O ex-candidato à liderança do PSD Miguel Pinto Luz contrariou esta sexta-feira a posição de Rui Rio sobre as empresas de comunicação social, dizendo que estas “não são iguais” às de sapatos, e lamentou recentes demissões no Instituto Sá Carneiro.

Numa publicação na sua conta da rede social Facebook — à qual não quis acrescentar mais nada, contactado pela Lusa -, o vice-presidente da Câmara de Cascais nunca menciona o presidente do PSD, mas manifesta, de forma implícita, a sua discordância em relação à posição afirmada publicamente por Rui Rio sobre as empresas de comunicação social.

São fundamentais numa sociedade que se quer livre e democrática. Não, não são iguais a empresas de sapatos, com todo o respeito que esse setor me merece. São fulcrais para o equilíbrio de poder, para o escrutínio permanente e para a transparência que se quer de todas as decisões tomadas pelos diferentes órgãos de poder”, refere Miguel Pinto Luz.

Na quarta-feira, em entrevista à CMTV, Rui Rio voltou a criticar os apoios previstos pelo Governo à comunicação social, que passam pela compra antecipada de publicidade paga para compensar a perda de receitas publicitárias devido à pandemia de Covid-19, dizendo discordar de uma subsidiação especial para o setor.

As empresas de comunicação social são empresas iguais às que fabricam móveis, sapatos, têxteis. Se têm uma dificuldade, devem ter todos os apoios que existem para todas as empresas”, afirmou então o líder do PSD.

Rio acrescentaria mais tarde uma publicação na rede social Twitter sobre o assunto: “E equiparo também às de camisas, às de fraldas e às de máquinas de embalar. As empresas de comunicação social devem ter os mesmos apoios que todas as demais. Não devem ter nenhum privilégio especial. Com toda a frontalidade, é o que eu penso”.

Esta sexta-feira, no Facebook, Miguel Pinto Luz lamentou ainda as recentes demissões do presidente do Instituto Sá Carneiro, Luís Alves Monteiro, e do vice-presidente Mira Amaral, noticiadas pelo Observador, que refere que as saídas se deveram à falta de “suporte financeiro” para esta organização – vocacionada para a formação de quadros sociais-democratas – prosseguir a sua atividade.

“Não posso deixar, nesta fase, de dar uma palavra de solidariedade e agradecimento ao Luís Alves Monteiro e ao Luís Mira Amaral pelo trabalho que desenvolveram no Instituto Sá Carneiro. Este Instituto deveria ter um papel ativo na sociedade civil ao lançar temas, novas caras e forte debate no panorama português. Infelizmente, não é aproveitado, sendo agora alvo de forte desinvestimento”, critica Pinto Luz.

O vice-presidente da Câmara de Cascais deixa ainda uma palavra de elogio aos autarcas que têm estado na “linha da frente” no combate à Covid-19.

“O papel do autarca merece ser realçado, mas também aproveitado e potenciado. O PSD tem um conjunto de autarcas, em que destaco naturalmente Carlos Carreiras [Cascais], Salvador Malheiro [Ovar] e Ricardo Rio [Braga}, entre tantos outros, mas também o trabalho fantástico de Miguel Albuquerque, na ilha da Madeira. É património do PSD, esta qualidade de respostas. Um trabalho que merecia ser feito em rede”, aponta.

Em janeiro, Miguel Pinto Luz obteve 9,55% dos votos (3.030 votos) na primeira volta das eleições diretas do PSD, naquela que foi a primeira vez que concorreu à presidência do partido.

O vice-presidente da Câmara de Cascais ficou de fora da segunda volta, que Rui Rio venceu com 53,2% dos votos, contra 46,8% de Luís Montenegro.