Lisboa desceu 11 posição no ranking das cidades com o custo de vida mais elevado para expatriados, revela o estudo “Cost of Living Survey 2020” da consultora Mercer. A capital portuguesa está agora na 106º lugar de uma lista que é liderada por Hong-Kong e por Ashgabat, no Turquemenistão, que ocupa a segunda posição.

Tóquio e Zurique mantêm-se nos 3º e 4º lugares. Os dados foram recolhidos em março pela Mercer indicam que as flutuações de preço em muitas regiões ainda não se revelaram significantes devido à pandemia1.

Um dos fatores que encarece mais o custo de vida em Lisboa é o preço da gasolina em Lisboa (1,61€ p/ litro de gasolina 95 octanas) que era um dos mais elevados tendo em conta as restantes cidades do ranking. Por outro lado, no preço médio de produtos de limpeza, que inclui antissépticos, produtos de limpeza de casa ou detergente para máquina de lavar loiça, Lisboa apresenta um custo médio de 32,90€ e Hong Kong, a cidade mais cara do mundo para expatriados, o valor médio é de 37,80€.

Outras cidades que se encontram no top 10 são Nova Iorque (5), Xangai (6), Xangai (7), Berna (8), Genebra (9), e Pequim (10). As cidades menos caras para expatriados são Tunes (209), Windhoek (208) e Toshkent e Bishkek, que empatam no 206º lugar.

O estudo da Mercer inclui mais de 400 cidades, 209 no ranking deste ano, e compara os custos de mais de 200 produtos e serviços, entre eles alojamento, transportes, comida, roupa, bens domésticos e entretenimento. O objetivo deste levantamento é ajudar as multinacionais e os governos a definirem estratégias de compensação para os seus colaboradores expatriados.

Segundo a Mercer, o surto de Covid-19 e os impactos socioeconómicos levaram as empresas a reavaliar os seus programas de mobilidade internacional, tendo especial atenção ao bem-estar dos seus colaboradores expatriados.  Para além das novas formas de trabalho e das mudanças tecnológicas, as empresas estão também a equacionar novas alternativas para concretizar projetos internacionais de forma a manter as suas operações e equipas que trabalham no estrangeiro.

As empresas estão a reavaliar estratégias de expansão internacional, programas de mobilidade e pacotes de remuneração para os ajustar ao novo contexto económico. Esta nova abordagem deverá passar pela realocação de colaboradores que foram repatriados pelo efeito da pandemia. Por outro lado, questões como a localização e custo dos projetos internacionais serão um fator crucial no pós-crise.

“Este surto (COVID-19) fez-nos relembrar  que enviar e manter colaboradores em projetos internacionais acarreta uma grande responsabilidade e é uma tarefa difícil de se gerir”, refere Tiago Borges, Líder de Rewards da Mercer Portugal.

“Mais do que apostar num ressurgimento dramático da mobilidade, as organizações devem preparar-se para reintegrar as suas equipas de mobilidade, orientando com empatia e tendo presente de que nem todos os expatriados estarão preparados ou dispostos a ir para fora, num contexto como o atual.”

“O encerramento de fronteiras, a interrupção de voos, os confinamentos obrigatórios e outras perturbações a curto-prazo afetaram não só o preço de bens e serviços, como também a qualidade de vida dos expatriados.”, afirma ainda Tiago Borges.