O PCP exigiu hoje a “suspensão e reversão imediatas” do despedimento coletivo no Grupo Global Media, “uma decisão inaceitável”, que tem “graves custos e efeitos sociais” e “contribui para aprofundar a degradação do setor da comunicação social”.

Em comunicado, o PCP condena o despedimento de 81 trabalhadores, 17 dos quais jornalistas, anunciado na sexta-feira pela administração do grupo, que detém, entre outros, o Jornal de Notícias, o Diário de Notícias e a rádio TSF.

“Trata-se de uma decisão inaceitável, com graves custos e efeitos sociais para os atingidos e a generalidade dos trabalhadores, e que contribui para aprofundar a degradação do sector da comunicação social, a sua qualidade e pluralismo”, lê-se no comunicado enviado às redações.

O PCP contesta os argumentos avançados pelo grupo, “os mesmos de anteriores ‘reestruturações’, sempre suportadas numa alegada ‘retração dos mercados de media’ e ‘crise sem precedentes'”, apontando que o grupo “está em fase de reestruturação de propriedade, com a “circulação’ de dezenas de milhões de euros entre os grandes interesses”.

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O empresário Marco Galinha entrou no capital da Global Media – adquirindo 40% do grupo – através da compra de uma participação do Novo Banco (10,5%) e outra posição controlada pelo BCP (no total, quase 30% relacionados com as posições da Olivemedia e da Luis Montez-Grandes Notícias), por valores acumulados a rondar os 4 milhões de euros. Mas este montante não é o único que vai despender para controlar um dos maiores grupos de media portugueses. O acordo com a administração da Global Media inclui cerca de 6 milhões de euros que o empresário de Leiria vai ter de pôr para, essencialmente, proceder ao despedimento de 120 pessoas no grupo.

Marco Galinha compra 40% da Global Media por 4 milhões de euros

O Partido Comunista Português destaca ainda que o grupo Global Media obteve este ano um contrato de publicidade institucional com o Governo “de mais de 1 milhão de euros” e “foi abrangido num ‘lay-off’ de 530 trabalhadores, que agora não hesita em despedir”.

Além disso, segundo o PCP, o grupo obteve em anos recentes “‘perdões de dívida’ e investimentos de capital estrangeiro de 15 milhões de euros” e “vendeu os edifícios históricos do Diário de Notícias e do Jornal de Notícias”.

Para o PCP, a Global Media “está a comprovar que, nas condições do domínio dos grupos económicos, a chamada ‘crise dos media’ é sobretudo uma oportunidade e um instrumento de concentração capitalista e de poder, de mais exploração, degradação das condições de trabalho e regressão das liberdades de imprensa e informação, em vez de mais participação, democracia e progresso social, como é verdadeiramente necessário”.

O partido, que informa ter já questionado o Governo em requerimentos apresentados na sexta-feira na Assembleia da República, apela “à luta e intervenção dos trabalhadores e das instituições”, “exige a suspensão e reversão deste despedimento colectivo” e “proclama a urgência de fazer respeitar a Constituição da República relativamente ao impedimento da concentração monopolista na comunicação social”.

O despedimento coletivo na Global Media foi sexta-feira contestado pelo Sindicato dos Jornalistas (SJ), que defendeu que “os despedimentos e a degradação das condições de trabalho não devem, nem podem, ser a única solução das administrações para resolver as dificuldades económicas”.

Em comunicado, o sindicato manifestou “solidariedade para com os trabalhadores atingidos”, reafirmando “a sua determinação em defender os postos de trabalho e garantir a proteção dos direitos e interesses dos jornalistas”, e frisou que “o despedimento não pode ser a resposta para compensar perdas em vendas de jornais e publicidade ou investimentos falhados, no quadro de uma gestão irresponsável”.

O SJ apontou ainda que “as redações das várias publicações periódicas e da TSF já estão demasiado exauridas”, sendo que “um novo ’emagrecimento’ forçado vai, necessariamente, implicar uma redução da informação produzida, com reflexos na qualidade dos conteúdos”.