O governo francês pretende introduzir penas de prisão e multas para médicos que forneçam “certificados de virgindade”, prática comum para casamentos religiosos tradicionais. O objetivo é combater o “separatismo islâmico”.

Em França, cerca de 30% dos médicos afirmam ter sido solicitados para emitir um “certificado de virgindade”. A maioria recusa, segundo a TV France 3. No entanto, o projeto de lei do governo francês, que irá ser apresentado ao parlamento em dezembro, propõe um ano de prisão e uma multa de 15 mil euros para qualquer profissional médico.

Citada pela BBC, a ministra delegada da Cidadania francesa, Marlène Schiappa, afirma que o projeto deve também incluir punições para quem exigir os “testes”, como os pais ou os noivos.

No país, a prática “não afeta milhares de mulheres”, explica à France Inter a Drª. Ghada Hatem, ginecologista numa clínica que acolhe mulheres vulneráveis ​​e vítimas de violência, afirmando que ela própria “é questionada por cerca de três mulher no máximo a cada ano”. A prática é mais frequente entre as meninas do Magrebe, a maioria muçulmana no noroeste de África, que temem violência física ou desonra familiar se não apresentarem o certificado.

Se eles me disserem ‘o meu irmão vai-me bater, o meu pai vai-me estrangular, os meus sogros vão arruinar a reputação da minha família’, não tenho motivos para não acreditar nelas”, afirma Hatem.

França é o país da Europa Ocidental com o maior número de muçulmanos. Na religião islâmica, as mulheres podem ser rejeitadas pelas famílias e pela comunidade local, ou até mesmo mortas, por terem tido relações sexuais antes do casamento.

A Organização Mundial de Saúde (OMS) defende que a prática de inspecionar o hímen visualmente ou com os dedos não pode provar se uma mulher ou menina teve relações sexuais vaginais ou não e viola também os seus direitos humanos.

Os “certificados de virgindade” foram registados em vários países pela ONU, Human Rights Watch e outras organizações. Além dos motivos religiosos, estes “testes” são feitos também em investigações de violações ou no recrutamento para forças de segurança, sendo mais comuns, de acordo com a BBC Arabic, no Norte de África, Médio Oriente, Índia, Afeganistão, Bangladesh e África do Sul.