Catarina Martins dirigiu, esta manhã, duras críticas ao ministro das Finanças, na sequência da nova injeção de capital feita ao Novo Banco. “O problema da injeção não é apenas uma falha de comunicação, que em si já é relevante. O problema é o compromisso sobre se a injeção pode ou não ser feita, sem haver resultados da auditoria”, explicou a coordenadora do Bloco de Esquerda.

Em causa está a “falha de comunicação” alegada por Mário Centeno. Nos últimos dias, o Governo injetou 850 milhões de euros no Novo Banco, apesar da garantia dada por António Costa de que nenhum dinheiro seria dado ao banco sem que se conhecessem os resultado da auditoria em curso. “A posição do Bloco sempre foi de que não poderia haver nova injeção sem resultados”, continuou Catarina Martins na conferência de imprensa desta terça-feira de manhã.

“Não pode dizer que é falha de comunicação. É mais grave do que isso. É uma quebra grande no compromisso assumido no parlamento e pelo Primeiro-ministro e na transparência do próprio processo”, pontua a deputada, recordando que a auditoria ainda em curso foi aprovada pelo Governo após a última injeção de capital no Novo Banco que, no total, já recebeu quase 3.000 milhões de euros do Fundo de Resolução Bancário.

Mais de 10.000 contratações, reforço dos cuidados primários e testes a vacinas em Portugal: o manifesto do Bloco de Esquerda

Nesta terça-feira de manhã, Catarina Martins dirigiu-se à comunicação social para apresentar o Manifesto pela Saúde, um conjunto de propostas elaboradas pelo Bloco de Esquerda em colaboração com mais de uma dezena de profissionais, sindicalistas e representantes de trabalhadores da área da saúde.

“O Bloco de Esquerda tem duas preocupações: que as medidas que são tomadas para responder à pandemia não hipotequem o futuro do SNS e que, num todo, sejam coerentes”, indicou a coordenadora do Bloco de Esquerda. Na mira do manifesto, está o debate que se avizinha em torno do Orçamento Suplementar.

O reforço do investimento no Serviço Nacional de Saúde está no centro do documento, com a contratação definitiva dos cerca de 2.300 profissionais de saúde contratados temporariamente para responder ao surto, as despesas que responderam à emergência da pandemia e as 8.400 contratações previstas no Orçamento do Estado para 2020 como principais prioridades.

“A pandemia de Covid-19 não é um surto curto no tempo. O SNS vai ter de ser capaz de conviver durante um tempo prolongado e é preciso retomar a atividade programada. Seria um erro se o Serviço Nacional de Saúde fosse descapitalizado e o orçamento entregue a hospitais privados”, assinalou Catarina Martins.

O regresso das atividades programadas é outro dos pontos defendidos pelo Bloco de Esquerda. O partido propõe a definição de uma rede com unidades de saúde dedicadas a doentes COVID, a ampliação dos horários de funcionamento dos serviços e o estabelecimento de programas específicos com as unidades do SNS para recuperação de atividade, que se traduzam em aumento do contratualizado com essas unidades e consequente financiamento.

A revisão da Lei da Saúde Pública, debate apontado para um período subsequente ao do Orçamento Suplementar, o reforço dos Cuidados de Saúde Primários, com a internalização de meios de diagnóstico e análise e uma maior articulação destes com lares e instituições semelhantes, o aumento da autonomia dos hospitais, o que passa obrigatoriamente por um maior número de camas em Cuidados Intensivos, a revisão de carreiras e da valorização remuneratória dos profissionais de saúde e o reforço “imediato” dos cuidados de saúde mental no SNS são outros dos pontos que constam no manifesto.

O Bloco de Esquerda destaca ainda a importância de aproximar o Serviço Nacional de Saúde da Academia e da investigação, embora esta seja uma “proposta a afinar ainda”, nas palavras de Catarina Martins. “Não só precisamos de aumentar esta articulação como dar aos investigadores horas para prática clínica”, referiu a coordenadora do partido, referindo ainda a importância de criar infraestruturas para se poderem testar vacinas em Portugal.