Frederico Varandas já se tinha mostrado pronto a regressar a efetivo do Exército quando fosse chamado ao abrigo do estado de emergência e a notificação chegou entretanto ao presidente do Sporting que, à semelhança do que aconteceu nos três períodos iniciais decretados pelo Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, entre final de março de início de maio, vai assumir uma missão como aquela que teve no Hospital das Forças Armadas, em Lisboa, voltando também a fazer o requerimento de acumulação de funções para continuar a liderar o clube em simultâneo, algo que foi recebido e aprovado tal como já tinha acontecido na primeira vaga.

“Já servi o País, vou voltar a fazê-lo enquanto o estado de emergência durar”: Varandas integra corpo médico nacional

A comunicação, datada de terça-feira como apurou o Observador e seguindo o despacho do dia anterior, já era aguardada pelo número 1 verde e branco, médico militar que, após ter sido decretado o estado de emergência, regressa ao ativo sendo colocado ao serviço da Direção de Saúde Militar, à luz do número 7 do artigo 33 da Lei da Defesa Nacional, que se volta agora a aplicar (ainda que com contornos diferentes do confinamento da primeira vaga) numa altura em que Portugal tem atingido números recorde de novas infeções, mortes, casos ativos, internamentos, doentes em UCI e contactos em vigilância, como se viu na última semana.

“O paciente tinha uma questão: o senhor não lidera um clube de futebol?”: a reportagem do New York Times sobre Varandas

“Os militares na situação de reserva fora da efetividade de serviço que sejam titulares de um dos órgãos referidos no n.º 1, exceto dos órgãos de soberania ou do Parlamento Europeu, só podem ser chamados à efetividade de serviço em caso de declaração de guerra, do estado de sítio ou do estado de emergência, que determinam a suspensão do respetivo mandato”, advoga. “O capitão Frederico Varandas detinha licença especial para efeitos eleitorais, que caducou com a entrada em vigor do decreto do Presidente da República, pelo que é determinado o regresso do militar à sua anterior situação. Consequentemente, o Exército Português notificou todos os seus militares que detinham licenças com a natureza referida sobre a necessidade de se apresentarem ao serviço”, explicou o Ministério da Defesa à Lusa na primeira chamada, na terceira semana de março. No entanto, e perante algumas dúvidas suscitadas sobre essa questão, o Sporting detalhou toda a situação em comunicado.

Frederico Varandas foi notificado a regressar ao Exército

“Na manhã de 18 de março, Frederico Varandas contactou o Brigadeiro-General Jácome de Castro, Diretor de Saúde Militar do EMGFA, no sentido de voluntariar-se para ajudar no combate à pandemia mundial atual e, sem qualquer convocatória por parte do Exército, Frederico Varandas solicitou também autorização para fazer, no dia 19 de março, uma formação no Hospital Militar em Covid-19, autorização essa que foi concedida. Este domingo, dia 22 de março, Frederico Varandas foi contactado telefonicamente pelo Exército a confirmar a sua participação na luta contra a pandemia do novo coronavírus, não tendo porém, até à data, sido notificado por carta oficial para tal efeito. Hoje, dia 23 de março, os serviços do hospital das Forças Armadas, telefonicamente, solicitaram a Frederico Varandas o pedido para fazer o requerimento de acumulação de funções, dado o carácter excecional do presente estado de emergência vigente. Frederico Varandas está orgulhoso e honrado por mais uma vez poder servir o País”, salientou então a missiva publicada no site oficial do conjunto verde e branco.

Frederico Varandas detalha contactos feitos até notificação do Exército (incluindo a formação no Hospital Militar)

“Já servi o País, vou voltar a fazê-lo enquanto o estado de emergência durar… E voltarei sempre que Portugal precisar. Vamos… Vamos com tudo. Pelas gerações dos nossos pais e avós mas também por esta geração que não pode crescer num país sufocado noutra grave crise económica. Por todos eles, por Portugal… Vamos! Cada um à sua maneira. Uns a tratarem dos doentes, outros a fazerem pão, outros a informarem os portugueses, outros a trabalharem nos seus serviços para manter a economia e o País de pé”, escreveu então o líder leonino.

“Haver um presidente que é médico e esteve no terreno deu confiança ao governo”, destaca Frederico Varandas

Frederico Varandas começou a carreira militar começou em 1998, quando ingressou no curso de Medicina na Academia Militar. Em 2005, concluiu a licenciatura em Medicina na Faculdade de Ciências Médicas de Lisboa e a Formação Complementar em Saúde Militar pela Academia Militar. Depois de ter estado em missão no Afeganistão, em 2008, foi condecorado com a Medalha D. Afonso Henriques. Com 41 anos, é capitão do Exército português e, desde setembro de 2018, depois de ter feito uma pós-graduação em Medicina Desportiva e de ter liderado o corpo clínico do V. Setúbal e do Sporting, presidente do clube de Alvalade.

Frederico Varandas: o médico que só faltou a um jogo porque estava no Afeganistão e quer ser presidente do Sporting