigadores norte-americanos conseguiu fazer uma simulação para explicar como viajam as partículas pelo ar em diferentes situações de tosse: quando se tapa a boca com a mão, quando se usa a máscara e quando nada se faz para a conter.

Como mostrou a CNN numa reportagem feita a partir da universidade, os investigadores forçaram um manequim a tossir, com recurso a uma mistura de glicerina e água na boca. Sem nada que servisse de barreira, quando foi acionada uma bomba para simular o estímulo da tosse, as partículas expelidas ganharam uma dimensão semelhante às partículas de tosse real (10 a 20 microns) e voaram a uma distância de quase 90 centímetros quase de forma imediata.

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Quanto mais tempo passava, mais longa era a distância: em cinco segundos, tinham alcançado um metro e oitenta centímetros e em 10 segundos ultrapassou a barreira dos dois metros e 70 centímetros. Ou seja, sem proteção que cobrisse a boca, os fragmentos ultrapassaram em poucos segundos o intervalo do distanciamento social de um a dois metros que tem sido recomendado pela Organização Mundial de Saúde.

Contudo, a utilização de máscara no manequim levou a resultados bastante diferentes. Ainda que as partículas resultantes da tosse conseguissem ultrapassar o tipo de máscara básica que utilizaram, tiveram um curto alcance, com os fragmentos a ficarem muito próximos da área da boca do manequim. Ou seja, a máscara funcionou como forma de evitar dispersão, distanciamento e eventuais contágios a quem cumpra o distanciamento social, em caso de presença de vírus.

Quando a barreira de proteção foi substituída pelo braço humano, como normalmente se recomenda quando se tosse, ou pela mão à frente da boca, os fragmentos encontraram neste obstáculo uma forma de voar para todas as direções.

Efeito semelhante tinha sido retratado pelo Observador a 14 de março, quando um estudo da Universidade de Aalto, em parceria com o Instituto de Meteorologia finlandês explicaram como as partículas de um espirro podiam voar e espalhar-se num supermercado com ajuda de um ar condicionado.

A experiência demonstrou que a propagação do aerossol ocorreu ao longo de vários minutos, ultrapassando prateleiras e viajando pelos corredores, acabando por, com a movimentação provocada pelo ar condicionado, alcançar outros clientes.

Como o coronavírus se espalha quando alguém tosse num supermercado