Esta quinta-feira a Global Media – que detém títulos como o Diário de Notícias, o Jornal de Notícias, o desportivo O Jogo e também a rádio TSF – anunciou que terá o empresário Marco Galinha como o seu novo acionista.

Marco Galinha entra no capital da Global Media através da compra de uma participação do Novo Banco (10,5%) e outra posição controlada pelo BCP (no total, quase 30% relacionados com as posições da Olivemedia e da Luis Montez-Grandes Notícias), por valores acumulados a rondar os 4 milhões de euros. Mas este montante não é o único que vai despender para controlar um dos maiores grupos de media portugueses. O acordo com a administração da Global Media inclui cerca de 6 milhões de euros que o empresário de Leiria vai ter de pôr para, essencialmente, proceder ao despedimento de 120 pessoas no grupo.

De acordo com fontes ouvidas pelo Observador, o acordo com a administração da Global Media, no que diz respeito à reestruturação dos títulos do grupo, confirma em grande medida o que constava do plano de negócios para o grupo – noticiado há mais de um ano – e apresentado a vários investidores.

Assim, os cerca de 6 milhões inscritos num acordo com a administração visam pagar os despedimentos, a partir de outubro, de cerca de 120 trabalhadores (quando no plano de negócios constava a saída de 136 trabalhadores, 116 numa primeira fase e 20 na segunda). O objetivo seria o de chegar ao final do ano com uma redução do custo em recursos humanos de cerca de 6,49 milhões de euros. A data de outubro para fazer as reduções de pessoal não é aleatória, uma vez que é nesse mês que termina o impedimento de despedir para quem tenha – como fez a Global Media – aderido ao primeiro layoff simplificado criado devido à pandemia de Covid-19.

Diário de Notícias e TSF entram em layoff a partir de segunda-feira

Marco Galinha também assegura – através de acordo com a administração da Global Notícias – a capacidade de controlar a gestão do grupo durante 4 anos. De acordo com o plano a que o Observador teve acesso, o número de jornalistas (de todos os meios – DN, JN, O Jogo e TSF) envolvidos nesta reestruturação poderia ascender a 70, sendo que no Diário de Notícias poderá reduzir o seu staff editorial de 44 para cerca de 20 jornalistas.

Uma outra questão será saber se o negócio necessita de aprovação da Autoridade da Concorrência (AdC), devido à faturação do Grupo Bel e da Global Media. Certa será a necessidade de um parecer da Entidade Reguladora da Comunicação Social (ERC), uma vez que Marco Galinha já detém cerca de 10% do Jornal Económico (a participação era de 35%, mas o empresário reduziu-a no início do ano).

O Observador tentou obter junto do empresário Marco Galinha mais pormenores sobre o negócio e a estratégia que vai ser seguida na Global Media, mas até ao momento o empresário de Leiria não se mostrou disponível.

António Saraiva passa a chairman da Global Media, mas mantém-se à frente da CIP

As alterações no grupo  também passam pela designação do presidente da Confederação Empresarial de Portugal (CIP), António Saraiva, para “chairman”, avançou o jornal Eco.

Saraiva sucede assim a Pedro Soeiro, que estava no cargo de presidente do Conselho de Administração do grupo após o fim do mandato de Daniel Proença de Carvalho.

Em conferência de imprensa, na tarde desta quinta-feira, para apresentar as medidas que os “patrões” desejam ver inscritas no Orçamento do Estado para 2021, António Saraiva começou por não querer comentar diretamente a sua designação para Chairman da Global Media. Mas acabou por confirmar indiretamente.

“Mais tarde terei muito gosto [em falar sobre isso], quando for o tempo e houver oportunidade. A Global Media no seu plano de comunicação dirá o que será feito, ao que vem este novo quadro acionista, o que se propõe fazer neste importante grupo de media português. No tempo e no momento certo terei muito gosto em responder”.

Em resposta ao Observador, Saraiva acabou por afastar também a possibilidade de sair da CIP para assumir a posição de Chairman da Global Media. “A CIP é uma organização privada e de defesa da iniciativa privada. A Global Media é uma atividade privada, não é pública, e por isso não há qualquer conflito de interesses. Não vou assumir qualquer cargo público estando numa atividade privada”, disse.

A entrada de Marco Galinha no capital do grupo foi comunicada esta quinta-feira por email aos trabalhadores.

“Os acionistas do Global Media e o Grupo Bel chegaram hoje a acordo para a entrada deste na estrutura acionista da empresa. Esta parceria, que será formalizada após a conclusão dos devidos procedimentos, visa o relançamento estratégico de um dos principais grupos de referência da comunicação social em Portugal, num momento desafiante para o sector e para o país”, lê-se nesse email.

Marco Galinha é o CEO do grupo Bel, que tem atividades que vão desde o setor das máquinas de “vending” até à aeronáutica, passando pela alimentação desportiva. Em abril, Marco Galinha apresentou através da Bel uma proposta para comprar a TVI. O empresário natural de Rio Maior é ainda detentor de uma participação no Jornal Económico. Chegou a ser de 35%, mas reduziu-se para 10% no início do ano.

António Saraiva é presidente da CIP desde 2010, ano em que a então Confederação da Indústria Portuguesa se juntou à AEP – Associação Empresarial de Portugal e Associação Industrial Portuguesa – Confederação Empresarial (AIP-CE) e formou a atual configuração de CIP – Confederação Empresarial de Portugal. Homem do meio industrial e empresarial, António Saraiva nunca tinha, até aqui, desempenhado funções deste tipo num grupo de comunicação social.

Artigo atualizado às 18:30 com informação adicional sobre o negócio.