“Já servi o País, hoje vou voltar a fazê-lo enquanto o Estado de Emergência durar… E voltarei sempre que Portugal precisar. Vamos… Vamos com tudo”. Foi desta forma que Frederico Varandas, presidente do Sporting, anunciou que iria juntar-se ao corpo médico nacional no combate à pandemia global da Covid-19. Mas aquilo que deveria ser apenas um anúncio “formal” acabou por motivar vários outros desenvolvimentos.

Por um lado, o movimento “Ser Sporting” emitiu um comunicado pedindo eleições antecipadas no clube verde e branco. Razão? Varandas estaria impossibilitado de cumprir funções como líder dos leões, o que poderia levar à sua destituição segundo os estatutos. Em resumo, como “a efetividade de serviço pressupõe a prestação de funções militares, em regra, em regime de exclusividade”, não poderia exercer funções. E pede-se sufrágio já para abril.

Por outro, a dúvida se Frederico Varandas tinha ido de forma voluntária para o corpo médico nacional ou se, face ao estado de emergência, foi “obrigado” a integrar essa equipa. “O capitão Frederico Varandas detinha licença especial para efeitos eleitorais, que caducou com a entrada em vigor do decreto do Presidente da República, pelo que é determinado o regresso do militar à sua anterior situação. Consequentemente, o Exército Português notificou todos os seus militares que detinham licenças com a natureza referida sobre a necessidade de se apresentarem ao serviço”, explicou o Ministério da Defesa, seguindo a Lei de Defesa Nacional, à Lusa.

Nesse sentido, a formação verde e branca emitiu um comunicado de três parágrafos reagindo ao último ponto, explicando todos os passos entre a última segunda-feira, dia 16, e esta segunda-feira.

“No seguimento do esclarecido anteriormente, o presidente do Sporting Clube de Portugal, Frederico Varandas, no passado dia 16 de março, contactou o Secretário de Estado da Juventude e do Desporto, Dr. João Paulo Rebelo, no sentido de disponibilizar as instalações do Pavilhão João Rocha, bem como o campo sintético que está ao lado, para possível hospital de campanha ao governo português, informando também que podiam contar com a ajuda do departamento médico do Sporting Clube de Portugal e do próprio, Frederico Varandas, no combate à Covid-19″, começa por explicar a missiva do clube leonino.

“Na manhã de 18 de março, Frederico Varandas contactou o Brigadeiro-General Jácome de Castro, Diretor de Saúde Militar do EMGFA, no sentido de voluntariar-se para ajudar no combate à pandemia mundial atual e, sem qualquer convocatória por parte do Exército, Frederico Varandas solicitou também autorização para fazer, no dia 19 de março, uma formação no Hospital Militar em Covid-19, autorização essa que foi concedida. Este domingo, dia 22 de março, Frederico Varandas foi contactado telefonicamente pelo Exército a confirmar a sua participação na luta contra a pandemia do novo coronavírus, não tendo porém, até à data, sido notificado por carta oficial para tal efeito”, salientou ainda o comunicado Sporting.

“Hoje, dia 23 de março, os serviços do hospital das Forças Armadas, telefonicamente, solicitaram a Frederico Varandas o pedido para fazer o requerimento de acumulação de funções, dado o carácter excecional do presente estado de emergência vigente. Frederico Varandas está orgulhoso e honrado por mais uma vez poder servir o País”, concluiu o texto do conjunto lisboeta.