André Ventura pôs tensão no momento, como que a preparar um grande final. Durante um comício como candidato presidencial, no sábado à noite em Coimbra, o líder do Chega disse no púlpito que o primeiro-ministro era “um tipo de desagradável, que acha que tem piada“, o que “torna tudo pior”. E acrescentou: “Porque com aquele ar dele…”. Antecipou depois que estava com dúvidas sobre o que ia dizer a seguir (“não quero dizer nada que me arrependa amanhã”). Mas após o suspense — que utiliza muitas vezes para captar a atenção do discurso — lá acabou por dizer já com a sala em êxtase: “Com aquele ar de pai Natal indiano.”

André Ventura tentou amenizar o ataque, dizendo que não o afirmava com “más intenções”. Além disso, tentou, logo de seguida, antecipar as críticas que já sabia que o que acabara de dizer iria provocar: “Amanhã [vamos ler]: ‘Racismo no Chega’. Agora temos a prova, vão dizer eles“.

António Costa tem ascendência goesa. O seu pai, o escritor Orlando Costa, embora tenha nascido em Maputo (Moçambique) é filho de um goês católico. O primeiro-ministro é, como já escreveu o Público, descendente de goeses brâmanes católicos.

No mesmo evento, André Ventura antecipou que fará uma “nova manifestação” no próximo domingo, desta vez “contra a podridão e a pedofilia”. O líder do Chega diz que vai sair à rua para pedir a “castração química de pedófilos” e para enviar os “pedófilos para a prisão”.

Ventura fez várias referências ao processo Casa Pia e disse que Paulo Pedroso foi “ilibado pelos tribunais da forma como sabemos”. André Ventura disse ainda ser uma “vergonha” Ana Gomes ter anunciado “como seu coordenador de campanha, Paulo Pedroso”. O líder do Chega disse ainda que, do que depender dele, “os Paulos Pedrosos desta vida não passarão na vida política portuguesa”, acusando o antigo ministro de representar “o pior que a política portuguesa tem: a ligação aos lóbis socialistas” e “as influências que fez o PS mover no chamado processo Casa Pia.”