Segundo aviso em menos de três dias. Depois de, na terça-feira, ter exigido um “esclarecimento cabal” sobre as operações recentes do Novo Banco e a conclusão rápida da auditoria sobre as mesmas, o presidente Marcelo Rebelo de Sousa deixou esta sexta-feira mais um apelo: é preciso ficar a conhecer o resultado da auditoria ao Novo Banco. E o mais rapidamente possível.

“Não posso dizer mais do que aquilo que o Governo já disse. Há três dias, no dia 28, disse que tinha sido anunciado que a auditoria sairia no mês de julho. Estávamos a 28. Estamos hoje a 31”, disse o Presidente da República.

Na noite de quinta-feira, o Governo anunciou – através do ministério das Finanças – que ainda não seria desta que a auditoria seria revelada dentro do prazo. Afinal, a auditoria à gestão de 18 anos do antigo BES e do Novo Banco ainda não tem uma versão final, nem uma data para a sua disponibilização. O Ministério das Finanças foi informado que esta sexta-feira seriam – como foram – apresentadas as conclusões preliminares pela Deloitte ao comité de acompanhamento operacional.

Estas conclusões referem-se a apenas um “conjunto de secções integrantes do relatório de auditoria para efeitos do exercício de contraditório pela entidade auditada e solicitação de eventuais esclarecimentos adicionais por parte do Fundo de Resolução.”

Marcelo lamentou o atraso – como tinha feito o Governo. “Qualquer que seja o conteúdo da auditoria – menos positivo, mais positivo, muito positivo ou positivo apenas – eu lamento, como fez o Governo, que não tenha sido possível, depois do adiamento, tê-la pronta a título final no mês de julho”, recordou o presidente.

António Costa tinha informado os deputados no debate quinzenal da sexta-feira da semana passada que o Governo tinha recusado prorrogar novamente o prazo para a conclusão dos trabalhos, em resposta a um pedido da auditora que está a fazer o trabalho, a Deloitte. Pelo que se percebeu do comunicado das Finanças, a auditoria final não estará pronta para ser entregue e divulgada no prazo indicado pelo primeiro-ministro: 31 de julho.

“Era melhor para todos [que já tivesse sido concluída]. Ninguém está interessado em que haja especulação sem conhecimento dos factos. E os factos, não os longínquos, mas os mais próximos, quanto mais rapidamente for comunicado aos portugueses, melhor”, reforçou Marcelo esta sexta-feira.

“Espero que no mais curso lapso de tempo possível, chegue a auditoria e chegue também o que ela possa recolher de dados úteis para que os portugueses possam ficarem informados”, concluiu.

Na sequência do atraso, o Governo exortou o Novo Banco a não realizar outras operações de venda de carteiras de ativos improdutivos enquanto não estiver concluída a auditoria. Uma indicação que o banco estará disponível para acatar.

Mas isso Marcelo não comenta. “Não me vou pronunciar sobre isso [se o banco deve ou não suspender as operações]. Penso que o importante é saber o que se passou. Enquanto não se sabe o que se passou, é importante olhar com atenção aquilo que se passa, sobretudo porque é uma instituição em que está envolvida uma garantia do Estado e o Estado somos nós, são os portugueses”.

E fechou o tema com um último alerta, ainda mais claro: “Quanto mais rápido se conhecer esta auditoria melhor”.